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Mayumi Sato

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Ser sexualmente ativo na terceira idade precisa deixar de ser um tabu

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Imagem: iStock

Mayumi de Andrade e Silva Sato

Colunista de Universa

25/09/2022 04h00

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Você acredita que sexo tem idade? Se a sua resposta por acaso for sim, então é o momento de rever os seus conceitos. Estar sexualmente ativo durante a terceira idade não deveria ser um tabu, mas infelizmente, parte da sociedade recebe com certa estranheza essa demonstração de prazer.

"A sexualidade é um comportamento que dura a vida inteira, e a noção de que ela termina com o envelhecimento é ilógica", diz a professora Ione Lopes, coordenadora do curso de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI).

Segundo ela, a necessidade sexual dura a vida toda: "As pessoas idosas hoje vivem mais tempo, são mais saudáveis, têm mais educação e tempo de lazer, e estão começando a ter consciência da sua sexualidade [.] A abstinência sexual pode ser prejudicial [...] Em mulheres sexualmente ativas, por exemplo, é observado menos atrofia vaginal do que em mulheres inativas, pois a atividade mantém a qualidade da irrigação sanguínea na vagina.", afirma.

Um levantamento feito pelo IBGE apontou crescimento no número de idosos, ultrapassando 30 milhões em 2017. Em 2012, a população com 60 anos ou mais, era de 25,4 milhões, um crescimento de 18% em apenas cinco anos e que reforça a importância em falar sobre o tema.

Muito se engana que esse preconceito se limita apenas aos héteros. Segundo o empresário Ricardo [nome fictício], essa é uma prática comum também na comunidade LGBTQIA+: "No meio gay infelizmente é algo muito comum, no próprio Grindr por exemplo, muitos acabam sendo bem diretos - beirando a grosseria - quando abordados por homens mais velhos".

É muito importante compreender que com o tempo, o sexo vai se transformando e se reinventando; os gostos, posições e formas de prazer mudam. Na terceira idade, o sexo é importante para a qualidade de vida, aumentando a autoestima e reduzindo o estresse, além dos vários benefícios para a saúde.

Essa consciência sexual não se dá apenas em uma relação com outra pessoa, mas também durante o autoprazer. É importante estar em contato com o próprio corpo, descobrir novas sensações, explorar o que te dá prazer e proporcionar novas experiências conforme o tempo for passando.

Segundo Heloisa Etelvina, fundadora da Pantynova, marca que foca no bem-estar sexual, é importante investir no próprio prazer: "Ao mesmo tempo que a prática sexual vai sendo alterada com o passar dos anos, surge também a possibilidade de tornar esses momentos mais prazerosos com o uso de lubrificantes à base de água e de toys", afirmou.

É importante não deixar o seu prazer para depois! Me conta aqui nos comentários o que você costuma fazer para não deixar o fogo apagar.

Mayumi Sato