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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Zagueiro da Copa Africana de Nações foi convocado via LinkedIn

Roberto Lopes ignorou mensagem da seleção de Cabo Verde por 9 meses - Divulgação
Roberto Lopes ignorou mensagem da seleção de Cabo Verde por 9 meses Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

09/01/2022 04h00

Quando você acessa alguma de suas redes sociais e vê que recebeu uma mensagem escrita em um idioma que não domina, qual é a sua reação? Apela para um tradutor online para descobrir o conteúdo do comunicado ou deixa para lá por acreditar que ela não é nada além de um spam ou ou uma tentativa de golpe?

Foi por escolher a segunda opção que o zagueiro Roberto Lopes, do Shamrock Rovers, da Irlanda, atrasou em nove meses sua estreia por uma seleção. E correu risco de perder a oportunidade de viver o maior momento da sua carreira: disputar a Copa Africana de Nações, que começa hoje, em Camarões.

Nascido e criado no território irlandês, mas com família paterna oriunda de Cabo Verde, o defensor foi descoberto em 2019 pelo então técnico da seleção da antiga colônia portuguesa, Janito Carvalho.

Em meio a um processo de garimpagem na Europa de reforços aptos a tornar seu time mais competitivo no cenário africano, o treinador encontrou o perfil de Lopes no LinkedIn e resolveu lhe enviar uma mensagem o convidando para defender a seleção.

Só que Carvalho desconhecia que o zagueiro não falava português e que nem teria curiosidade de ir atrás de um serviço de tradução para decifrar a mensagem. E assim a convocação ficou perdida em um canto esquecido da rede social por quase um ano.

"Eu havia criado essa conta alguns anos atrás, quando ainda estava na faculdade, e nunca fui muito de usá-la. Quase não recebia mensagens nela. Quando vinha, normalmente era spam. Por isso, nem me dei ao trabalho de traduzi-la", disse o zagueiro, em entrevista à Sky Sports.

A sorte de Lopes é que Cabo Verde realmente desejava contar com seu futebol e lhe enviou uma nova mensagem, desta vez em inglês, perguntando se ele já havia decidido se queria assumir a cidadania do seu pai e jogar pelo país africano.

"Assim que pousei em Cabo Verde e conheci meus companheiros de time já me senti em casa. Eles foram fantásticos comigo. Ficaram conversando em inglês e fizeram de tudo para me ajudar a me comunicar em campo", afirmou, ao "Sportsmail".

O zagueiro do Shamrock Rovers estreou pela seleção, já como titular, em outubro de 2019. Desde então, disputou mais sete partidas, seis delas pelas eliminatórias da Copa do Mundo-2022. O nono compromisso está marcado para a tarde de hoje (16h, de Brasília), contra a Etiópia, pela rodada de abertura do torneio continental.

Inicialmente programada para o começo do ano passado, a Copa Africana foi adiada em 12 meses por conta da pandemia da Covid-19 e será disputada até o dia 6 de fevereiro.

Esse é o último torneio de seleções relevante no cenário internacional antes do Mundial do Qatar, que acontecerá entre novembro e dezembro. Cinco nações africanas terão vaga na competição, mas nenhuma delas foi definida até o momento.

A CAN é jogada desde 1957 e tem o Egito como maior campeão. A equipe do craque Mohamed Salah, um dos finalistas do prêmio de melhor jogador do mundo na temporada passada, já levou a taça sete vezes, a última em 2010.

A Argélia é a atual detentora do posto de melhor seleção do continente. Em 2019, ela faturou o segundo título da sua história ao derrotar Senegal (de Sadio Mané, companheiro de Salah no Liverpool) na decisão.