Cris Guterres

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Opinião

Como você lida com frustrações? Não adianta fugir como Wanessa Camargo faz

Um questionamento da minha psicóloga e uma cena do "BBB" me fizeram pensar sobre como lido com as minhas frustrações.

Dias atrás, Wanessa Camargo contou, numa conversa sincera com Yasmin Brunet, como se sente em relação à sua carreira. "Eu constantemente me sinto uma fraude. É um sentimento que me machuca profundamente porque sei que não posso me esconder", afirmou a cantora.

Falando isso, Wanessa não nos parece aquela mulher certeira que manipula os outros participantes e vem tentando frustrar os sonhos de vida do Davi. Mas talvez essa fala diga muito sobre como ela age no "BBB", pois, para muitos, a própria infelicidade é motivo para minar o sorriso e os sonhos do outro e, no caso de Wanessa, acredito que haja também um motivador racial, mas deixarei este assunto para um outro momento, voltemos para a frustração.

Wanessa sabe que não dá pra se esconder dos nossos descontentamentos nem quando estamos no "BBB". Eu, assim como ela, sempre tive uma relação conturbada com a frustração. O que sempre fiz foi fugir. Buscava qualquer coisa que eu pudesse colocar no lugar daquele sentimento inóspito: álcool, trabalho, pessoas, sexo? Qualquer coisa serve para evitar que eu me sentisse desconfortável comigo.

A grande questão é que eu nunca olhava pra dentro, eu nunca olhava pra mim com interesse real de resolver o que me trazia o vazio. Eu nunca me perguntava por que estava frustrada: ia vivendo, criando expectativas aos montes em relação aos outros e em relação a mim, me desapontava e não me questionava sobre como mudar essa equação. Só jogava álcool e nicotina para apaziguar, mas, em vez de acabar com o vazio, eu estava ateando fogo.

Um dia a minha terapeuta me perguntou sobre como eu lido com as minhas frustrações e depois dos segundos sem resposta e de dias entalada com aquela pergunta foi que me dei conta de que estava fazendo escolhas erradas na hora de aliviar os meus desgostos. Então, decidi encarar a frustração de frente, como quem encara um touro bravo na arena. Não adianta fugir, a gente tem que enfrentar de uma vez por todas. E sabe de uma coisa? Às vezes, até consigo dar uma boa risada da situação toda.

Óbvio que essa resolução não veio do dia pra noite, o aprendizado é contínuo e a frustração pode ser chata, mas também pode ser uma grande oportunidade de crescimento. É como dizem por aí, é na queda que a gente aprende a levantar. E, se tem uma coisa que venho aprendendo nessa jornada toda, é que no final das contas, quem se permite sempre se supera.

Quem se permite consegue sair do modo de vida irritadiço e emburrado, e consegue perceber que outro não é responsável por sua infelicidade. Wanessa acredita que Davi cria um inferno dentro do "BBB", mas, na verdade, o inferno está dentro dela mesma e só ela pode controlá-lo ou evitá-lo. Pode ser este inferno que faça com que ela seja incapaz de aceitar que um jovem negro e pobre como o Davi possa ser tão dono de seus sonhos e tão certo de que pode ser grande como ela tão branca e rica ainda não conseguiu ser.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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