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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Como dono do Botafogo quer transformar Lyon no anti-PSG e brilhar na França

John Textor posa ao lado do atual presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, após se tornar sócio majoritário do clube francês - Olivier Chassignole/AFP
John Textor posa ao lado do atual presidente do Lyon, Jean-Michel Aulas, após se tornar sócio majoritário do clube francês Imagem: Olivier Chassignole/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

22/06/2022 04h00

John Textor, investidor norte-americano que é dono da SAF (Sociedade Anônima do Futebol) que administra o Botafogo, é agora também o acionista majoritário do Lyon, time que já ganhou sete edições do Campeonato Francês.

O negócio, selado na última segunda-feira, transformou o empresário em proprietário de 66,6% das ações do clube. A expectativa é que ele invista 86 milhões de euros (R$ 465,1 milhões) em melhorias estruturais e de elenco.

Já na chegada, Textor deixou bem claro qual é o seu objetivo na Ligue 1: fazer frente ao Paris Saint-Germain, equipe bancada pelo governo do Qatar, que conta com astros do calibre de Lionel Messi, Kylian Mbappé e Neymar e que domina o cenário local (ganhou oito das últimas dez edições da competição).

"Não gosto de projetos como o PSG (...). Acho que o futebol foi quebrado pelo dinheiro. É uma realidade. Em cada lugar do mundo, temos no máximo dois ou três times fortes. E o resto? Qual a graça disso?", alfinetou o investidor, em sua entrevista de apresentação ao OL.

Mas qual é o plano do dono do Botafogo para conseguir tornar o Lyon suficientemente forte para bater de frente com os parisienses e voltar a brigar pelo título nacional que não conquista há 14 temporadas?

A princípio, manter a mesma política que já vem sendo adotada pelo clube desde o começo do século, quando era a força dominante na França e empilhava troféus ano após ano, mas com mais dinheiro para executá-la.

A decisão tomada por Textor de não assumir a presidência do Lyon e manter Jean-Michel Aulas no cargo mostra que ele pretende dar sequência à filosofia de aposta na juventude, com mescla entre garotos formados nas categorias de base, valores pinçados em outras ligas e um ou outro jogador mais experiente e em busca de recuperação na carreira depois de dar errado em um gigante europeu.

A novidade é que, tendo o norte-americano como seu principal sócio, o clube francês deve a partir de agora começar a explorar com mais profundidade as possibilidades existentes nos mercados brasileiro e belga.

Apesar de Textor não falar abertamente sobre o tema, é bem provável que ele passe a usar o Botafogo e o RWD Molenbeek, seu time na Bélgica, como incubadoras para maturação de desenvolvimento de jovens talentos que possam servir ao Lyon no futuro.

Esse mecanismo já funciona a todo vapor em outros conglomerados que possuem vários clubes, como a Red Bull e a família Pozzo.

"Nós tentamos criar uma família entre os nossos clubes, que trabalham juntos. Organicamente, nossos torcedores entendem isso", afirmou o norte-americano, que também é acionista minoritário (e portanto com menor poder de decisão) do Crystal Palace, da primeira divisão inglesa.

Oitavo colocado na última edição do Francês (somou 61 pontos, 25 a menos que o campeão PSG), o Lyon não conseguiu se classificar para nenhuma competição europeia e terá um calendário menos cheio na próxima temporada.

Com menos dinheiro em caixa por conta da ausência em torneios continentais, apesar do aporte feito por Textor, o clube também corre risco de perder seu principal jogador, Lucas Paquetá. O brasileiro é uma das prioridades desta janela de transferências para o Newcastle e também interessa a PSG e Arsenal.