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Julio Gomes

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Atlético de Madrid perde em mais uma inexplicável má leitura de Simeone

Atlético de Madri e Chelsea se enfrentam em Bucareste pela Liga dos Campeões - Cristi Preda/DeFodi Images via Getty Images
Atlético de Madri e Chelsea se enfrentam em Bucareste pela Liga dos Campeões Imagem: Cristi Preda/DeFodi Images via Getty Images
Julio Gomes

Julio Gomes é jornalista esportivo desde que nasceu. Mas ganha para isso desde 1998, quando começou a carreira no UOL, onde foi editor de Esporte e trabalhou até 2003. Viveu por mais de 5 anos na Europa - a maior parte do tempo em Madrid, mas também em Londres, Paris e Lisboa. Neste período, estudou, foi correspondente da TV e Rádio Bandeirantes e comentarista do Canal+ espanhol, entre outras publicações europeias. Após a volta para a terrinha natal, foi editor-chefe de mídias digitais e comentarista da ESPN e também editor-chefe da BBC Brasil. Já cobriu cinco Copas do Mundo e, desde 2013, está de volta à primeira das casas.

23/02/2021 18h57

A mesma história de sempre. Da bolha de Lisboa, de outros anos. Chega o mata-mata da Champions League, e o Atlético de Madrid alterna atuações estratosféricas, de muito caráter e competitividade, com outras inexplicáveis.

O Atlético foi obrigado a receber o Chelsea em Bucareste, ou seja, em campo neutro, pela ida das oitavas de final. Mas isso era razão suficiente para Simeone jogar pelo 0 a 0? Não, não era. Foi castigado, perdeu por 1 a 0 e agora vai ter de remar para manter vivas as chances da Europa. Vai ter de vencer em Londres, na casa do Chelsea.

Não dá para entender. O Chelsea melhorou com Tuchel, mas não é nenhuma máquina. O Atlético, com os jogadores que tem, já mostrou em várias ocasiões ser capaz de praticar bom futebol, pressionar o adversário, criar chances, atacar. Mas de repente chegam esses jogos em que parece que a leitura de Simeone é completamente equivocada. O cara entra em parafuso, não é compreensível.

Sim, é injusta a regra do gol fora de casa para desempate neste cenário de pandemia, estádios vazios e campos neutros. É absurda, até. Mas isso não serve de álibi.

O Atlético fez um jogo pequeno contra o Chelsea. Medroso. Deu a bola para o rival, em nome de um contra ataque que nunca teve. O Chelsea pouco ameaçou, pouco fez, foi um dos piores jogos que já vi entre dois times do alto nível europeu.

A curiosidade é que o péssimo jogo acabou decidido por um gol antológico. Em um lance em que estava na "banheira", mas depois o VAR descobriu que a bola foi tocada para trás por Hermoso, do Atlético, Giroud acertou uma bicicleta maravilhosa para dar a vitória ao Chelsea.

Giroud foi o atacante dos zero gols, que acabou campeão do mundo com a França em 2018. Um jogador que alterna atuações pífias, chances desperdiçadas, com golaços como o desta terça. Hoje, estava todo o tempo alijado do jogo, já que a bola não passava nem por perto dele. Deslocado, mal, possivelmente a ponto de ser substituído. E aí decidiu.

O Atlético perde terreno no Campeonato Espanhol e agora fica a ponto de ser eliminado da Champions. Com o material humano que tem em mãos, Simeone precisa fazer esse time se recuperar. Pensar fora da caixa seria recomendável. Mas não há por que acreditar que isso vá acontecer.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL