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Mayumi Sato

Ghosting não é novidade mas se tornou mais popular com os apps de encontro

Mayumi Sato

Mayumi Sato é meio de exatas, meio de humanas. Pesquisadora e diretora de marketing do Sexlog quer ressignificar a relação das pessoas com o sexo e, para isso, acredita que é preciso colocar a mão na massa, o que inclui decodificar o comportamento humano. Ao longo dos anos, estudando e trabalhando com o mercado adulto, passou a fazer parte de uma rede de mulheres interessadas e ativistas no assunto, por isso sabe que não está "não estamos" só. Idealizadora do cínicas (www.cinicas.com.br) e feminista sex-positive.

Colunista do UOL

27/09/2020 04h00

O App de paquera Hinge tem um único objetivo: ser deletado. A ideia é que ele te ajude a encontrar alguém tão especial que pare de fazer sentido continuar com ele instalado, assim como os demais aplicativos de paquera. Ou seja, o Hinge é destinado àqueles que procuram por um relacionamento sério.

Ainda assim, de acordo com uma pesquisa do próprio app, 91% das pessoas cadastradas já sofreram ghosting e 63% já fizeram ghosting em alguém.

Mas, vamos por partes:

Ghosting é um nome da moda para uma prática antiga: deixar alguém no vácuo, sem saber por que a conversa/relação não teve continuidade. Ou um fim propriamente dito. O bom e velho sumiço, injustificado.

Se o fenômeno não é atual, acabou se tornando mais popular com a adoção em massa dos aplicativos de encontro. Pois se existia uma complicação em dar um perdido em alguém com quem você tem contato na vida real, quando a relação é só virtual, bastam alguns cliques pra sumir sem deixar vestígios.

Quando isso acontece num aplicativo cujo objetivo é um relacionamento sério, podemos imaginar naqueles mais focados em sexo ou apenas diversão, né? O ghosting é uma epidemia.

E qual a justificativa para ele?

De acordo com Logan Ury, diretora de Ciência de Relacionamento do Hinge, 40% das pessoas dizem que o ghosting acontece porque não sabem explicar muito bem o motivo de não querer dar continuidade àquela relação. Quase um terço dos entrevistados disse que "se sentiu desconfortável rejeitando alguém". E alguns ainda dizem que "é menos doloroso sumir do que rejeitar de forma direta".

Ainda assim, 85% dos entrevistados afirma que prefere sofrer rejeição do que ghosting. Um pé na bunda dói, mas é muito melhor do que não saber exatamente o que aconteceu.

Uma observação feita por Logan deixa tudo mais complexo: o ghosting também faz mal a quem o realiza, afetando negativamente a nossa auto imagem, já que muito do que somos é construído a partir das nossas ações e, para a maioria de nós, é bastante evidente que sumir não é algo bacana de se fazer.

Pra dar mais um tempero pra essa história, compartilho aqui um vídeo do Soltos S/A. Nele, o antropólogo Michel Alcoforado propõe uma nova visão sobre o tema: a de que o tal ghosting simplesmente não se aplica às relações virtuais, que seguem uma dinâmica própria, cujo fluxo das relações não depende de definições de início ou fim. Vale a pena dar uma olhada:

Mas e você, acha que o ghosting existe? Já aplicou ele em alguém ou foi vítima nessa história? Conta pra gente nos comentários!

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Mayumi Sato