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Atitude do CBLOL Academy é alento às mulheres e recado à sociedade

CBLOL Academy teve seis mulheres no casting - Bruno Alvares/Riot Games
CBLOL Academy teve seis mulheres no casting Imagem: Bruno Alvares/Riot Games
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Leo Bianchi

Leo Bianchi é jornalista, já foi repórter e apresentador do Globo Esporte. É apaixonado por competição e já cobriu Copa do Mundo, Fórmula 1, UFC e mundiais de CS:GO, R6, FIFA, Just Dance e Free Fire. Também é youtuber e pro-player frustrado. No GGWP você encontra análise dos cenários competitivos no Brasil e no mundo, além dos bastidores do universo envolvendo times, jogadores e novidades em geral.

Colunista do UOL

12/03/2022 04h00

A chegada do 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, sempre desperta discussões na internet sobre o despreparo geral da sociedade para entender que se trata de uma data que marca a necessidade da luta diária contra o machismo e a misoginia. Um dia de reflexão. No esporte eletrônico, uma ação do Campeonato Brasileiro de League of Legends, em sua divisão Academy, mostrou a importância da representatividade - e como muitos fãs ainda não têm em mente o tamanho do caminho traçado para chegar aos dias de hoje.

A repercussão foi, em sua maioria, positiva. Porém, alguns fãs traçaram um infeliz comparativo com uma ação promovida pelo McDonalds, em 2018, quando a rede de restaurantes anunciou que apenas mulheres trabalhariam no local durante o 8 de março. Há diversos pontos que diferenciam as duas iniciativas. E passa muito pelo simbolismo de profissionais do sexo feminino ocupando lugares que até pouquíssimo tempo não lhes pertenciam.

Pare e pense: quantas mulheres você já viu sentadas em uma bancada de esporte eletrônico comentando ou, ainda mais raro, narrando uma partida - de qualquer modalidade? Evoluímos muito de tempos para cá, mas é necessário entender: subimos degraus que deveríamos ter subido no começo do cenário, e não agora. No próprio CBLOL, à exceção da reportagem, o casting ganhou mulheres somente no início do ano passado.

Quando Fogueta, Lahgolas, Tabs, Rafa Tomasi, Ravena e Liz ocuparam aquele palco, não só uma imagem histórica foi instantaneamente construída, quanto uma fonte de inspiração surgiu. Faça um exercício e, se você não estiver nesta condição, se imagine mulher, jovem e sonhando viver de Esports. Imagine o que significa sintonizar a transmissão e ouvir as vozes de seis mulheres provando que é possível, que dá para chegar lá. Se você não vê valor ou significado, volte algumas casas na própria consciência.

A thread abaixo, de Juliana Alonso, explica, com riqueza de detalhes e, o mais importante, lugar de fala, porque querer achar um problema na escalação de seis mulheres no casting de Esports durante o 8 de março é sinônimo de focar no aspecto errado. A brilhante frase a seguir é um resumo perfeito: "Elas, estando lá, são como um grande outdoor escrito 'acredite nos seus sonhos'."

Resistir, ocupar e inspirar. Ainda atendo-se à Riot, temos mulheres nos três jogos competitivos da empresa no Brasil - estendendo do LoL para o VALORANT e o Wild Rift. O mesmo equivale para o Rainbow Six Siege, da Ubisoft. Para o Free Fire, da Garena. Não existe desculpa. Representatividade é uma obrigação de toda e qualquer publisher. Basta garimpar, que os talentos estão espalhados pelo Brasil.

Quando se encaminharam ao palco do CBLOL Academy na última terça-feira, as seis casters não foram substitutas que deixaram homens de folga. Foram embaixadoras de sonhos. Catalisadoras de objetivos a curto, médio e longo prazo. Que um dia tudo isso, que deveria ser o básico, vire o normal, e não precisemos explicar o básico. E que a disposição do 8 de março se espalhe pelos 365 dias, sob um ciclo de constante evolução.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL