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Rafael Reis


Como pandemia complicou permanência de Icardi no PSG para próxima temporada

Mauro Icardi comemora um dos 20 gols que já marcou pelo PSG - Stephane Mahe/Reuters
Mauro Icardi comemora um dos 20 gols que já marcou pelo PSG Imagem: Stephane Mahe/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

31/03/2020 04h20

Classificação e Jogos

A crise econômica decorrente da pandemia do novo coronavírus (covid-19) pode fazer com que o Paris Saint-Germain abra mão da permanência do seu vice-artilheiro da atual temporada.

Autor de 20 gols em 2019/2020, o atacante argentino Mauro Icardi está emprestado à equipe francesa pela Inter de Milão até o fim de junho.

Antes da proliferação da doença e da paralisação do futebol em praticamente todo o planeta, a compra dos seus direitos econômicos na janela de transferências de julho/agosto era tratada como uma certeza pela diretoria do PSG.

Mas, agora, os 70 milhões de euros (quase R$ 400 milhões) previstos no contrato de empréstimo para que Icardi permaneça em Paris na próxima temporada parecem uma quantia proibitiva.

Ainda que o fundo de investimentos do Qatar que é dono do PSG continue cheio da grana, as perdas financeiras decorrentes da proliferação do vírus e da política de isolamento social necessária para combatê-la deixaram o centroavante caro demais.

O clube francês até tem interesse em manter o argentino em seu elenco, mas gostaria de rediscutir o custo da contratação. O problema, de acordo com o jornal italiano "Gazzetta dello Sport", é que a Inter não está disposta a abdicar do valor estipulado do contrato.

Além da drástica recessão econômica que o mundo da bola deve enfrentar devido à pandemia, um outro fator faz com que o PSG não se anime a depositar tanto dinheiro na manutenção do seu camisa 18.

Dos 20 gols marcados por Icardi nesta temporada, 14 saíram ainda no ano passado. Depois do Reveillón, ele disputou 13 partidas, mas só conseguiu balançar as redes adversárias em seis oportunidades.

A queda de desempenho "ressuscitou" o uruguaio Edinson Cavani, que estava esquecido no banco na primeira metade da temporada, e mandou o argentino para a reserva. Nos dois jogos contra o Borussia Dortmund, pelas oitavas de final da Liga dos Campeões, ele sequer foi aproveitado.

Icardi já teria até um possível destino caso o PSG desista de transformar seu empréstimo em um contrato definitivo. Segundo o jornal italiano "Tuttosport", a Juventus está acompanhando de perto a situação do centroavante na França.

A empresária do jogador, Wanda Nara, que também é sua esposa, nunca escondeu ninguém que prefere morar na Itália a passar seus dias em Paris.

Uma prova disso é que, mesmo em meio à quarentena devido à covid-19, a família Icardi viajou da França para a Lombardia, região de Milão que é o epicentro da doença no planeta. A decisão provocou a revolta do também atacante argentino Maxi López, ex-marido de Wanda e pai dos seus três primeiros filhos.

"Gostaria de saber qual é a razão de você ter rompido a quarentena de uma pandemia mundial, na qual todos pedem para não sairmos de casa, para expor nossos filhos a uma viagem para o epicentro do contágio, na Itália, sem se importar com as consequências disso. O que passa pela sua cabeça nesse momento, quando mais sagrado é a saúde dos nossos filhos", questionou, via redes sociais, o ex-jogador do Vasco, que hoje atua no Crotone.

A pandemia do coronavírus começou mais ou menos na virada do ano e já se espalhou por todos os continentes. Até ontem, a OMS (Organização Mundial de Saúde) confirmava cerca de 700 mil casos da doença em quase todos os países. Os mortos superavam a casa dos 33 mil.

Rafael Reis