Cris Guterres

Cris Guterres

Só para assinantesAssine UOL
Opinião

Fim de Sandy e Lucas choca por imaginário de que casamento dura para sempre

Após 24 anos de relacionamento e 15 de casados, Sandy e Lucas Lima anunciaram o fim da vida conjugal em um comunicado conjunto nas redes sociais, na segunda-feira (25).

Até terça-feira pela manhã (26), momento em que escrevo este texto, mais de 95 mil comentários acompanham a postagem sobre o fim da relação. Um longo muro de lamentações em torno do fim. Muitas pessoas incrédulas e a maioria desejando que o casal volte a dividir a vida juntos, afirmando que casamento é para sempre.

Para quem? Quem foi que determinou que casamento bem-sucedido é o que dura até que a morte separe os noivos? Um casamento bem-sucedido é aquele em que os parceiros mantêm relacionamento saudável e respeitoso ao longo do tempo que permanecerem juntos. O que constitui um casamento bem-sucedido varia de pessoa para pessoa, pois cada casal é único, e o importante é que ambos os parceiros estejam satisfeitos e felizes com a dinâmica de seu relacionamento até que o fim os separe.

Eu sou da época em que Sandy era a garota certinha do Brasil, a imagem que as pessoas fazem de um casamento eterno para ela vem muito daquele perfil de uma jovem doce, talentosa e com uma aparência angelical que sempre foi explorado pelo marketing. Ela era vista como uma figura com a qual os jovens poderiam se identificar, uma irmã mais velha ou amiga confiável. A imagem de Sandy sempre esteve ligada a valores familiares e tradicionais. Isso incluía a ênfase na importância da família, do respeito e da moralidade. Sandy sempre reforçou essa imagem cantando músicas que abordam temas como o amor, a amizade e o relacionamento com os pais.

Por isso não me espanta as pessoas lamentarem o fim deste relacionamento, pois, no imaginário delas, casamento que deu certo é que o dura pra sempre e uma pessoa como Sandy que nunca se envolveu em escândalos ficará casada pra sempre. Mas um relacionamento amoroso depende de inúmeros fatores que vão muito além da vontade do casal em passar juntos anos a fio. São questões familiares, emocionais e profissionais que influenciam no dia a dia da família que se formou.

Falando assim até pareço muito sabida sobre o assunto, mas eu nunca casei. Não tenho experiência de vida conjugal e mais pareço uma lançadora de regras infundadas de algo que nunca vivi, mas eu acredito que é possível ter um relacionamento bem-sucedido e descobrir que acabou o "nós dois juntos" sem ter acabado o amor e o respeito que um tem pelo outro.

Bom seria terminar meus relacionamentos com racionalidade e sem brigas, mas eu não sou essa. Eu sou das pessoas que nunca mais se falam, das pessoas que criam caso, das que viram a cara, bloqueiam o nome no celular porque eu não sei lidar com finitude e mesmo eu nunca tendo me casado eu me relacionei várias vezes.

Embora eu me ache madura para tantos aspectos, para este eu não sou e não me culpo — só me abraço e admiro quem consegue. Afinal, o fim pode ser como se o casal estivesse se liberando para novas possibilidades e oportunidades, e isso pode ser emocionante. Talvez encontrem novos amores, novos interesses ou apenas um novo senso de independência.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes