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Ataque não funciona, 'teste mais difícil' complica Flu e pressiona Odair

Flu tropeçou na Copa do Brasil, e Odair Hellmann volta a sentir pressão - Lucas Mercon/Fluminense FC
Flu tropeçou na Copa do Brasil, e Odair Hellmann volta a sentir pressão Imagem: Lucas Mercon/Fluminense FC

Caio Blois

Do UOL, no Rio de Janeiro (RJ)

12/03/2020 04h00

O Fluminense perdeu para o Figueirense por 1 a 0 no jogo de ida da terceira fase da Copa do Brasil, e a derrota começou onde o Tricolor menos esperava: no ataque. Em atuação pouquíssimo inspirada de seu setor ofensivo, muito desorganizado, o Flu não conseguiu criar nada, e a derrota que deixa o time em desvantagem para a partida de volta no Maracanã, na próxima quinta-feira (19), volta a trazer pressão para Odair Hellmann e sua equipe.

Isso porque apesar de ter achado a escalação ideal e um estilo de jogo, o Tricolor voltou a falhar em testes mais difíceis. Exceto a goleada por 3 a 0 no clássico com o Botafogo, o time coleciona dois empates pela Copa Sul-Americana, uma derrota para o Flamengo e outra para o Figueirense, nos confrontos contra equipes mais fortes que as do Campeonato Carioca (que tem apenas os grandes, times da Série D e o Volta Redonda na Série C) e das duas primeiras fases da Copa do Brasil (contra o Botafogo-PB, da Série C, e o Moto Club, da Série D).

"A gente sabe da importância das competições, da Copa do Brasil. A gente está concentrado, trabalhando muito forte para conseguir a classificação, mas você tem um adversário pela frente. Hoje o adversário dificultou o jogo, conseguiu impor essa dificuldade de marcação, desacelerou o jogo. E nós, ofensivamente, temos uma produção muito grande, de gols, oportunidades... Coisa que a gente não conseguiu fazer muito hoje", disse Odair Hellmann, em coletiva após o jogo.

As más atuações em um nível de competição mais alto trazem questionamentos à equipe e ao treinador, já pressionado pela eliminação na Sul-Americana - que era o grande objetivo do Flu na temporada.

A opção técnica pela volta de Evanílson após ótima atuação da equipe sem o camisa 9 na goleada por 4 a 0 sobre o Resende, além da insistência em Nenê - que apesar de ser o artilheiro do time na temporada com 9 gols é questionado pela torcida e jogou mal no Orlando Scarpelli - e certa demora em utilizar Paulo Henrique Ganso, sempre pedido na arquibancada, são algumas das discordâncias com os torcedores que causam críticas, naturais para o início do trabalho.

A desvantagem não tão grande no mata-mata nacional, entretanto, ainda não assuta. Apesar de receber críticas dos torcedores, o técnico tem o respaldo da direção, que considera o trabalho muito bom. Hellmann também tem a seu favor uma qualidade notada pelos gestores: saber ouvir. Mudanças na equipe não estão descartadas.

"Quando tivemos a sequência de vitórias eu disse que tínhamos coisas a acertar, e seguimos tendo ajustes a serem feitos. No futebol tem que ter equilíbrio. Não é porque vínhamos de quatro vitórias seguidas que éramos os melhores do mundo. Não é porque perdeu hoje que está tudo errado", opinou.

Em que pese a derrota e a eliminação vexatória, além do nível baixo de disputa, o aproveitamento segue muito bom (69%), e a evolução mostrada nos últimos jogos não será jogada fora pela cúpula do futebol. O presidente Mario Bittencourt está "fechado" com Odair. O revés para o Figueirense foi apenas a terceira oportunidade em 14 jogos que o Tricolor não balançou as redes, e todos no clube têm a esperança na classificação na próxima semana.

No domingo, Odair Hellmann terá mais um teste: o Vasco de Abel Braga, que não faz bom início de temporada, mas que tem sido um rival difícil de ser batido pelo Fluminense nos últimos anos. Uma vitória certamente dará novo fôlego ao trabalho, e um novo insucesso, por outro lado, aumentará a pressão para o jogo contra o Figueira na quinta-feira (19). Para o clássico, o treinador não terá Gilberto, que sentiu a perna na derrota de ontem (11), além de Miguel, Frazan e muito provavelmente Digão.

"Temos um jogo importante para pensar no fim de semana, um clássico à frente. É uma sequência pesada de jogos. Precisamos analisar bem. Eu tenho sentado com a comissão técnica sempre após os jogos para fazer uma avaliação criteriosa para sempre buscarmos entrar no jogo seguinte o mais forte possível. Sabemos que na semana que vem há esse jogo importante da Copa do Brasil. Vamos avaliar todos os jogadores", declarou o técnico.

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