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Quesada chama fusão de Fox e ESPN de "mentira" e cobra ação do governo

O jornalista Leandro Quesada, recentemente demitido do Fox Sports - Divulgação / Fox Sports
O jornalista Leandro Quesada, recentemente demitido do Fox Sports Imagem: Divulgação / Fox Sports

Leandro Miranda e Vanderlei Lima

Do UOL, em São Paulo

15/12/2020 10h39

O jornalista Leandro Quesada não recebeu nada bem a decisão do grupo Disney de demiti-lo dos canais Fox Sports, há uma semana. Em entrevista ao UOL Esporte, o comentarista chamou de "mentira" a fusão entre os canais Fox Sports e ESPN, acusou a Disney de não cumprir contratos e cobrou um posicionamento do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão do governo que autorizou a fusão em maio.

Quesada estava no grupo Fox desde 2016, quando deixou a Rádio Bandeirantes depois de 21 anos. Ele assinou inicialmente um contrato até 2019, que foi posteriormente renovado até janeiro 2022. Entretanto, o grupo Disney decidiu desligá-lo na semana passada.

"Eu não pensei realmente que essa gestão da Disney, que é uma gigante, fosse tão bagunçada, tão amadora, tão vil, que não levantou essa falta de conhecimento dos executivos da ESPN sobre as qualidades, histórico, as funções dos profissionais do Fox Sports. Foi um despreparo realmente gigantesco", disse Quesada.

Procurada pelo UOL Esporte, a Disney afirmou que não se manifestará sobre o caso e emitiu apenas um comunicado geral sobre a reestruturação nos canais ESPN e Fox Sports, reproduzido na íntegra ao fim desta reportagem. A reportagem apurou que o prejuízo financeiro do Fox Sports nos últimos dois anos, os salários mais altos que a média da ESPN e a não-aceitação da cláusula de exclusividade de alguns profissionais que não tiveram seus contratos renovados pesaram na decisão da Disney.

Na visão de Quesada, o processo de fusão não respeitou as normas colocadas pelo Cade ao aprovar o negócio. "Não foi uma fusão, foi uma confusão. Não teve ressalva, observação nenhuma do Cade até agora, eu não vi o Cade se manifestar, que é o conselho que aprovou essa fusão. Primeiro aprova a fusão, cria diretrizes e regras para o processo, depois fica em silêncio com essas demissões em massa", avaliou.

Segundo apuração do UOL Esporte, na aprovação pelo conselho da fusão da ESPN e Fox Sports após a aquisição da Disney não existe um ponto especifico sobre demissões e rescisões contratuais. No documento, o Cade afirma que "permite-se a integração comercial, administrativa e operacional da Fox Sports Brasil com a TWDC (The Walt Disney Company), em todos os seus aspectos, incluindo operações e aquisições de direitos esportivos, visando ganhos de eficiência, redução de custos e equilíbrio econômico-financeiro".

"Essa fusão foi uma mentira"

O jornalista também afirmou que o processo decisório sobre as demissões após a fusão ficou concentrado apenas nas mãos de executivos da ESPN e que a quantidade de profissionais do Fox Sports que tiverem seus contratos encerrados foi desproporcional. Ele disse que os funcionários haviam recebido garantias internas de que os contratos mais longos seriam respeitados até o fim, o que não aconteceu.

"Não passou de uma promessa enganosa, porque a concentração de poder dentro da fusão ficou apenas em uma rede. Era para ser Fox/ESPN nesse processo, que é o que disseram, mas no final das contas a cabeça que dominou e comandou tudo foi da ESPN. E aí a gente observa que os cortes dos profissionais foram radicalmente exagerados de um lado, do lado do Fox Sports, disse.

"Nos discursos era alimentado o mantra "o Grupo é uma única família". Família desunida, só pode ser", completou Quesada.

Pelo menos 34 funcionários dos canais Fox Sports saíram do grupo desde a fusão. "Eu gostaria muito que o governo brasileiro desse uma espiada nesse processo", disse Quesada. "Esse processo de fusão foi uma mentira, eu estou cobrando o Cade. Não teve fair play nenhum nessa fusão, foi 'na canela'".

A reportagem também pediu um posicionamento do Cade, que não respondeu até o fechamento desta matéria. No fim da noite de ontem, o UOL Esporte apurou que a entidade, após as denúncias, enviou um ofício para a Disney solicitando informações detalhadas sobre o processo de fusão.

O posicionamento da Disney

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