Rafael Reis

Rafael Reis

Siga nas redes
Reportagem

Falta de dinheiro pode 'melar' venda de clube inglês para dono do Vasco

Quase três meses depois de anunciar a compra do Everton, o fundo de investimentos norte-americano 777 Partners, que é dono da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) do Vasco, ainda não conseguiu levantar o dinheiro para completar o negócio.

A empresa prometeu pagar ao iraniano Farhad Moshiri um total de 550 milhões de libras (R$ 2,9 bilhões) pelo controle acionário (94,1% de participação) do tradicional clube da Inglaterra. Só que agora há dúvidas se a transação realmente sairá do papel.

Além de transferir o dinheiro para a conta do atual proprietário, a 777 Partners precisa convencer também três instituições diferentes (Premier League, Federação Inglesa de Futebol e um órgão fiscal do governo do Reino Unido) de que possui recursos suficientes para administrar um time da primeira divisão local.

Falta dinheiro

Antes mesmo do anúncio da aquisição do Everton, a 777 Partners já era vista com desconfiança na Inglaterra.

Em julho, uma reportagem da revista norueguesa "Josimar Football" apresentou um depoimento anônimo de um ex-funcionário do fundo afirmando que ele não é tão capitalizado assim e sempre se utiliza do mesmo aporte inicial como garantia para todas as aquisições que faz.

O próprio Vasco já teve problemas para receber o aporte prometido pelo seu proprietário. Em outubro, a empresa norte-americana correu o risco de perder o controle do futebol do clube porque atrasou em um mês o repasse de R$ 110 milhões previstos no contrato de venda da SAF.

Para tentar levantar o capital necessário para viabilizar a compra do Everton, a maior empreitada do grupo até o momento, a 777 Partners chegou a procurar bilionários que já são credores do clube inglês (por conta de empréstimos anteriores) e lhes ofereceu ações em troca de injeção de dinheiro.

Só que a resposta dos possíveis investidores foi negativa, o que aumentou os rumores de que o negócio talvez nunca se concretize.

Continua após a publicidade

Além da situação ainda indefinida do Everton, a 777 Partners é acionista majoritária de outros seis clubes: Vasco, Genoa, Hertha Berlim, Red Star (França), Standard Liège e Melbourne Victory. Nenhum deles tem brigado por títulos em campeonatos de primeira divisão. O fundo também tem uma pequena participação no Sevilla, mas sem direito a controle dos rumos do time.

A crise do Everton

Com a saúde financeira debilitada por conta de anos de administração ruim e do pesado investimento feito na construção de um novo estádio, o Everton foi punido no mês passado com a perda de dez pontos no Campeonato Inglês por desrespeitar regras do Fair Play Financeiro da Premier League.

A sanção foi aplicada porque o clube registrou um prejuízo de 124,5 milhões de libras (R$ 665 milhões) na soma de três temporadas consecutivas, acima do teto de perdas de 105 milhões de libras (R$ 561 milhões) estabelecido pela entidade.

Desde então, torcedores do Everton têm realizado vários protestos contra o órgão que organiza a primeira divisão inglesa. A principal reclamação está relacionada ao fato de processos de possíveis violações das regras financeiras envolvendo Chelsea e Manchester City estarem sendo analisados há anos, ainda sem nenhuma decisão (punição).

Pelo menos no campo...

Apesar da recente perda de pontos, do caos econômico no qual está metido e da nebulosidade que paira sobre seu futuro, o Everton vive um bom momento dentro de campo.

Continua após a publicidade

A equipe de Liverpool venceu cinco das últimas oito partidas que disputou (Bournemouth, West Ham, Burnley, Crystal Palace e Nottingham Forest) e estaria em uma confortável 12ª colocação se não fosse a punição imposta pela Premier League.

Graças a essa sequência de bons resultados, o time dirigido por Sean Dyche tem a chance de sair da zona de rebaixamento já na próxima rodada do Inglês. Caso vença o Newcastle, na quinta-feira, chegará a 10 pontos e poderá ultrapassar o Luton Town, deixando para trás o grupo do descenso.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

Veja também

Deixe seu comentário

Só para assinantes