PUBLICIDADE
Topo

Rafael Reis

REPORTAGEM

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

7 treinadores estrangeiros para seu clube trazer ao futebol brasileiro

Português André Villas-Boas é um dos técnicos gringos sempre cotados para trabalhar no Brasil - Getty Images
Português André Villas-Boas é um dos técnicos gringos sempre cotados para trabalhar no Brasil Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

08/09/2021 04h20

O futebol brasileiro nunca teve tanto sotaque estrangeiro no banco de reservas. Dos 20 clubes que disputam a primeira divisão nacional nesta temporada, nada menos que sete são dirigidos por treinadores importados de outros países.

A tendência, impulsionada nos últimos anos pelas campanhas vitoriosas dos portugueses Jorge Jesus e Abel Ferreira à frente de Flamengo e Palmeiras, respectivamente, não parece estar com os dias contados. Muito pelo contrário.

Pensando nisso, o "Blog do Rafael Reis" apresenta abaixo sete nomes de "professores" estrangeiros que poderiam fazer sucesso no futebol pentacampeão mundial. Quem sabe seu clube resolve ir atrás de algum deles na próxima vez que decidir alterar seu comando técnico...

ANDRÉ VILLAS-BOAS
Português
43 anos
Sem clube

Antecessor de Jorge Sampaoli no comando do Olympique de Marselha, o português é um daqueles nomes que sempre são lembrados aqui no Brasil quando um clube grande demite seu técnico. Ex-auxiliar de José Mourinho, Villas-Boas teve um início de carreira brilhante como treinador. Com só 33 anos, foi campeão português pelo Porto e descolou uma transferência para o Chelsea, um dos clubes mais poderosos do Campeonato Inglês, a liga nacional mais rica do mundo. Só que o luso não foi muito mais além disso. Ao longo da última década, teve um bom trabalho no Zenit São Petersburgo e resultados pouco expressivos no Tottenham, no Shanghai SIPG e no OM. Pela diminuição do seu mercado na Europa (e também por já ter admitido interesse de trabalhar no Brasil), Villas-Boas é um nome que merece sim estar no radar dos clubes daqui.

FABIÁN BUSTOS
Argentino
52 anos
Barcelona de Guayaquil (EQU)

Fabian Bustos, técnico do Barcelona-EQU, de guarda-chuva à beira do gramado no duelo com o Fluminense, no Maracanã, pela Libertadores - MAURO PIMENTEL / POOL / AFP - MAURO PIMENTEL / POOL / AFP
Imagem: MAURO PIMENTEL / POOL / AFP

O ex-atacante argentino é o treinador do momento no futebol sul-americano. Mesmo com orçamento dos mais modestos e um elenco sem nomes de destaque no cenário internacional, conseguiu levar o Barcelona de Guayaquil até as semifinais da Libertadores, com direito a vitórias sobre um argentino (Vélez Sarsfield) e um brasileiro (Fluminense) nas rodadas anteriores de mata-mata. Apesar de ter mais de uma década de carreira nos bancos de reservas, Bustos jamais trabalhou fora do Equador (é o atual bicampeão nacional). Seu próximo emprego provavelmente vai modificar esse cenário.

GUILLERMO BARROS SCHELOTTO
Argentino
48 anos
Sem clube

Guillermo Barros Schelotto, ex-técnico do Los Angeles Galaxy - Chris Gardner/Getty Images - Chris Gardner/Getty Images
Imagem: Chris Gardner/Getty Images

Ex-atacante que marcou época com a camisa do Boca Juniors na virada da década de 1990 para os anos 2000, o argentino já tem pelo menos dois trabalhos expressivos no currículo. Em 2013, foi campeão da Copa Sul-Americana treinando o modesto Lanús. Já no Boca, onde trabalhou entre 2016 e 2018, foi duas vezes campeão nacional e conseguiu ser vice da Libertadores. Cotado até mesmo para treinar a seleção argentina, Barros Schelotto preferiu se mudar para o Los Angeles Galaxy e ganhar dinheiro na MLS norte-americana. A experiência durou quase dois anos, e ele está desempregado desde outubro passado. Ao contrário da maioria dos bons técnicos da nova geração argentina, o ex-atacante é adepto de um futebol mais reativo: isso significa que seus times raramente propõem o jogo e preferem contra-atacar a dominar as ações.

