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Carnaval sem assédio: atitudes que homens podem tomar para ajudar mulheres

Homens podem ser grandes parceiros as mulheres quando o assunto é ter um Carnaval mais divertido - iStock Images
Homens podem ser grandes parceiros as mulheres quando o assunto é ter um Carnaval mais divertido Imagem: iStock Images

Natália Eiras

Da Universa

23/02/2019 04h00

Entre uma folia e outra, os homens podem ser grandes aliados das mulheres no aperto do bloquinho. Mais do que, principalmente, respeitar o espaço delas, os foliões podem assumir algumas atitudes para que todo mundo se divirta neste Carnaval, inclusive as mulheres que querem participar da festa sem ter que se preocupar com o assédio. 

A Universa conversou com algumas entusiastas dos blocos e elas contam como os homens podem ajudar as mulheres a evitar assédio: 

1. Não se aproveite de mulheres muito bêbadas. Ajude-as!

Caso veja alguma mulher que tenha exagerado da bebida, não aproveite que o senso de consentimento dela está afetado para conseguir um beijo. Além de ser desrespeitoso, ter relações sexuais com uma pessoa alcoolizada é crime. Então, em vez de assediá-la, auxilie-a para que chegue bem em casa. "Leva a mulher para um lugar onde ela possa se sentar, de preferência um lugar público e com outras pessoas. Traga água, encontre os amigos dela", aconselha a editora de livros Camila Marques, 37, de São Paulo (SP). "Mas tem que perguntar se ela está bem com a real intenção de ajudar", completa Roberta Souza, 37, advogada de São Paulo. 

2. Chame a atenção do seu amigo caso ele esteja sendo inconveniente com mulheres

Camila Marques, 37 - Arquivo Pessoal
Camila Marques, 37
Imagem: Arquivo Pessoal

Repreender um homem que está cometendo assédio é a atitude que mais pode ajudar as mulheres, sejam elas desconhecidas ou uma amiga. "Você chama os amigos à responsabilidade, para não endossar o comportamento de um grupo que pode estragar a festa de todo mundo", fala Roberta. Isso porque, muitas vezes, alguns homens ficam encurralando as mulheres em bando na folia. Porém, se todo mundo levar e/ou dar um puxão de orelha do amigo, o assédio pode diminuir bastante e o ambiente vai ficar mais confortável para as mulheres.

3. Caso veja uma menina sendo constrangida, ajude-a a se livrar do folião escroto

Um clássico: você vê uma mulher sofrendo com um folião inconveniente e, para ajudar a menina, você finge que é o namorado ou um amigo próximo dela. Esta é uma tática simples e bastante efetiva para ajudar uma desconhecida ou amiga. "Infelizmente, homem intimida homem. Então, um amigo pode usar isso a nosso favor também", fala a advogada Clara Coutinho, 30, de São Paulo (SP). "Pergunte se ela está bem, mas sem ficar encostando". Depois que o folião inconveniente for embora e você tiver certeza que ela está bem, dê espaço para que a mulher continue curtindo a festa do jeito que bem entender. 

4. Não deixe de usar camisinha sem o consentimento da menina

Clara Coutinho, 30 - Arquivo Pessoal
Clara Coutinho, 30
Imagem: Arquivo Pessoal

Clara diz que você e a camisinha precisam ser companheiros inseparáveis. "Dá para levar no bloquinho, sim, e tem que usar sempre", fala a advogada. No entanto, há homens que são adeptos do stealthing, que é uma prática de tirar a proteção durante o ato sexual sem que a parceira saiba. A entusiasta do Carnaval é categórica sobre o assunto: "Obrigar alguém a fazer sexo sem camisinha ou tirar sem avisar é estupro. Você está colocando em risco a sua saúde e a da outra pessoa. Sexo gostoso é o sexo seguro". Quer ajudar? Ande com camisinhas extras no bolso para dar àquele amigo desprevenido. E aconselhe-o a jamais praticar sexo sem proteção. 

5. Lembre-se: não é não

As entrevistadas pela Universa lembram que esta é a lição básica para que homens e mulheres possam curtir o Carnaval sem grandes dramas. "Não xingue se levar um fora e lembre-se de respeitar a vontade da mulher", diz Roberta. Isso vale, inclusive, para toques indesejados como mão boba em áreas como as nádegas e seios e beijo roubado, que agora são considerados crimes, de acordo com a lei da importunação sexual, que entrou em vigência em setembro do ano passado. É mais divertido se todo mundo lembrar do óbvio: que não é não. Mais uma vez, se um amigo seu estiver agindo dessa maneira, não finja que não está vendo: repreenda-o e mostre o quanto isso é errado. 
 

Violência contra a mulher