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Por que Disney decidiu cortar nomes do Fox Sports em fusão com ESPN

Alguns integrantes do "Fox Sports Rádio" deixaram o grupo Disney recentemente - Reprodução/Fox Sports
Alguns integrantes do "Fox Sports Rádio" deixaram o grupo Disney recentemente Imagem: Reprodução/Fox Sports

Gabriel Vaquer

Do UOL, em Aracaju

15/12/2020 04h00

Nas últimas semanas a Disney promoveu um desmanche no Fox Sports, com a retirada de programas e a dispensa de profissionais. O grupo evita falar publicamente sobre as mudanças, mas internamente a chefia tem o discurso na ponta da língua na hora de explicar as decisões. Os executivos apontam o prejuízo financeiro do Fox Sports, principalmente após a Copa do Mundo de 2018, os salários mais altos que a média da "TV irmã" ESPN e a não-aceitação da cláusula de exclusividade por parte de alguns dos profissionais como os motivos do desmanche atual.

As informações desta reportagem foram levantadas com conversas entre executivos da empresa nos últimos dias. Item por item, o UOL Esporte percorre os motivos apontados pela empresa para os cortes recentes.

1) Direitos foram mantidos e Fox Sports ganhou Premier League, NFL e outros

Na ata de aprovação da fusão, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) dizia apenas que a Disney deveria manter o Fox Sports funcionando até janeiro de 2022. Para isso, a Libertadores teria que ser exibida totalmente no canal até lá. Para manter o canal "em alta", a Disney também entendeu que deveria colocar torneios importantes para preencher a grade, como a Premier League (Campeonato Inglês), a NFL (futebol americano) e a La Liga (Campeonato Espanhol).

Em contrapartida, a Disney determinou o fim de programas da casa. Saíram do ar, somente neste segundo semestre, atrações como "Central Fox", "A Última Palavra", "Jogo Sagrado", "Aqui com Benja", "Bom Dia Fox", "A Última Palavra" e "Giro Fox". Ou seja, a Fox virou um canal de eventos.

Segundo a imprensa americana noticiou no período de compra da Fox pela Disney, os canais esportivos não eram o foco do grupo. Os canais esportivos da Fox na América Latina entraram no negócio como uma parte da conversa, e não como uma prioridade de investimentos. O objetivo era ter os estúdios de cinema da Fox para incrementar o Disney+, plataforma de streaming recentemente lançada pela companhia.

2) Prejuízo financeiro acumulado do Fox Sports

Outra alegação da Disney para essa redução da operação do Fox Sports são os custos. Em junho passado, o UOL Esporte noticiou que a Disney estava pegando a emissora esportiva com um déficit milionário - aproximadamente, R$ 120 milhões. O fato foi agravado após a Copa de 2018.

Sem conseguir um retorno financeiro que pagasse os gastos, por não conseguir fechar todos os pacotes de patrocínio da cobertura na Rússia, a Fox demitiu em meio ao Mundial seu vice-presidente comercial, Arnaldo Rosa, por não atingir as metas previstas. Além disso, o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que a empresa poderia encontrar um equilíbrio econômico-financeiro, se quisesse, na aprovação do acordo. É nessa tese que a Disney se baseia para cortar os gastos.

3) Falta de comprador

Desde 2018, atendendo pedido do Cade, a Disney tenta achar um comprador para o canal esportivo, segundo afirmou o próprio órgão no julgamento da situação, em maio. Entre os possíveis compradores, figurou a espanhola Mediapro, dona de direitos como os jogos fora de casa da seleção brasileira nas eliminatórias da Copa e do Campeonato Espanhol. Ao ver o tamanho da dívida, considerada impagável a médio e longo prazo, houve desistência. A Rio Motorsports também se mostrou interessada, mas o Cade não viu nenhuma proposta concreta sobre o assunto.

4) Salários nas alturas

A Disney fez uma auditoria para saber quanto ganhavam nomes da ESPN e Fox Sports. A diferença assustou executivos americanos, segundo apurou a reportagem. Na média, alguns profissionais do Fox Sports chegavam a ganhar três vezes mais que um nome, na mesma função, que trabalhava na ESPN.

5) Exclusividade passou a ser uma exigência da Disney

Desde a fusão, os profissionais passaram a participar de programas dos dois canais. Na renovação da maioria dos contratos, a Disney exigiu uma cláusula de exclusividade em todas as mídias - ou seja, os profissionais sequer poderiam ter um canal no YouTube. Uma parte aceitou, mas outra recusou e reclamou. O caso mais concreto foi de Benjamin Back, que não aceitou a proposta e deixou a empresa para ficar trabalhar no SBT e em outros projetos.

6) Disney adiou a reformulação por causa da pandemia

No planejamento inicial para a reformulação, feito no início do ano, a ideia da Disney era que, se aprovada a fusão ainda no primeiro semestre de 2020, a integração de equipes e dispensa de profissionais deveria acontecer em setembro. Porém, com a pandemia do novo coronavírus, o fato foi adiado até dezembro, último mês válido dos vínculos com a maioria dos empregados.

7) Cláusula do Cade

A ata de aprovação da fusão indica que a Disney poderia fazer o que fez recentemente. No documento, o Cade afirma que "permite-se a integração comercial, administrativa e operacional da Fox Sports Brasil com a TWDC (The Walt Disney Company), em todos os seus aspectos, incluindo operações e aquisições de direitos esportivos, visando ganhos de eficiência, redução de custos e equilíbrio econômico-financeiro".

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