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Rafael Reis

Com 10 pontos de folga, Felipe diz que Real e Barça ainda ameaçam Atlético

Felipe é um dos zagueiros do Atlético de Madri, líder com folga do Espanhol - Divulgação
Felipe é um dos zagueiros do Atlético de Madri, líder com folga do Espanhol Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

02/02/2021 04h00

Uma derrota em 19 rodadas, sete vitórias consecutivas e nada menos que dez pontos de vantagem para os vice-líderes Real Madrid e Barcelona. Isso tudo com um jogo a menos que os poderosos arquirrivais.

Será que o Atlético de Madri já aceitou que é o time a ser batido na temporada 2020/21 do Campeonato Espanhol e que tem tudo para voltar a levantar o troféu da competição sete anos depois de sua última conquista?

Não, pelo menos, não na opinião do zagueiro brasileiro Felipe. Em entrevista ao "Blog do Rafael Reis", o ex-jogador do Corinthians defendeu que ainda é cedo para qualquer comemoração e disse que Real e Barça ainda são ameaças reais ao título dos colchoneros.

"Não é possível menosprezar estes clubes em momento algum (...). Acho natural que falem de nossa equipe, pela vantagem que conquistamos, mas agora temos a mais árdua missão, que é nos mantermos na ponta. Estamos conseguindo os resultados, vamos lutar até o fim pelos nossos objetivos, mas sabemos que há grandes equipes atrás que estão querendo tomar nosso posto."

Aos 31 anos, Felipe vive um momento especial na Europa. Além de ser titular (quase sempre) da melhor equipe da Espanha na atualidade, ele completou na vitória por 4 a 2 sobre o Cádiz, no domingo (31), seu 200º jogo desde que chegou ao Velho Continente.

E o fez sem receber cartão, algo que tem se tornado rotineiro na temporada. Nos últimos 22 jogos que disputou, somadas todas as competições, o brasileiro só foi advertido duas vezes, melhor marca da sua trajetória europeia.

Além disso, Felipe apareceu nas últimas três convocações de Tite, tem feito cada vez mais parte dos planos da seleção brasileira e parece a caminho de disputar pela primeira vez na carreira uma Copa do Mundo.

"Estar em um clube em boa fase, ou que está conquistando títulos, te coloca em mais evidência, ajuda a elevar o nível do futebol, mas não acredito que seja algo determinante (...). O importante é seguir fazendo um bom trabalho no clube e esperar que a seleção seja uma consequência de um bom desempenho individual.

Durante a entrevista, Felipe falou ainda sobre o sistema defensivo do Atlético, a transição para o esquema com três zagueiros feita nesta temporada, as cobranças cotidianas e Madri e também sobre a fase final da Liga dos Campeões da Europa.

Confira a íntegra da entrevista:

Não é de hoje que o Atlético tem uma das defesas mais fortes do mundo, mas sofrer só dez gols em 19 partidas do Campeonato Espanhol é demais até para vocês. Por que a defesa evoluiu tanto nesta temporada?
O sistema defensivo da equipe já apresenta uma solidez há muitos anos. Na temporada passada, o Atlético terminou como a segunda defesa menos vazada da La Liga. Nosso sistema é muito bem definido, todos combatem o tempo todo, desde os homens de ataque, o meio de campo nos dá uma segurança também... Realmente, são números muito bons, temos esse objetivo de ser uma defesa difícil de bater, então, que siga assim, para que o pessoal da frente, que tem muita qualidade, possa resolver e garantir as vitórias.

A principal mudança tática do Atlético na atual temporada foi a adoção do sistema com três zagueiros. Como tem sido sua adaptação a esse novo desenho e o que ele mudou para você em campo?
É uma questão de adaptação, mas o sistema defensivo tem respondido muito bem. Há variações táticas durante o jogo, com linha de três ou de quatro, o importante é estarmos entrosados e cumprirmos bem o papel dentro de campo. Na Europa, me acostumei a jogar mais em linha de quatro, mas também não é novidade o sistema de três zagueiros, pois já fiz em outros clubes da carreira.

