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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Cinco anos após ouro olímpico, Micale não emplaca e vê fim de "sonho árabe"

Rogério Micale dirigia o Al-Hilal até a virada do mês - Divulgação
Rogério Micale dirigia o Al-Hilal até a virada do mês Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

17/05/2021 04h00

Cinco anos depois de levar a seleção brasileira à inédita conquista da medalha de ouro olímpica nos Jogos do Rio 2016, o técnico Rogério Micale acreditou que voltaria a conquistar um título importante no primeiro semestre deste ano.

Só que faltou combinar com os príncipes que comandam o Al-Hilal, da Arábia Saudita, um dos clubes mais poderosos e vitoriosos do Oriente Médio.

Apesar de ocupar a liderança do campeonato nacional e de ter apenas mais cinco rodadas pela frente até o fim da temporada, o treinador brasileiro foi trocado na virada do mês pelo português José Morais, ex-auxiliar de José Mourinho e duas vezes campeão da Coreia do Sul pelo Jeonbuk Hyundai.

Micale durou só 13 jogos no comando da equipe saudita. No período, conquistou oito vitórias, um empate e quatro derrotas.

Apesar de ter se mantido na briga pelo título nacional, o técnico brasileiro fez o Al-Hilal passar um sufoco danado na Liga dos Campeões da Ásia. Segundo colocado do Grupo A, o time só conseguiu avançar para as oitavas de final porque foi um dos três melhores vice-campeões de chave (o terceiro, para ser mais preciso) da Conferência Oeste.

Contratado no começo de fevereiro para comandar a equipe sub-19 dos sauditas e com um projeto de liderar a longo prazo a formação de jovens jogadores, Micale foi promovido em menos de duas semanas a técnico do elenco principal por causa da demissão do romeno Razvan Lucescu, que havia sido campeão asiático com o clube em 2019.

Só que o Al-Hilal nunca deixou de tratá-lo como interino e continuou buscando um treinador para assumir o cargo. O português Abel Ferreira, campeão da Libertadores e da Copa do Brasil, foi um dos primeiros nomes sondados. Seu compatriota Marco Silva, ex-Everton, também foi procurado.

Curiosamente, o contrato assinado por Morais não é muito diferente do de um interino. Afinal, seu vínculo com o clube saudita é válido apenas até o fim da temporada... que tem só mais duas semanas.

Com a chegada do português, Micale não voltou ao seu antigo emprego de comando das equipes de base do Al-Hilal. O brasileiro, que chegou a ser eleito o melhor técnico de março na Arábia Saudita, deixou o clube e já usou suas redes sociais para se despedir do país.

Desde que venceu a Rio 2016 e fez seu nome passar a ser conhecido nacionalmente, o treinador não emplacou mais nenhum trabalho de sucesso.

Micale até teve a chance de dirigir um dos grandes clubes do Brasil, o Atlético-MG. Mas sua passagem pela equipe alvinegra em 2017 durou só dois meses e 13 partidas. Depois, ele ainda dirigiu Paraná, Figueirense e o time sub-20 do Cruzeiro antes de tentar a sorte no Oriente Médio.

Neste ano, a seleção olímpica será comandada por André Jardine, que já trabalhou nas categorias de base de Grêmio, Internacional e São Paulo, e deve ter jogadores como Rodrygo (Real Madrid), Bruno Guimarães (Lyon), Claudinho (RB Bragantino), Gabriel Menino (Palmeiras), Gerson e Pedro (Flamengo).

Os Jogos de Tóquio, que originalmente seriam realizados no ano passado e tiveram de ser adiados por causa da pandemia da covid-19, serão disputados entre 23 de julho e 8 de agosto. Já o torneio de futebol começa dois dias antes e termina na véspera do encerramento da competição.

O Brasil está no Grupo D e terá Alemanha, Costa do Marfim e Arábia Saudita como adversárias na fase de grupos. Espanha, Argentina, França e México são outras potências que também estarão na corrida por medalhas.