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Rafael Reis


Campeonato Alemão volta após 2 meses, mas já sob risco de nova paralisação

Philippe Coutinho defende o Bayern de Munique, líder do Campeonato Alemão - Christof Stache/AFP
Philippe Coutinho defende o Bayern de Munique, líder do Campeonato Alemão Imagem: Christof Stache/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

14/05/2020 04h20

Classificação e Jogos

Exatos sessenta e nove dias depois de ser paralisado em virtude da pandemia do novo coronavírus (Covid-19), o Campeonato Alemão retoma suas atividades neste sábado (16), com a disputa de seis partidas, já sob risco de ser suspenso novamente.

Novos casos de contágio de jogadores e integrantes de comissões técnicas e o risco de uma segunda onda de contaminação no país podem fazer com que o retorno da competição dure pouco.

Para se tornar o primeiro país relevante a da Europa a voltar com sua liga nacional, a Alemanha precisou submeter seu futebol a uma verdadeira operação de guerra nas últimas semanas.

Todos os jogadores das duas primeiras divisões germânicas passaram por três seções diferentes de exames para o coronavírus. Dez deles testaram positivo para a doença e foram levados para um isolamento.

Além disso, todos os atletas precisaram ficar confinados durante uma semana em quartos individuais de hotéis para que a primeira rodada da retomada da Bundesliga possa ser disputada.

Com a competição em andamento, os jogadores continuarão passando por novos testes. E, de acordo com as regras do governo alemão, quem testar positivo precisará entrar em quarentena de 14 dias, junto com todas as pessoas com quem ele teve contato.

Na prática, isso significa que bastam alguns novos casos de Covid-19 nos elencos dos clubes alemães para que a competição precise ser congelada novamente.

O alerta vem da segunda divisão. O Dynamo Dresden, lanterna do torneio, não poderá participar da das duas próximas rodadas porque todo seu elenco entrou em quarentena depois de dois dos seus jogadores serem infectados pelo vírus.

Assim, as partidas contra o Hannover, que seria disputada neste domingo, e ante o Greuther Fürth, originalmente marcada para o dia 22, precisaram ser adiadas.

A preocupação é que se apenas dois casos de um único time da segundona já provocaram um estrago considerável na tabela do retorno do Alemão, imaginem o que pode acontecer se mais atletas de um número maior de clubes pegarem o novo coronavírus.

Para piorar, a Alemanha parece estar entrando em uma segunda onda de proliferação da doença, algo que já está acontecendo em alguns lugares da Ásia, como Wuhan (China) e a Coreia do Sul.

O país comandado por Angela Merkel, que teve até o momento cerca de 170 mil casos e pouco mais de 7.500 mortes por Covid-19, viu seus números de novos infectados voltarem a subir nos últimos dias, após a flexibilização das medidas de isolamento social impostas pelo governo.

Nessa terça-feira, os alemães contabilizaram mais 933 contaminados, quase o triplo do visto no dia anterior.

Desde o fim de semana, a taxa de R, que mede a reprodução do vírus, está acima de 1 no país. Isso significa que cada alemão infectado está transmitindo a doença para pelo menos mais uma pessoa, o que fez a curva da pandemia na Alemanha voltar para a fase ascendente.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 4,1 milhões de pessoas de todos os continentes (com exceção da Antártida, que não é naturalmente habitada) já contraíram o novo coronavírus. O número de mortes já se aproxima de 300 mil.

Rafael Reis