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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Mauro: Simeone talvez vire isso, incapaz de fazer o time jogar diferente

Do UOL, em São Paulo

25/02/2021 04h00

Classificação e Jogos

O Atlético de Madri lidera o Campeonato Espanhol, mas na Liga dos Campeões saiu em desvantagem no primeiro jogo diante do Chelsea ao perder por 1 a 0, com gol de bicicleta do francês Giroud, em partida com poucas oportunidades criadas e uma postura defensiva do time comandado pelo argentino Diego Simeone, tentando deixa a definição para a volta.

No Fim de Papo, live pós-rodada do UOL Esporte, Mauro Cezar Pereira afirma que talvez o repertório de Simeone seja limitado a isso, com um futebol mais pragmático, mesmo com o seu time tendo demonstrado capacidade para ir além na qualidade do jogo.

"Talvez ele vire isso, um técnico com essa característica, incapaz de fazer o time jogar de outra forma. Agora, pela qualidade de alguns jogadores, de fato a gente vai ter sempre essa expectativa, de que consiga fazer o time jogar de outra maneira, em jogos em que eventualmente você observa que o time precisa de algo mais, que a proposta do time tem que ser outra, mas parece mais forte do que ele e talvez seja uma incapacidade dele mesmo, como técnico, de não saber fazer, talvez ele só saiba treinar o time daquela forma, o que não é pouco, claro", diz Mauro Cezar.

"Ele consegue realmente muitas vezes com elencos inferiores competir, dificultar e superar times teoricamente mais fortes, mas me decepciona um pouco, porque eu gostaria de ver o mix do Simeone motivador, que tira dos jogadores mais do que você imagina que eles possam apresentar, mas jogando um futebol diferente desse ultra pragmático em alguns casos que o caracteriza, mas talvez seja a característica dele, que ele não consiga mudar, e talvez não tenha condições de fazer", completa.

Julio Gomes afirma que o intriga a forma como Simeone praticamente abdicou de jogar e tentar abrir vantagem no primeiro jogo do confronto ao mesmo tempo em que o Atlético de Madri sob o seu comando consegue fazer boas partidas no Campeonato Espanhol.

"Até lembrando um pouco o que o Klopp falou depois da eliminação do ano passado, teve um chororô do Klopp, mas tinha sentido, tem jogador de muito talento ali no meio de campo, João Felix desabrochando, Luis Suarez, o Atlético faz alguns jogões na Espanha e até na Champions, e aí, por que o Simeone resolve jogar por um 0 a 0, quer dizer, o que acontece com o Simeone? Eu sou fã do Simeone, mas o que acontece? Por que em alguns momentos vem uma mentalidade tão pequena, por que o Atlético alterna jogos extraordinários e épicos com porcarias", afirma Julio.

Rafael Oliveira diz entender a estratégia do técnico de tentar empurrar a definição do confronto para o segundo jogo, embora tenha sofrido o gol que obrigará seu time a buscar o resultado na segunda partida, e critica o fato de, mesmo com o time postado na defesa, não haver uma rota de fuga para aproveitar alguma chance em um contra-ataque.

"Simeone tem muita consciência e talvez muita confiança de que ele é capaz de montar times para anular, para frustrar os adversários, ano após ano a gente tem visto muito essa ideia dentro do mata-mata da Champions, de ele praticamente querer eliminar os primeiros 90 minutos do confronto para deixar a definição para a volta. Então não chegou a ser uma novidade esse tipo de formação", diz o jornalista.

"O outro ponto, aí eu concordo com a crítica à estratégia, que é a falta de uma mínima ambição, de tentar pelo menos ter uma válvula de escape. Eu não me incomodo do Atlético entrar para ter uma proposta defensiva e priorizar a defesa em um jogo de ida contra o Chelsea, agora, o Atlético não teve nenhuma válvula de escape para sair da defesa para o ataque, aí realmente vira um jogo em que só por acidente você vai chegar a uma vitória e você vai estar sempre muito próximo da própria área, tendo que jogar no risco zero, evitando o azar de uma bola sobrar, como acabou sobrando", conclui.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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