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Rafael Reis

REPORTAGEM

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Time de Tsubasa vira realidade no Japão e faz a cabeça de Messi e Iniesta

Nankatsu, o time de Oliver Tsubasa, existe no mundo real e tem crescido no Japão - Divulgação
Nankatsu, o time de Oliver Tsubasa, existe no mundo real e tem crescido no Japão Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

16/05/2021 04h00

O Nanktasu SC é um time que disputa a sexta divisão japonesa. No entanto, sua lista de torcedores ilustres é de fazer inveja até as maiores potências do futebol mundial. Lionel Messi, Andrés Iniesta, Xavi, Andrea Pirlo e Fernando Torres são algumas das personalidades da bola que nutrem um carinho especial pelo modesto clube da região metropolitana de Tóquio.

O motivo é um mergulho na nostalgia. Os astros citados acima (e vários outros apaixonados pela bola de todos os cantos do planeta) se encantaram pela equipe nipônica ainda na infância, quando só sonhavam em um dia viver do esporte.

Foi pela tela da televisão que eles se apaixonaram pelo Nankatsu. Afinal, a equipe que mal é 100% profissional foi a primeira camisa vestida por Oliver Tsubasa em sua trajetória de sucesso que mudou a história do futebol no Japão.

Só que Tsubasa não é um jogador do mundo real, mas sim o protagonista de "Captain Tsubasa" (mais conhecido no Brasil como "Super Campeões"), desenho japonês que foi sucesso global durante a década de 1990 e que ajudou a popularizar a modalidade na nação sede dos Jogos Olímpicos deste ano.

Andrés Iniesta é um dos embaixadores do Nankatsu, o time de Tsubasa - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

A obra, levemente inspirada na trajetória de Musashi Mizushima, que nos anos 1970 veio ao Brasil para atuar na escolinha do São Paulo e realizar o sonho de se tornar jogador profissional de futebol, conta a história de um garoto fanático pela modalidade que consegue colocar o Japão no mapa da bola.

Nos quadrinhos criados em 1981 por Yoichi Takahashi e depois adaptados em animações para TV, Tsubasa começa a carreira no Nankatsu, time escolar do bairro de Katsushika, onde o criador da obra nasceu e viveu durante a infância.

Depois, o personagem se muda para o Brasil para defender o Brancos FC, uma equipe com uniforme idêntico ao São Paulo, e chega ao auge de sua carreira ao se transferir para o Barcelona e defender a seleção japonesa em uma Copa do Mundo.

A história de Tsubasa influenciou fortemente toda uma geração de apaixonados por futebol. O ex-atacante espanhol Fernando Torres, por exemplo, já afirmou que o personagem principal do anime é o maior ídolo de sua infância. Já o meia Óliver Torres, do Sevilla, foi batizado em homenagem ao protagonista da animação.

O sucesso do desenho também fez o Nankatsu virar um time de verdade. O clube foi fundado em 2012 para disputar as ligas inferiores do futebol japonês e teve Takahashi como primeiro presidente. Em uma estratégia de marketing, a camisa 10 jamais foi utilizada. Afinal, ela pertence a Oliver, o Capitão Tsubasa, e por isso está aposentada.

Em 2019, a agremiação ganhou um novo padrinho, Iniesta, outro fã da história de Tsubasa, que atualmente joga no Japão (Vissel Kobe) e participou da inauguração de uma estação de metrô com as paredes todas cobertas por desenhos da série.

Mesmo muito novo, o time que saiu do mundo dos mangás e animes para os gramados da vida real também já construiu uma conexão especial com o Brasil.

A equipe de Tsubasa já selou uma parceria de intercâmbio nas categorias de base com o Ituano, do interior paulista, e teve pelo menos dois jogadores nascidos no país pentacampeão mundial: o zagueiro Deivisson e o meia Leozinho.

Atualmente, o Nankatsu vive o melhor momento da sua ainda curta história. No ano passado, o time conseguiu pela primeira vez o acesso da Liga Provincial de Tóquio (7ª divisão do futebol nipônico) para a Liga Regional de Kanto, o sexto escalão nacional.

O objetivo é um dia alcançar a J-League, a elite da bola japonesa, e conseguir repetir pelo menos um pouquinho do sucesso que Tsubasa fez nas páginas dos gibis e nas telas de TV.

No Brasil, Super Campeões teve três séries exibidas (J, Road to 2002 e o remake de 2018) começou a ser exibida pela Rede Manchete, na década de 1990. A série também fez parte da programação do Cartoon Network e da Rede TV!.

A temporada mais recente da animação também está disponível no catálogo da Prime Video, serviço de streaming da Amazon.