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De gripe a dores articulares: conheça as doenças de inverno de cães e gatos

Inverno é sinônimo de doenças e cuidado redobrado com cães e gatos - Getty Images/EyeEm
Inverno é sinônimo de doenças e cuidado redobrado com cães e gatos
Imagem: Getty Images/EyeEm

Juliana Finardi

Colaboração com Nossa

08/06/2021 04h00

Quem tem pet em casa pode pensar que um cobertor quentinho e uma casinha abrigada do frio bastam para garantir a saúde e bem-estar do animalzinho durante o inverno. É preciso mais. As temperaturas baixas somadas ao tempo seco típico da estação mais fria do ano podem trazer ou agravar doenças respiratórias, articulares e dermatológicas em cães e gatos.

Tosse, secreção nasal, olhos lacrimejantes e falta de apetite são alguns dos sintomas, inclusive os que passam a maior parte do tempo dentro de casa, como explica a veterinária da DrogaVET, Alessandra Farias.

"Mesmo tendo a temperatura corporal mais elevada que a nossa, em torno de 38,5 a 39,5 graus, a pelagem dos pets não é suficiente para mantê-los aquecidos durante esse período. É mito achar que eles não sentem frio, sejam filhotes, cães idosos ou com pelagem longa ou curta", diz.

O hábito de permanecer em ambientes fechados aliado ao tempo seco é a receita ideal para o surgimento dos problemas respiratórios, como afirma Bianca Bennati, veterinária da SPet junto a Cobasi São Bernardo Faria Lima.

Ter uma casa quentinha nem sempre é tudo o que seu pet precisa neste inverno - Getty Images - Getty Images
Ter uma casa quentinha nem sempre é tudo o que seu pet precisa neste inverno
Imagem: Getty Images

Segundo a profissional, também há um aumento das doenças articulares e crises de dor em virtude do frio. Problemas de pele e pelo podem acontecer pela falta de hidratação da barreira cutânea e pela falta ou excesso de banho em determinadas raças de cães. No inverno também podemos ver uma piora nos quadros renais ou aparecimento de novos casos devido a desidratação.

Gripe canina

No caso dos cães, uma das principais doenças de inverno é a gripe canina, mais conhecida como "tosse dos canis". De acordo com Alessandra, os sintomas são tosse, espirros, secreção nasal e falta de apetite.

É necessário observá-los logo no início, já que a gripe nos cães se assemelha muito a engasgos. Em alguns casos, quando a tosse é muito forte, podem ocorrer até vômitos com aspecto de espuma, pois os pacientes podem entrar em crises de tosse devido à piora do quadro."

Gripe canina é uma das doenças mais frequentes no inverno - Getty Images - Getty Images
Gripe canina é uma das doenças mais frequentes no inverno
Imagem: Getty Images

O tratamento é feito com imunoestimulantes, anti-inflamatórios, antitussígenos e antibióticos para o caso de bactérias associadas. Mas, nada como prevenir o problema e evitar o sofrimento dos pets.

Para os casos de gripe, a melhor maneira de prevenção é manter a imunização em dia. "As vacinas atuais no mercado não evitam que os animais adquiram a doença, mas diminuem os sintomas. Com isso, a capacidade de transmissão é menor", afirma Bianca.

De acordo com a veterinária, outra forma de prevenir é evitar a aglomeração de diversos animais em espaços pequenos e pouco ventilados, onde os pets dividem o mesmo pote de água, comida e brinquedos.

Rinotraqueíte em gatos

Para os gatos, o frio pode provocar uma queda no sistema imune, já que o organismo está "mais voltado" para a manutenção da temperatura corporal. Segundo Vanessa Zimbres, especialista em felinos da clínica Gato é Gente Boa, de Itu, a doença mais comum é a gripe ou resfriado dos gatos, também chamada de rinotraqueíte.

"Esse complexo respiratório é causado principalmente por vírus, o herpes vírus felino, o calicivírus e a clamídia, que é uma bactéria. Tem também uma outra bactéria oportunista, que é a bordetella, que se aproveita do quadro inflamatório do sistema respiratório para trazer complicações como uma infecção secundária", diz.

Imunidade baixa é entrada para doenças de inverno em gatos - Getty Images - Getty Images
Imunidade baixa é entrada para doenças de inverno em gatos
Imagem: Getty Images

Ela também explica que quando os gatos contraem esses vírus, eles não são mais eliminados. Então, permanecem em uma forma latente e, no caso de uma queda de imunidade, podem manifestar os sintomas, que são coriza, espirros, congestão nasal. Alguns animais também podem apresentar febre e falta de apetite.

A prevenção, de acordo com a especialista, é a vacina mesmo para gatos que nunca saem de casa.

São vírus altamente contagiosos. Por isso, orientamos os tutores a sempre revacinar os gatinhos todos os anos. Apesar de não proteger contra a infecção — o gato vacinado pode contrair o vírus —, defende o organismo da doença, já que ela ensina o sistema imune a controlar melhor os sintomas."

