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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Pandemia "prende" estrelas no Brasil e gera onda de desfalques na China

Paulinho é um dos astros do futebol chinês que estão "presos" no Brasil - AFP
Paulinho é um dos astros do futebol chinês que estão "presos" no Brasil Imagem: AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

15/05/2021 04h00

Renato Augusto, Fernando (Beijing Guoan), Anderson Talisca, Paulinho (Guangzhou FC), Moisés e Róger Guedes (Shandong Taishan) são alguns dos jogadores mais importantes do futebol chinês na atualidade.

Mas, apesar de a edição 2021 da Superliga da nação mais populosa do planeta ter começado no dia 20 de abril e de já estar na quinta rodada, nenhum deles foi a campo nesta temporada. E, para piorar, ainda nem há previsão para que consigam estrear.

O sexteto de estrelas e outros sete atletas brasileiros que atuam na primeira divisão nem mesmo estão na China. Eles ficaram presos desse lado do mundo por causa da segunda onda da pandemia de covid-19.

Todos vieram ao Brasil para passar férias de fim de ano. E, quando chegou a hora de voltar para a Ásia, não conseguiram fazer a viagem porque as fronteiras chinesas estavam fechadas a brasileiros devido ao endurecimento da crise sanitária.

Alguns, principalmente aqueles que encerraram as férias mais cedo, antes da escalada no número de casos e mortes por aqui, conseguiram evitar esse bloqueio e têm atuado normalmente por lá. Fazem parte desse grupo o meia Oscar (Shanghai Port) e os atacantes Alan Kardec (Shenzhen FC) e Erik (Changchun Yatai).

Mas quase metade dos brasileiros que integram elencos da elite chinesa (13 de um total de 31) foi vencida pelas restrições da crise da covid-19 e está tendo de curtir umas "férias forçadas" por aqui.

O "Blog do Rafael Reis" apurou que a maior parte deles nem sequer foi inscrito no Campeonato Chinês. Portanto, mesmo que haja uma nova decisão que permita a entrada no país, eles só poderão retornar à competição na próxima janela de transferências, em julho.

O meia Renato Augusto é exceção. O ex-jogador do Corinthians foi registrado na Superliga e também na Liga dos Campeões da Ásia. Dessa forma, poderá disputar normalmente as partidas do Beijing Guoan assim que conseguir aval do governo chinês para ingressar no país.

Enquanto espera essa autorização, o meio-campista tem treinado ao lado de um personal no Rio de Janeiro. Recentemente, surgiu o rumor de que ele poderia nem voltar para a Ásia, já que estaria negociando a transferência para o Flamengo, o que, pelo menos por enquanto, ainda não se concretizou.

Pelo menos outros dois jogadores brasileiros que atuam na China e ficaram presos por aqui no primeiro semestre também têm sido alvos de especulações de transferências para clubes nacionais.

Talisca, que tem se alternado entre Rio e Salvador nos últimos meses, já pediu aos seus representantes para negociar com os dirigentes do Guangzhou FC sua liberação para o segundo semestre. Flamengo, Palmeiras e Atlético-MG são os favoritos para contratá-lo.

Já Róger Guedes é um antigo desejado do Atlético-MG. Apesar de ter contrato com o Shandong Taishan até o meio do próximo ano, ele foi sondado nesta temporada pela equipe mineira e por pelo menos mais dois times (Fluminense e Grêmio), que se assustaram com o valor do seu salário e nem chegaram a abrir conversações oficiais.

Além da ausência de vários dos seus astros por causa da pandemia, o futebol chinês vive um momento financeiramente delicado. As novas medidas do governo nacional para a modalidade, como adoção de teto salarial, dificultaram a realização de novas contratações impactantes.

O país também atravessa uma onda de falência de clubes. Só no ano passado, 16 clubes das três primeiras divisões fecharam as portas. Um deles, o Jiangsu Suning, que tinha Miranda, Alex Teixeira e Éder, decidiu encerrar suas atividades mesmo sendo o atual campeão nacional.