LUIS ZUBELDÍA
Argentino
40 anos
Lanús (ARG)

Luis Zubeldia (Lanús) - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Técnico mais jovem da história a trabalhar na primeira divisão argentina, Zubeldía já tem 13 anos de carreira (apesar de só recentemente ter se tornado quarentão). O veterano precoce já dirigiu equipes de Equador, México, Colômbia, Paraguai e até teve uma rápida experiência à frente do Alavés, da Espanha. Desde 2018, está em sua segunda passagem pelo Lanús, onde alcançou o melhor momento da sua trajetória como treinador. Ao longo dessas últimas três temporadas, foi semifinalista da Copa Argentina (2019), vice-campeão da Copa Sul-Americana (2020) e atualmente ocupa a segunda colocação do Campeonato Argentino.

PAULO FONSECA
Português
48 anos
Sem clube

Paulo Fonseca, técnico da Roma - Cosimo Martemucci/Sopa Images/Getty Images - Cosimo Martemucci/Sopa Images/Getty Images
Imagem: Cosimo Martemucci/Sopa Images/Getty Images

Um dos técnicos portugueses mais consolidados no cenário europeu, conquistou três títulos ucranianos no comando do Shakhtar Donetsk e passou as duas últimas temporadas à frente da Roma. Por conta da longa experiência em Portugal (dirigiu Porto, Braga e Paços de Ferreira, entre outros) e da passagem pelo Shakhtar, Fonseca está mais do que acostumado a dirigir jogadores brasileiros e não teria muita dificuldade de adaptação ao nosso futebol. O problema é que o treinador ainda é um nome na órbita de times europeus de médio porte. Por isso, certamente cobraria uma bela grana para vir trabalhar na América do Sul, o que limita bastante as opções de clubes capazes de contratá-lo.

EDUARDO ESPINEL
Uruguaio
49 anos
Plaza Colonia (URU)

Eduardo Espinel (Plaza Colonia) - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Responsável pela maior zebra do futebol sul-americano nesta temporada, o ex-zagueiro conquistou o Torneio Apertura do Campeonato Uruguaio pelo inexpressivo Plaza Colonia, clube onde iniciou a carreira como treinador e pelo qual já havia vencido o Clausura de cinco anos atrás. Fã declarado de Diego Simeone, técnico do Atlético de Madri que é famoso pela rigidez dos sistemas defensivos que monta e pelo espírito de dedicação extrema que contagia seus jogadores, Espinel também já trabalhou no Chile e na Bolívia, mas sem resultados expressivos. A dúvida agora é se troféu recém-levantado pelo Plaza Colonia será seu passaporte para voos mais altos ou apenas uma zebra incapaz de alterar sua trajetória.

GABRIEL HEINZE
Argentino
43 anos
Sem clube

Gabriel Heinze, técnico do Vélez Sarsfield - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O ex-zagueiro argentino que defendeu Manchester United, Real Madrid e Paris Saint-Germain foi um dos nomes analisados pelo Palmeiras antes da contratação de Abel Ferreira, no segundo semestre do ano passado. Heinze já dirigiu quatro clubes em sua carreira como treinador (Godoy Cruz, Argentinos Juniors, Vélez Sarsfield e Atlanta United), mas até o momento só conseguiu ser campeão na segunda divisão argentina. Mesmo assim, seus trabalhos têm sido celebrados por sua obstinação e pelo bom futebol que tem praticado. Por outro lado, Heinze costuma ter um comportamento explosivo, dificuldades de relacionamento com dirigentes e deixa inimigos por onde passa.