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Rafael Reis


Como Marcelo foi de "melhor do mundo" a reserva para jogos pequenos no Real

Hoje reserva do Real Madrid, Marcelo se aquece durante partida contra o Sevilla - Juan Medina/Reuters
Hoje reserva do Real Madrid, Marcelo se aquece durante partida contra o Sevilla Imagem: Juan Medina/Reuters
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

29/02/2020 04h00

Classificação e Jogos

"Marcelo é o melhor lateral esquerdo do mundo". Até dois anos atrás, esse rótulo acompanhava a maior parte dos comentários profissionais ou amadores ditos/escritos sobre o então titular inquestionável da seleção brasileira e do Real Madrid.

Mas esses elogios ficaram no passado. Em 2019/2020, o camisa 12 já não faz mais parte das convocações de Tite e nem costuma figurar nas escalações para os jogos mais importantes do time espanhol.

Por isso, será uma surpresa das grandes se o brasileiro aparecer na escalação do Real para o clássico contra o Barcelona, amanhã (1º), no Santiago Bernabéu, pela 26ª rodada do Campeonato Espanhol.

Aos 31 anos, Marcelo só começou jogando em 15 dos 37 compromissos da equipe merengue nesta temporada. E uma parte considerável dessas escalações foi em jogos contra adversários mais fracos e em partidas de competições que estão longe de serem tratadas como prioridade.

O brasileiro foi titular nas três apresentações do Real na pouco prestigiada Copa do Rei, contra Unionistas, Zaragoza e Real Sociedad. Também atuou durante os 90 minutos nas duas últimas partidas do Espanhol, contra Celta e Levante.

Em compensação, ficou de fora das três partidas mais difíceis deste começo de ano. Nos dois encontros com o Atlético de Madri, um pela Supercopa e outro pela liga nacional, não saiu do banco, situação que se repetiu na derrota por 2 a 1 para o Manchester City, quarta-feira, pela Liga dos Campeões.

A alegação do técnico Zinédine Zidane, que tem uma ótima relação com o jogador e o trata praticamente como um filho, é que a qualidade técnica de Marcelo já não consegue mais compensar as deficiências defensivas que ele sempre apresentou ao longo da carreira.

Mesmo jogando contra adversários mais fracos, o Real acaba tendo um desempenho defensivo pior quando decide utilizar o brasileiro.

A média de gols sofridos pela equipe espanhola nas partidas em que o camisa 12 foi a campo nesta temporada é de 1,12 a cada 90 minutos. Quando a lateral esquerda é ocupada pelo francês Ferland Mendy, essa média cai para 0,76.

Essa diferença obrigou Zidane a abrir mão do seu xodó e companheiro em três conquistas de Liga dos Campeões. Já Marcelo precisou se adaptar a uma situação incomum para quem até pouco tempo atrás era considerado o melhor lateral do mundo: o banco.

O brasileiro, que tem contrato até 2022, está em Madri há 13 anos e já disputou 503 partidas com o uniforme branco. Ele é o segundo estrangeiro que mais atuou pelo clube em todos tempos - fica atrás apenas de Roberto Carlos, seu antecessor na posição, que jogou 527 vezes.

No elenco atual, Marcelo só tem menos partidas que o zagueiro Sergio Ramos (638). Até por isso, apesar de hoje ser reserva, ainda carrega o posto de vice-capitão da equipe.

O clássico de amanhã é um confronto direto que vale a liderança do Espanhol. Com 25 das 38 rodadas já disputadas, o Barça lidera a competição, com 55 pontos, apenas dois a mais que o Real.

Os catalães são os atuais bicampeões nacionais e levantaram o troféu em quatro das cinco temporadas mais recentes. Já a equipe merengue conquistou apenas um título da liga nos últimos sete anos, em 2016/2017.

Rafael Reis