Cris Guterres

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Opinião

Solitude ou solidão? Experimente o poder transformador de curtir sozinha

O que você já fez ou costuma fazer sozinha? Uma viagem, ir ao cinema, assistir a uma peça de teatro? Ou algo um pouco mais hardcore, como dançar numa balada ou tomar um drink num barzinho?

Para algumas, uma resposta positiva a esta pergunta soará corriqueira; para outras, ousada; e para muitas, ridícula e impensada. Conheço gente que não tem coragem de ir ao supermercado sozinha e eu entendo. Quando somos mulheres, são inúmeros os fatores que podem nos impedir de sermos autônomas e independentes — violência é um deles.

Estou no Recife, vim a trabalho nesta viagem e fiz questão de chegar quatro dias antes do meu compromisso para curtir um momento de descanso. Eu, eu mesma e minha companhia. Já sou uma expert em momentos de solitude, já fui para outros países em uma road trip, costumo ir ao cinema, ao barzinho, me levo pra jantar e ainda topo uma balada regada a muita dança.

Pode parecer assustador para algumas, mas na verdade existe uma experiência valiosa que você pode estar perdendo caso ainda não tenha se encorajado a se divertir com a sua melhor companhia: você.

Eu sou uma leonina raiz; independência me acompanha desde cedo. Lembro de com 12 anos ir sozinha aos treinos do Corinthians, a mais de 30 quilômetros de distância da minha casa. Mas se divertir com você mesma não é só sobre ser destemida como eu sempre fui, mas também sobre ter momentos de silêncio para entender mais sobre nós mesmas. No silêncio é mais provável entender quem somos, descobrir nossos gostos e nos encantarmos com a nossa beleza.

E vejam que eu falei sobre solitude e não sobre solidão. Solitude é a arte de estar sozinha consigo mesma e curtir cada momento disso, se você for capaz. Porque, acreditem, não é apenas sobre estar sozinha: é sobre encontrar a si mesma. Não é sobre fugir de pessoas, mas sim sobre estar comigo.

Quando decidi fazer a minha primeira viagem solo, confesso que estava nervosa. Aquela mistura de excitação e ansiedade, sabe como é? Mas assim que cheguei ao meu destino, aos poucos, as dúvidas foram desaparecendo. Eu estava no controle, livre para explorar, aprender e crescer de uma maneira que nunca teria imaginado.

Pra mim, uma das coisas mais incríveis de viajar sozinha é a oportunidade de desafiar estereótipos e preconceitos. Muitas vezes, somos julgadas e subestimadas em nossas próprias comunidades. Mas quando você está em um lugar onde ninguém te conhece, você tem a chance de se apresentar da maneira que quiser, sem rótulos ou expectativas. Além disso, quando viajamos sozinhas, estamos abertas a conhecer pessoas novas de diferentes culturas e origens. Fazemos amizades inesperadas e aprendemos a confiar em nossa intuição e habilidades. Tenho trazido como uma lição valiosa de independência e autoconfiança.

E não se trata apenas de viajar para lugares exóticos. Às vezes, uma escapada de fim de semana para um lugar próximo pode ser uma experiência transformadora. Um retiro em uma cabana na floresta, um fim de semana em uma cidadezinha charmosa ou um dia de spa em um lugar tranquilo podem ser momentos de recarregar as energias e se reconectar consigo mesma ou para as iniciantes, um cinema pode ser um momento maravilhoso.

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Então, amada, não tenha medo de abraçar a solitude de vez em quando. É um presente que você dá a si mesma, uma chance de recarregar as energias e se reconectar consigo mesma. Afinal, todas nós merecemos um tempo para sermos nossas próprias melhores amigas e aproveitar a nossa companhia de forma descontraída e leve. E se tiver coragem de se aventurar me conta mais, vamos dividir as nossas experiências juntas.

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.

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