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Luciana Bugni

Lembra do menino do banquinho? Videocassetada com Faustão é memória da TV

Menino do banquinho: a videocassetada mais pedida da história - Reprodução/ YouTbe
Menino do banquinho: a videocassetada mais pedida da história Imagem: Reprodução/ YouTbe
Luciana Bugni

Luciana Bugni é gerente de conteúdo digital dos canais de lifestyle da Discovery. Jornalista, já trabalhou na "Revista AnaMaria", no "Diário do Grande ABC", no "Agora São Paulo", na "Contigo!" e em "Universa", aqui no UOL. Mora também no Instagram: @lubugni

Colunista do UOL

17/06/2021 17h36

Tenho uma memória permanente de um garoto em uma festa infantil, assustado com uma cena de teatro de fantoches. Ele se desespera e bate o banquinho que estava em sua frente na própria cabeça sucessivas vezes. Contando assim, parece um desastre, mas eu estou rindo enquanto escrevo.

Na cena seguinte, não satisfeito e ainda desesperado ou empolgado com o que estava assistindo no palco, ele parte para o garoto ao lado, que parece ser seu irmão. E começa a bater o banquinho na cabeça do companheiro.

A cena era videocassetada recorrente que virou hit na minha casa no fim dos anos 80, começo dos 90. Eu e meu irmão gritávamos um para o outro, aos domingos, quando percebíamos que a produção ia repetir esse video. "O menino do banquinhoooooooo". Era uma farra.

Num pesquisa rápida, eu revejo na internet hoje o garoto do banquinho. Faustão narra a cena no Youtube, e conta que era a mais pedida da história das videocassetadas. José Tarcísio de Moraes deve ter seus 30 e tanto hoje. Cearense, estava comemorando o próprio aniversário de 5 anos, quando algum tio sacana ou outro convidado sacou sua reação na plateia do teatrinho. Aliás, que festão hein, Tarcísio? Sinto uma nostalgia gostosa ao revisitar esse momento.

Memecassetada

Videocassetada é o precursor do meme. Ambos são uns vídeos sem graça de pessoas desconhecidas fazendo coisas absolutamente ordinárias. Podia ser minha tia. Podia ser meu vizinho. Mas é uma pessoa que não conheço caindo de um escorregador ao contrário, pelo lado da escada - isso no caso da videocassetada. Ou uma criança debochando de alguma comida — no caso do meme. Um não depende de som, mas a sonoplastia ajuda a maximizar as pancadas; o outro normalmente funciona melhor em seu país de origem quando tem áudio. Mas o Dimitri por exemplo, fala um idioma que eu não sei qual é, porém conversa na língua universal do #sextou. Nos entendemos muito bem.

Videocassetada violenta nunca foi a minha praia. Tenho aflição de rir de gente que toma tombo feio imaginando que podem ter avariado a coluna ou fraturado o coccix. Já passei por isso: não desejo para ninguém escorregar na cairpirinha. Mas até hoje, quando se fala nesse tombo que tomei, as pessoas que estavam presentes riem.

Rir da videocassetada é o limite máximo de rir da desgraça alheia. Se o video está ali, presume-se, a pessoa atingida está bem. O menino do banquinho não deve ter quebrado o próprio nariz nem o do irmão. A saia da senhora que levantou não é um drama tão grande.

Videocassetada é ok, rir da tragédia que virou o país não é — acho que esse é um bom termômetro. Quando o nível piada tiozão passa do limite.

Rir do outro é legal desde que o outro concorde e não seja preconceituoso. Se alguém filmou meu tombo na minha festa, portanto, está autorizado a rir. Doeu, sim, mas foi engraçado mesmo. O próprio menino do banquinho, eu li em uma matéria do Jornal O Povo, até usou a sua autovideocassetada como tática de xaveco com uma moça. E depois casou com ela.

Rir de si mesmo é saudável. Deixa a vida mais leve. Mas rir da pandemia e zombar do Covid, por exemplo, não tem cabimento.

Você pode discordar de mim no Instagram. Mas não me venha dizer que o menino do banquinho não tem graça. Aí já é demais.

PS: Pensar no Domingão sem Faustão causa estranheza. Videocassetada mexia com o público e tenho memórias boas da gargalhada do meu pai. Dança dos Famosos é um acontecimento. E já pensei várias vezes o que falaria no Arquivo Confidencial de algum amigo talentoso. Pois é. Que chatice acabar com 30 anos de tradição sem nem uma despedida. Fausto Silva é educassímo, sabido e cheio de opinião. Tenho boas memórias das coberturas de festas dos filhos dele em buffets pela Contigo! Jornalista ganhava até salgadinho quentinho! Que seja um período de muito sucesso na Band. Tem talento para mais muitas décadas de boas memórias.