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Rafael Reis


As 5 maiores zebras da história do prêmio de melhor jogador do mundo

Luka Modric foi eleito o melhor jogador do mundo em 2018 - AFP
Luka Modric foi eleito o melhor jogador do mundo em 2018 Imagem: AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

19/05/2020 04h00

Pela primeira vez desde 1991, a Fifa não escolherá neste ano o melhor jogador do mundo. Devido à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), a entidade optou por não realizar desta vez sua eleição anual de principal destaque do futebol no planeta.

O prêmio da Fifa tem Lionel Messi como vencedor. O argentino ganhou no ano passado o sexto troféu de sua carreira. Cristiano Ronaldo, Ronaldo, Zinédine Zidane e Ronaldinho são algumas outras unanimidades que também empilharam homenagens.

Mas nem sempre o melhor do mundo foi tão melhor do mundo assim. Em alguns anos, o vencedor do prêmio foi aquele "herói improvável", aquele jogador que corria por fora nas bolsas de apostas.

O "Blog do Rafael Reis" relembra abaixo as cinco maiores zebras da história do prêmio da Fifa.

LOTHAR MATTHÄUS-1991

O líbero e meio-campista foi o grande nome da conquista da Alemanha na Copa do Mundo de 1990 e talvez tenha sido o melhor do planeta naquela temporada. Mas o prêmio da Fifa só foi criado no ano seguinte. Em 1991, Matthäus venceu a Copa da Uefa (hoje Liga Europa) com a Inter de Milão e terminou o Campeonato Italiano na terceira posição. Mas Jean-Pierre Papin (Olympique de Marselha) foi ainda melhor e acumulou as artilharias do Francês e da Liga dos Campeões. Só que no fim, a fama do alemão falou mais alto. Matthäus foi eleito o melhor do mundo e Papin acabou em segundo na votação.

ROBERTO BAGGIO-1993

Romário poderia perfeitamente ter dois prêmios de melhor do mundo no currículo. Em 1993, o craque máximo do ano seguinte foi artilheiro da Liga dos Campeões pelo PSV Eindhoven, transferiu-se para o Barcelona e deu show no primeiro semestre em que vestiu a camisa culé. Roberto Baggio, que acabou levando o prêmio, teve uma temporada um pouco mais modesta: ganhou a Copa da Uefa (mas foi só o terceiro colocado na artilharia) e foi apenas o quarto colocado no Italiano com a Juventus.

LUÍS FIGO-2001

No ano em que foi eleito o melhor do mundo, o português não era nem o craque máximo do Real Madrid. Na época, o jogador mais decisivo do clube era Raúl, artilheiro da Liga dos Campeões e também do Campeonato Espanhol de 2000/01. Mas Figo tinha um marketing gigantesco ao seu lado. Ele havia sido contratado do Barcelona, em uma das transferências mais polêmicas da história, e era tratado como o marco zero do "projeto galáctico" que pretendia levar ao Santiago Bernabéu os atletas mais talentosos do planeta. Assim, venceu a eleição da Fifa.

FABIO CANNAVARO-2006

Na Champions 2005/06, ninguém jogou mais bola que Ronaldinho. Mas a Copa apática enterrou as chances do tricampeonato do brasileiro. O Mundial teve Zinédine Zidane como dono. Mas pegaria muito mal premiar alguém que teve como último ato da carreira uma cabeçada no peito de um adversário durante a final do torneio que todos sonham disputar. Por isso, o troféu de craque máximo do planeta foi para o jogador que mais se destacou na seleção campeã mundial daquele ano: o zagueiro Fabio Cannavaro, capitão do tetra da Itália.

LUKA MODRIC-2018

Em 2018, o meia venceu a Liga dos Campeões da Europa, mas não foi nem um dos três principais jogadores da conquista do Real Madrid. Já na Copa do Mundo, conseguiu levar a Croácia até a decisão, mas passou longe de ser uma unanimidade como craque do torneio. Como Cristiano Ronaldo e Mohamed Salah, os protagonistas da Champions, ficaram devendo na competição de seleções, o prêmio da Fifa acabou caindo em suas mãos. Mas foi uma vitória por eliminação, não apenas por méritos próprios.

Rafael Reis