Cris Guterres

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Opinião

Mulheres imigrantes estão suscetíveis à violência e precisam de apoio

As violências contra mulheres imigrantes representam um triste e perturbador fenômeno que merece atenção urgente e ação enérgica. Quando mulheres se deslocam para outros países em busca de segurança, oportunidades econômicas ou refúgio, muitas vezes acabam enfrentando uma série de abusos, que frequentemente são agravados por sua vulnerabilidade devido à sua situação de imigração. O tema foi abordado na segunda Conferência da Mulher Brasileira no Reino Unido, em Londres, na semana passada, onde estive a convite do Núcleo Londres do Grupo Mulheres do Brasil para mediar uma conversa.

Estamos diante de uma situação que precisa ser uma preocupação significativa de toda a sociedade e este foi o principal propósito do encontro, na embaixada do Brasil. Organizações que atuam na promoção dos direitos e na assistência à mulher brasileira no país, o embaixador e cônsul João Alfredo dos Anjos Junior, a cônsul-adjunta Sarah Cruz Ferraz e a pesquisadora do Imperial College London, Yara Evans uniram forças para um diálogo com finalidade de elaborar ações propositivas para o enfrentamento da violência contra mulheres e crianças brasileiras no exterior e diminuir substancialmente as barreiras que impedem seu bem-estar.

Durante o painel, pudemos contextualizar o público sobre o perfil das mulheres que necessitam de apoio e expor propostas capazes de reunir um grupo forte e coeso que acolha e promova ações que viabilizem a implementação de leis eficazes e a proteção das vítimas.

A mulher imigrante enfrenta uma série de desafios ao se estabelecer em um novo país. Esses variam de acordo com o país de destino, mas alguns são comuns como a barreira linguística, a adaptação cultural, a discriminação, o preconceito e a violência de gênero. Abusos físicos, emocionais, sexuais e financeiros, muitas vezes perpetuados por parceiros abusivos. Além disso, a exploração sexual, a prostituição forçada e o tráfico humano são realidades trágicas para muitas delas.

Violência de gênero, em suas várias formas, infelizmente é um dos problemas mais comuns enfrentados por mulheres imigrantes. Isso inclui abusos físicos, emocionais, sexuais e financeiros, muitas vezes perpetuados por parceiros abusivos. Além disso, a exploração sexual, a prostituição forçada e o tráfico humano são realidades trágicas para muitas delas. Eu conversei com algumas brasileiras que preferiram não se identificar Mulheres que estão vivendo situações de abuso agravadas por condições de uma vida vulnerável com pouca ou quase nenhuma assistência à saúde e atreladas a uma instabilidade financeira intensa.

Estigma social e culpa podem ser obstáculos adicionais na hora buscar ajuda, levando muitas vítimas a sofrerem em silêncio sem poder contar com suas redes de apoio familiares e sociais. Tendo latente o medo de denunciar seus agressores. Somado a isso a falta de informação do real papel do poder brasileiro no país estrangeiro. Muitas vítimas não procuram auxílio nas embaixadas e consulados por estarem ilegais no e acreditarem que serão denunciadas e deportadas.
Para combater essas violências, é fundamental aumentar a conscientização, a educação e a sensibilização.

Além disso, a criação de ambientes seguros e inclusivos para todas as mulheres, independentemente de sua origem ou situação de imigração, é essencial para erradicar esses abusos horrendos e proteger as vítimas que merecem justiça e apoio. Durante o evento, o embaixador e cônsul João Alfredo dos Anjos Junior e a cônsul-adjunta Sarah Cruz Ferraz anunciaram a criação do espaço da mulher dentro da embaixada. Um lugar onde serão promovidas ações de desenvolvimento econômico e geração de renda além de assessoria jurídica e psicológica para a mulher brasileira.

Nosso painel foi extremamente positivo, pois conseguimos nos direcionarmos na formação de um comitê com representantes de diferentes organizações que atuam no país em acolhimento às vítimas de violência, representantes do governo brasileiro, líderes do grupo local Mulheres do Brasil e articuladores brasileiros que vivem no país. A ideia é que este comitê possa elaborar os próximos passos de um trabalho em conjunto para garantir a segurança e a integridade das mulheres imigrantes, para que possam reconstruir suas vidas em um novo país longe de qualquer forma de violência.

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Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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