O Atleti tem sido apontado pela imprensa como favorito ao título espanhol desta temporada. Aí dentro do elenco, vocês também têm essa impressão que este ano as chances são maiores e que chegou a hora de vocês? Por quê?
Não existe favorito em um campeonato como o Espanhol. São muitos clubes de qualidade. Acho natural que falem de nossa equipe, pela vantagem que conquistamos, mas agora temos a mais árdua missão, que é nos mantermos na ponta. Estamos conseguindo os resultados, vamos lutar até o fim pelos nossos objetivos, mas sabemos que há grandes equipes atrás que estão querendo tomar nosso posto. Vamos pensar sempre jogo a jogo e esperamos manter ou até aumentar essa diferença na tabela para, no fim, podermos comemorar.

Outro ponto que está sendo muito discutido pela imprensa nesta temporada é que Barcelona e Real Madrid estão muito enfraquecidos (eles realmente têm tropeçado mais que o normal). Você concorda com essa avaliação? E consegue explicar o que está rolando com seus maiores rivais?
Deixo essa análise para a imprensa e para os próprios clubes e seus jogadores. Sei que são grandes equipes com grandes jogadores. Não é possível menosprezar estes clubes em momento algum. Mas aqui vamos pensar na nossa equipe, nos nossos jogadores e no que devemos fazer dentro de campo. Se a nossa cabeça estiver no nosso jogo, no que temos que desempenhar até o fim do campeonato, estaremos mais próximos dos nossos objetivos.

Tem uma coisa muito curiosa acontecendo com você nesta temporada que é o baixíssimo número de cartões recebidos (2 em 22 partidas), o menor de sua carreira na Europa. A que se deve essa quantidade tão baixa de advertências? Você mudou algo no seu jeito de jogar ou comportamento?
O objetivo é sempre evitar cartões, faltas, o que às vezes é algo inevitável, é do jogo. Tenho me preparado muito física e tecnicamente para estar no melhor posicionamento possível e fazer os desarmes e cortes sem precisar cometer uma infração. Não digo que mudei o jeito, mas procuro evoluir sempre, a cada treino e a cada jogo, pois o nível do futebol europeu é muito alto e, consequentemente, as cobranças também são grandes.

Você acredita que ser campeão espanhol com o Atleti nesta temporada pode ser um triunfo extra para se consolidar na lista de convocados da seleção e, quem sabe, até beliscar uma vaga como titular?
Estar em um clube em boa fase, ou que está conquistando títulos, te coloca em mais evidência, ajuda a elevar o nível do futebol, mas não acredito que seja algo determinante. Pois há grandes jogadores que podem vestir a camisa da seleção brasileira e nem todos serão campeões ou passarão por boa fase nos clubes. O importante é seguir fazendo um bom trabalho no clube e esperar que a seleção seja uma consequência de um bom desempenho individual.

O que ainda falta ao Atlético para ser tratado pelo público geral como um time do mesmo nível de Barça e Real? É um título de Champions? Depois das finais perdidas nos últimos anos, há uma cobrança interna pela taça?
Essa análise também deixo para a imprensa. Não gosto de fazer comparações e acho que não devemos pensar nisso. O Atlético de Madri é um dos maiores clubes do mundo há muito tempo, então, sempre entrará nas competições em busca de grandes objetivos e conquistas. Pressão e cobrança existem em todo clube grande, no Atlético não é diferente. Mas estamos nos preparando muito para que essa seja uma grande temporada.

Por fim, uma dúvida sobre como o Simeone trabalha com vocês. Falta um mês para as oitavas de final da Champions, vocês já conversam (com a comissão técnica ou só entre os jogadores) sobre o Chelsea? Ou esse planejamento e preocupação é mesmo jogo a jogo?
Pensamos jogo a jogo, agora nosso foco total é na La Liga e na manutenção da liderança. Haverá a hora certa para pensar na Champions, claro que existe uma grande expectativa, será um grande duelo, mas nosso foco agora está no próximo duelo, pois não podemos perder o ritmo e a vantagem que conquistamos na competição nacional.