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Rafael Reis


Política em campo: mais 5 times de futebol que são de direita

Torcedores do Chelsea são identificados com a extrema-direita na Inglaterra - Reprodução
Torcedores do Chelsea são identificados com a extrema-direita na Inglaterra Imagem: Reprodução
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

10/06/2020 04h00

Já houve quem dissesse que futebol e política não se misturam. Basta dar uma olhada na história do esporte mais popular do planeta para perceber que quem pensa assim está profundamente enganado.

Ao longo dos últimos 150 anos, ditadores usaram clubes populares para promover seus regimes, presidentes financiaram a construção de estádios, e torcedores encontraram no futebol a forma de se expressar contra governantes.

Há clubes que são conhecidos internacionalmente por terem abraçado alguma bandeira político-ideológica. Um exemplo famoso vem de Barcelona. É impossível dissociar o movimento pela independência da Catalunha do clube que tem Lionel Messi como astro.

Desde o mês passado, o "Blog do Rafael Reis" vem apresentando times que não têm problema nenhum em se posicionar. Primeiro, mostrou cinco equipes de futebol que são de esquerda. Depois, fez o mesmo com clubes de direita.

Na última semana, foi a vez de expor mais agremiações que têm o DNA ligado ao lado esquerdo do espectro político. Hoje, a seção é concluída com outras camisas ligadas às ideologias de direita.

PARTIZAN BELGRADO (SER)

Torcida do Partizan Belgrado - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Nascido como o time do exército iugoslavo que lutou na Segunda Guerra Mundial, o Partizan não é historicamente um clube tão politizado assim. No entanto, o cenário mudou radicalmente nas últimas três décadas. Conforme a antiga Iugoslávia foi se dissolvendo, os torcedores mais radicais do clube foram adotando um discurso cada vez mais nacionalista e com pitadas bem generosas de xenofobia. No ano passado, o clube foi punido pela Uefa por cânticos racistas de sua torcida e acabou jogando duas partidas da Liga Europa apenas com crianças nas arquibancadas, em uma punição alternativa aos jogos com portões fechados.

RANGERS (ESC)

Enquanto o Celtic tem ideais mais ligados à esquerda e representa a comunidade católica da Escócia, os Rangers são o clube da direita e dos protestantes da nação. Em geral, os apoiadores da equipe azul votam no Partido Conservador, defendem o Reino Unido como um país unificado e são 100% leais à autoridade da Rainha Elizabeth. Com tantas diferenças político-ideológicas, o "Old Firm", clássico que opõe as duas principais forças do futebol escocês, costuma ser um dos dérbis mais explosivos da Europa.

HANSA ROSTOCK (ALE)

Na época em que a Alemanha era dividida em dois países, o Hansa Rostock fazia parte da Alemanha Oriental, que era comunista. Já naquela época, seus torcedores não curtiam muito o regime e consideravam que o governo não injetava tanto dinheiro no clube quanto nos rivais da capital. O descontentamento cresceu depois da queda do Muro de Berlim, que escancarou a desigualdade social entre as duas metades germânicas. Os ultras do Hansa se tornaram mais agressivos e passaram a protestar contra a entrada cada vez maior de imigrantes na Alemanha. Com isso, o clube se tornou o representante da extrema-direita no espectro do futebol local e a antítese perfeita do St. Pauli, que é de esquerda e virou seu arquirrival ideológico.

PARIS SAINT-GERMAIN (FRA)

Torcida do PSG - Reprodução - Reprodução
Imagem: Reprodução

Tradicionalmente um clube mais ligado à direita francesa, o PSG tem diversificado bastante sua base de torcedores (e ganhado simpatizantes também de esquerda) nos últimos anos, desde que foi comprado por um fundo de investimentos ligados ao Qatar e passou a ser abraçado pela crescente população de imigrantes em Paris. No entanto, um dos seus principais grupos de ultras, o Boulogne Boys, ainda é extremamente ligado à extrema-direita. O grupo tem um longo histórico de confusões com torcedores adversários e demonstrações claras de racismo e discriminação contra moradores de regiões menos desenvolvidas economicamente da França.

CHELSEA (ING)

Assim como o PSG, o clube inglês é outro que tem mudado de cara desde que se tornou um dos novos ricos do futebol europeu, lá no começo dos anos 2000. Mas, nas décadas de 1970 e 1980, os Blues eram conhecidos como o time de alguns dos hooligans mais temidos e politizados da Inglaterra. Os "Headhunters" eram um grupo de torcedores do Chelsea que tinha conexão até com a Ku-Klux-Khan e fazia parte do movimento neonazista inglês. O livro "Como o Futebol Explica o Mundo", do norte-americano Franklin Foer, conta em um dos seus capítulos que hooligans da equipe londrina costumavam excursionar pela Alemanha para admirar campos de concentração e conhecerem de perto o legado de Adolf Hitler.

Rafael Reis