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Opinião

Ser mãe de adolescente é como mar: imprevisível, mas também belo e profundo

Nem bem o mês de maio começou e já estamos inundadas por anúncios e conteúdos sobre o segundo melhor momento de vendas do comércio brasileiro, o mês das mães. A data que só perde em vendas para o Natal já está sendo celebrada intensamente nas vitrines de lojas, comerciais e plataformas de conversas.

No entanto, é comum vermos a maternidade sendo celebrada e discutida amplamente a partir do nascimento de um bebê. Os comerciais, os programas de TV, os artigos e os conteúdos online estão repletos de imagens fofas de mães segurando recém-nascidos nos braços, celebrando os primeiros passos ou a primeira palavra. O que muitas vezes é esquecido é que a maternidade não é apenas sobre os primeiros anos de vida de um filho, mas também sobre os desafios e as alegrias que vêm com a criação de um adolescente que logo se tornará adulto.

Nós, mães de filhos adolescentes, enfrentamos uma série de desafios únicos e complexos, desde lidar com as mudanças hormonais e emocionais de nossos filhos até ajudá-los a navegar pelos confrontos da escola, das amizades e da descoberta da própria identidade e ainda equilibrar a necessidade de impor limites e disciplina com o desejo de manter uma relação próxima e afetuosa. Só com muita ajuda divina!

Talvez a adolescência seja um dos momentos em que as mães mais se sintam sozinhas. Todo mundo solta a mão, inclusive o filho que se distancia emocionalmente dos pais, buscando uma maior autonomia e liberdade.

Aqui em casa tenho um jovem adulto. Rafael tem 19 anos, já não é mais um adolescente, mas ainda é um humano necessitando de orientação enquanto constrói a si mesmo. Apesar dos desafios, eu confesso que maternar um adolescente foi um dos momentos mais desejados da minha vida. Tive a oportunidade de testemunhar o crescimento e o desenvolvimento do meu filho, celebrar suas conquistas e apoiá-lo em suas adversidades.

Esta semana estive com a educadora e escritora, autora do livro "Desafios da Adolescência na Contemporaneidade", Carolina Delboni. Ela me disse, durante uma conversa promovida pela marca Boticário, que a maternidade não termina quando os nossos filhos crescem, ela apenas muda de forma.

Muitos de nós trata a adolescência dos filhos como um período perturbador. O termo "aborrecência", que muitos adultos insistem em utilizar, é uma demonstração de como a sociedade estereotipa os nossos jovens. Todas as fases da maternidade são difíceis, a adolescência é só mais uma delas, é um momento em que as mães se reinventam. Longe de mim querer romantizar este período, até porque eu imaginei que seria muito mais fácil, achei que tiraria de letra essa parte da vida do Rafa, mas não está sendo fácil e muito por isso eu vejo a importância de mudar a narrativa em torno da maternidade, reconhecendo e celebrando as mães de adolescentes e as experiências únicas que elas enfrentam.

Através da representação, da educação e do apoio mútuo, podemos garantir que essas mães se sintam vistas, ouvidas e acompanhadas em sua jornada de maternidade. Então, mães de adolescentes, não se sintam sozinhas nessa jornada. Me sinto navegando em mares desconhecidos, com amor e a coragem quando é possível. Mas não me esqueço que, assim como o oceano, a maternidade na adolescência pode ser imprevisível, mas também é cheia de beleza e profundidade. Estamos juntas nessa, o amor é que fica.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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