Protegê-los do frio com roupinhas é aconselhável apenas se eles aceitarem, já que não é qualquer felino que fica à vontade ao usar.

"Se os gatos tolerarem e estiverem expostos a ambientes mais frios, não tem problema, pode colocar roupinha sim. Lembrando que se as doenças estão relacionadas a imunossupressão, não podemos estressar o gato", afirma Vanessa. Ela diz que a temperatura ideal de conforto do ambiente para o gato é de 25 a 30 graus.

Se seu gato tolerar, roupinha é de grande ajuda no inverno - Getty Images - Getty Images
Se seu gato tolerar, roupinha é de grande ajuda no inverno
Imagem: Getty Images

Mais dores nos velhinhos

É nessa época do ano que os felinos podem sofrer com problemas de obesidade e os mais velhos, desconforto articular.

Vanessa explica que uma vasoconstrição faz com que haja menor circulação de sangue e, consequentemente, de células de defesa. No caso da artrite, o animal acaba sentindo mais o quadro inflamatório justamente por essa diminuição da circulação.

"Sobre a obesidade, como no frio eles ficam mais dentro de casa, acabam poupando energia e alguns tendem a acumular mais peso", explica.

Questão de pele e pelo

No frio, menos hidratados, cães e gatos sofrem com problemas de pele - Getty Images - Getty Images
No frio, menos hidratados, cães e gatos sofrem com problemas de pele
Imagem: Getty Images

Problemas de pele podem acometer cães e gatos diante da estação mais fria e seca do ano. De acordo com a dermatologista veterinária e gerente de produtos da Soft Care, da Pet Society, Salua Carolina Cataneo, o fato de os pets apresentarem uma pele bem mais fina do que a humana, os torna muito mais sensíveis a alterações de temperatura.

Com o ressecamento, coça muito, o que acaba levando as bactérias das unhas para a pele, causando doenças.

Salua também explica que as infecções bacterianas e fúngicas se agravam no período de frio porque os tutores evitam ou diminuem os banhos dos pets. "Então, aquela camada mais superficial da pele acumula maior concentração de bactérias que podem ir para as camadas mais profundas."

Uma rotina diária de cuidados relacionados a reposição hídrica nestes animais é a indicação da dermatologista para evitar os problemas de pele. "Existem no mercado produtos que conseguem devolver a água à pele. Ao mesmo tempo, é possível diversificar a microbiota da pele fazendo com que ela seja composta por mais bactérias boas", afirma.

Mesmo no inverno, o sol também pode fazer mal aos pets, já que a exposição é maior nesta época do ano.

Solzinho faz bem para os pets, mas deve ser controlado também no inverno - Tristan Manchester / EyeEm - Tristan Manchester / EyeEm
Solzinho faz bem para os pets, mas deve ser controlado também no inverno
Imagem: Tristan Manchester / EyeEm

"Se tiver um cantinho de sol, é onde os cães e gatos ficarão. Porém, ao contrário de nós, eles não suam pela pele e não conseguem estabelecer uma termorregulação. No inverno, ficam ainda mais expostos ao sol e há altos índices de queimaduras solares, que podem vir a ser um tumor", diz Salua. Proteção solar e hidratação são as dicas da veterinária para os dias de inverno.

O coronavírus neles

Figurando entre os piores pesadelos de qualquer tutor, a cinomose e o coronavírus entérico canino também ocorrem mais durante o inverno.

"O coronavírus é inativado com o calor e também com o uso de alguns desinfetantes. Porém, no inverno fica potencialmente mais infeccioso porque está a baixas temperaturas e sobrevive melhor no tempo frio. A cinomose segue a mesma linha do coronavírus. Como se trata de um vírus que consegue ficar mais tempo no ambiente nesta época do ano, também é mais infeccioso", diz Alessandra Farias.

No caso do coronavírus, os sintomas são: diarreia intensa, perda de apetite, vômito, desidratação, aumento de temperatura corporal, tremores e apatia, lembrando que esse vírus não é o mesmo que causa a covid-19 em humanos.

Coronavírus e cinomose são doenças que apavoram tutores e pets no inverno - Getty Images - Getty Images
Coronavírus e cinomose são doenças que apavoram tutores e pets no inverno
Imagem: Getty Images

Quanto à cinomose, vômito, febre, perda de apetite, dificuldades motoras e respiratórias, perda de equilíbrio, apatia, fraqueza, tosse, contrações musculares involuntárias e convulsões são os sinais de alerta.

A prevenção de ambos, de acordo com Alessandra, é a vacinação e a visita regular a um médico veterinário. "Nós vemos o hábito de o tutor só procurar o veterinário quando o paciente está doente, mas check-ups são interessantes pelo menos uma vez a cada seis meses ou uma vez ao ano."