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Hotel só para gatos em São Paulo abriga pets na ausência dos tutores

Amanda (à dir.) e Carol, proprietárias da Casa do Gato, com seus hóspedes - Fernando Moraes/UOL
Amanda (à dir.) e Carol, proprietárias da Casa do Gato, com seus hóspedes
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Juliana Finardi

Colaboração para Nossa

19/01/2022 04h00

Imagine um hotel com suítes, área de lazer, natureza, entretenimento e monitoramento 24 horas através de câmeras de segurança. Essa seria mais uma descrição comum de um resort qualquer não fosse pelo fato de que o local tem nichos ao invés de camas, caixinhas de areia ao invés de banheiros e hóspedes gatos ao invés de humanos.

Idealizado pelas amigas Amanda Santos, 30 anos, e Carolina Neves, 36, a Casa do Gato, em São Paulo, é um hotelzinho exclusivo para os felinos que precisam ficar longe do próprio lar por algum tempo e derruba conceitos antigos de que gato não é sociável, nem gosta de ficar longe de casa.

"Tornar essa experiência de sair de casa relaxante e divertida é o nosso maior desafio", diz Carolina, que antes de empreender no hotelzinho, já trabalhava como cat sitter há 14 anos, além de outras experiências pelo mercado pet.

Amigas Amanda e Carol criaram hotel exclusivo para gatos  - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Amigas Amanda e Carol criaram hotel exclusivo para gatos
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Em sua maioria voltada para cães, as hospedagens, de acordo com as sócias, deixavam a desejar quando se tratava dos bichanos.

Hoje em dia vemos tanta coisa sendo feita pelos cães no mundo comportamental, por que não fazer o mesmo com gatos e pensar em um espaço onde possam explorar seus instintos, mesmo que o período de adaptação seja um pouco mais demorado?", questiona Amanda.

Hospedagem tem tempo mínimo

O tal período de adaptação a que Amanda se refere costuma durar três dias, tempo mínimo permitido para a hospedagem exatamente por esse motivo. De acordo com ela, é depois desse período que os gatinhos se sentem confortáveis em suas suítes e começam a explorar a área externa da casa.

Amanda e Carol, proprietárias da Casa do Gato - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Amanda e Carol, proprietárias da Casa do Gato
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Além das suítes (7 ao todo) com nichos, tocas e arranhadores, que os gatinhos costumam aproveitar na madrugada, os felinos e suas "famílias" hospedadas são convidados diariamente para um passeio na área externa, protegida com telas, onde encontram árvores para afiar as unhas, plantinhas para comer e um espaço ensolarado para correr e rolar pelo chão.

Cada um, que durante a hospedagem só convive com os membros de sua própria casa, fica solto pelo tempo que desejar e volta por conta própria para suas acomodações.

É uma rotina totalmente diferente da comum em casa e, ao mesmo tempo em que é legal ter mais atividades, também é muito importante que eles possam descansar e dormir as muitas horas que todo gatinho precisa", diz Amanda.

As duas se revezam em turnos presenciais para os cuidados com alimentação, higiene e entretenimento, além de acompanharem os momentos de descanso dos hóspedes através do monitoramento interno por câmeras de segurança.

Casa do Gato garantem estadia controlada e hóspedes passam por "processo seletivo" - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Casa do Gato garantem estadia controlada e hóspedes passam por "processo seletivo"
Imagem: Fernando Moraes/UOL

"Mais de 90% dos hóspedes já são nossos clientes de cat sitting ou foram adotados conosco. E essa familiaridade torna a hospedagem muito mais legal", afirma Amanda, que deixou de lado a carreira de publicitária para dedicar-se exclusivamente ao 'hobbie' que mantinha há mais de 10 anos, quando disponibilizava sua casa como lar temporário para gatinhos em processos de adoção.

"Processo seletivo"

Uma entrevista para entender sobre o comportamento dos gatinhos faz parte do que elas chamam de pré-hospedagem. É nesse momento que as meninas tomam conhecimento do histórico de saúde de cada pet.

Amanda e Carol também prestam serviço de cat sitter - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Amanda e Carol também prestam serviço de cat sitter
Imagem: Fernando Moraes/UOL

"A gente já tinha em mente todas as impossibilidades do nosso modelo de negócio e que não seria qualquer gato que estaria apto a se hospedar. Temos um processo seletivo comportamental antes das reservas, além de ferramentas que usamos por lá para que eles se sintam em casa com mais facilidade", explica Amanda.

