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Rafael Reis

Jardel era tão artilheiro quanto Lewandowski: verdade ou lenda?

Jardel fez história com as camisas do Porto e do Sporting - Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
Jardel fez história com as camisas do Porto e do Sporting Imagem: Matthew Ashton/EMPICS via Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

22/10/2020 04h20

O ex-atacante Jardel afirmou na semana passada que foi uma espécie de Robert Lewandowski dos anos 1990 e que, naquela época, já fazia o que o centroavante do Bayern de Munique apresenta hoje em dia.

De acordo com as declarações do brasileiro que foram reproduzidas pelo jornal português "Record", o polonês é "um jogador que faz de 45 a 60 gols por temporada", marca que, nas suas palavras, ele também atingiu durante seis ou sete anos consecutivos.

Mas será que Jardel realmente balançava as redes na mesma frequência de Lewa? Ou essa é apenas mais uma das várias lendas urbanas (desta vez criada pelo próprio personagem) que tanto fazem sucesso no dia a dia do futebol, como como o autismo de Lionel Messi e a transexualidade de Marco Verratti?

Os sete anos aos quais o brasileiro se refere como sua fase comparável à do melhor camisa 9 da atualidade vão de 1996 a 2003, período em que ele defendeu Porto, Galatasaray e Sporting e acumulou os maiores feitos de sua carreira.

Nessa época, Jardel foi cinco vezes artilheiro do Campeonato Português, ganhou duas vezes a Chuteira de Ouro, prêmio concedido ao goleador máximo das ligas nacionais da Europa, e disputou dez partidas pela seleção.

Na soma dessas sete primeiras temporadas (as suas primeiras atuando no Velho Continente), ele marcou 269 gols em 280 partidas oficiais disputadas no futebol de clubes. Sua média foi de 0,96 bola na rede por jogo, algo digno de fazer inveja a 99,9% dos atacantes do planeta, inclusive a Lewandowski.

Desde 2013, quando ainda defendia o Borussia Dortmund, o camisa 9 polonês participou de 344 jogos e balançou as redes 282 vezes. Na média, comemorou 0,82 gol por partida.

Nesse período, Lewa foi cinco vezes artilheiro do Campeonato Alemão (mesmo feito de Jardel em Portugal) e apenas duas vezes fez menos que 40 gols em uma temporada. Mas, mesmo com números tão positivos, não conseguiu vencer nenhuma Chuteira de Ouro.

Já nos sete anos mágicos de Jardel, ele só conseguiu ultrapassar a barreira dos 40 tentos em duas oportunidades: em 1999/2000, quando marcou 56 vezes, e em 2001/02, com 55 bolas nas redes.

Além disso, o brasileiro e o polonês foram artilheiros da Liga dos Campeões uma única vez ao longo da carreira. Em 1999/2000, Jardel marcou dez vezes pelo Porto na competição europeia e teve um empate triplo com Rivaldo e Raúl.

Já na temporada passada, foi a vez de Lewa entrar para a lista dos goleadores do torneio interclubes mais importante do planeta. Ele anotou 15 tentos. A diferença é que também levantou a taça da Champions, algo que o brasileiro nunca conseguiu —só ganhou a Supercopa da Europa, também em 2000, mas pelo Galatasaray.

Além da equipe turca, do Sporting e do Porto, Jardel defendeu mais de outras 15 equipes durante sua trajetória como profissional. No Brasil, Vasco, Grêmio, onde foi campeão da Libertadores-1995, e Palmeiras foram as camisas mais pesadas que vestiu.

Ele se aposentou em 2011, aos 38 anos, quando já lutava contra o vício em drogas. Depois, dedicou-se à política, chegou a ser deputado estadual no Rio Grande do Sul, mas perdeu o mandato por uma série de irregularidades: quebra de decoro parlamentar, rachadinha, manutenção de funcionários fantasmas.

Agora, com todos os dados em mãos, a decisão é sua: Jardel foi o Lewandowski dos anos 1990: verdade ou lenda?