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Rafael Reis


Na Espanha, Denílson foi de mais caro do mundo a coadjuvante na 2ª divisão

Denilson, em ação no Betis, clube espanhol que fez dele o jogador mais caro do mundo em 1998 - Getty Images
Denilson, em ação no Betis, clube espanhol que fez dele o jogador mais caro do mundo em 1998 Imagem: Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

20/06/2020 04h00

Classificação e Jogos

Assim como acontece hoje, há 22 anos o ranking de reforços mais caros da história do futebol mundial também tinha no topo um atacante brasileiro especialista em entortar adversários e contratado para transformar um ambicioso time de médio escalão em uma potência capaz de assustar qualquer rival.

Mas, ao contrário da passagem de Neymar pelo Paris Saint-Germain, Denílson jamais passou perto de conseguir cumprir esse objetivo no Betis e chegou até a se aventurar na segunda divisão espanhola por causa dessa transferência.

O hoje comentarista da TV Band, que fazia sucesso no São Paulo em meados da década de 1990, mudou-se para Sevilha logo depois da Copa do Mundo de 1998. O valor do negócio, US$ 32 milhões (R$ 171,5 milhões, na cotação atual), pode até parecer banal nos dias atuais. Mas, na época, foi recorde mundial.

Antes de Denílson, nenhum jogador havia custado tanto. A marca anterior (US$ 28,8 milhões, ou R$ 154,4 milhões) era relativa à saída de Ronaldo do Barcelona rumo à Inter de Milão, sacramentada no ano anterior.

O recorde permaneceu com o ex-São Paulo até 1999, quando a Inter pagou US$ 45 milhões (R$ 241,2 milhões) pelo centroavante italiano Christian Vieri e o brasileiro já era tratado como decepção no Betis.

A primeira temporada de Denílson na Espanha foi trágica para um jogador que gozava do rótulo de "reforço mais caro da história do futebol". O atacante fez só um gol em 30 partidas e caiu em desgraça com o técnico Javier Clemente.

"Nem em piada ele valia cinco bilhões [de pesetas, moeda espanhola na época do negócio], mas era famoso por causa das firulas que fazia. Ele poderia ter sido um bom jogador, mas nunca quis deixar de praticar esse tipo de futebol que não leva a nada. Ele driblava o mesmo adversário quatro vezes e esperava ele se recuperar para driblá-lo pela quinta vez. Não tínhamos como lidar com ele", disse o treinador, em 2017, à revista "Jot Down".

A solução encontrada pela diretoria do Betis foi devolver Denílson para o Brasil. O atacante passou o ano de 2000 emprestado ao Flamengo. E, quando retornou à Espanha, reencontrou seu time na segunda divisão.

O ex-jogador mais caro do mundo precisou encarar durante um semestre a Série B espanhola. Mesmo contra adversários mais fracos, não conseguiu brilhar: meteu só uma bola nas redes em 21 partidas.

Denílson só melhorou um pouco de rendimento depois do retorno do Betis à elite. Em 2001/2002, voltou a ser titular absoluto da equipe. Na temporada seguinte, disputou a Copa da Uefa (hoje Liga Europa). E, em 2005, já novamente na reserva, ganhou a Copa do Rei.

Após a conquista, foi liberado para se transferir para o Bordeaux. Mesmo abrindo mãos dos direitos econômicos do jogador, a equipe espanhola ainda continuou pagando parte do seu salário por um ano. Tudo para não ter mais Denílson em seu elenco.

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Desde 2017, o recorde de jogador mais caro do futebol mundial em todos os tempos está novamente em mãos (ou pés) brasileiros. Até hoje, nenhuma transação conseguiu romper a barreira dos 222 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão) pagos pelo PSG para tirar Neymar do Barcelona.

Denílson já não é mais nem a maior venda feita por um clube do país pentacampeão mundial para o exterior. As saídas de Neymar (Santos), Rodrygo (Santos), Vinícius Júnior (Flamengo), Lucas Moura (São Paulo), Lucas Paquetá (Flamengo), Gabriel Jesus (Palmeiras) e Oscar (Internacional) superaram o valor da sua transferência.

Rafael Reis