Foi exatamente durante a tal entrevista que a relações públicas Leonora Garcia, 28 anos, explicou para Amanda e Carolina que os simpáticos Ralph e Simba ficariam na hospedagem apenas pelo período de duas semanas.

Leonora com um de seus gatinhos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Leonora com um de seus gatinhos
Imagem: Arquivo pessoal
Gatinho de Leonora Garcia - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Gatinho de Leonora Garcia
Imagem: Arquivo pessoal

Mal sabia ela que naquele fatídico início de 2020 (começo da pandemia do coronavírus), as duas semanas se transformariam em, pasmem, seis meses de estadia dos felinos na Casa do Gato. No início de 2020, a tutora foi para o interior do Paraná ficar com os pais. "Acreditei que seriam só duas semanas, mas o cenário foi mudando".

Ela também afirma que, apesar da saudade dos bichinhos, saber que eles ficaram bem assistidos em um local seguro foi o que a tranquilizou. "Eu recebia notícias todo dia, além de fotos e vídeos", conta.

É muito interessante ver que eles retornam para casa e ao invés de pedirem carinho e colo, como sempre pedem, não estão nem um pouco irritados ou estressados, coisa que aconteceria se eu os deixasse pelo mesmo período só sob os cuidados de uma cat sitter em casa."

Cat sitter ou hospedagem: como escolher

Hospedagem não é para todos os gatos: saiba como escolher - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Hospedagem não é para todos os gatos: saiba como escolher
Imagem: Fernando Moraes/UOL

É o temperamento do gatinho que determina, de acordo com as sócias, se o tutor deve optar pela hospedagem ou pelo serviço de cat sitter em casa.

Situações que podem colocar o gatinho em risco, como uma dedetização no ambiente, por exemplo, ou que possam estressar e causar muito medo como reformas e mudanças de casa, além de longos períodos de ausência dos tutores também são indicativas de que a hospedagem é a melhor decisão.

Nos períodos de viagem mais longos, a influencer de moda Lu Tranchesi, 32 anos, deixa seus gatinhos Nero e Pininha hospedados na Casa do Gato.

"Tenho certeza do bem-estar deles, recebo vídeos e fotos todos os dias. Isso sem contar que o ambiente é inteiro pensado para gatos e eles curtem tanto que voltam mimados", diz ela, ao também afirmar que nas viagens mais curtas, conta com o serviço de cat sitter em casa mesmo.

Lu Tranchesi e um dos gatos - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Lu Tranchesi e um dos gatos
Imagem: Reprodução/Instagram
Os gatinhos de Lu Tranchesi - Reprodução/Instagram - Reprodução/Instagram
Os gatinhos de Lu Tranchesi
Imagem: Reprodução/Instagram

Amanda explica que os mimos a que Lu se refere são alguns itens que os bichanos conhecem durante a hospedagem e que acabam ganhando de presente.

Aqui eles demonstram comportamentos que nem os tutores conhecem. Perdem peso de forma saudável, melhoram questões relacionadas ao estresse, passam a ter mais confiança na comunicação e até ao toque dos tutores."

Nas redes sociais (@catitude.catsitter e @consultoriapet, além do próprio @casadogatosp, no Instagram), Amanda e Carol mantêm uma espécie de ´catflix', com entretenimento garantido para tutores e para quem gosta de assistir às peripécias dos bichanos que cuidam na hospedagem ou em suas próprias casas.

Durante as festas de fim de ano, o hotelzinho manteve como hóspedes 15 gatinhos de sete famílias divididos entre as suítes da casa (uma para cada família).

Na pandemia, Casa do Gato foi bastante requisitada entre tutores de gatos - Fernando Moraes/UOL - Fernando Moraes/UOL
Na pandemia, Casa do Gato foi bastante requisitada entre tutores de gatos
Imagem: Fernando Moraes/UOL

Isso tudo sem contar os cerca de 80 felinos que as duas sócias e uma equipe de cuidadores costumam atender diretamente nas residências nos períodos de festas/férias.

Aumentou demais principalmente na pandemia. A cada ano que passa, tenho de aumentar a equipe para poder atender todo mundo e ainda assim tem gente que fica sem vaga", conta Amanda.

Uma diária no hotel se inicia em R$ 150 podendo chegar até a R$ 200 nos períodos de festas. Para cada gatinho adicional, é acrescido ao valor a diária de R$ 50.