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Rafael Reis


Prisão e acusação de atentado: como ex-Real ficou com fama de "gângster"

Raúl Bravo, em ação pelo Real Madrid, clube que defendeu durante a maior parte da carreira - Efe
Raúl Bravo, em ação pelo Real Madrid, clube que defendeu durante a maior parte da carreira Imagem: Efe
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

10/02/2020 04h00

Raúl Bravo jogou durante dez anos no Real Madrid, dividiu vestiário com Roberto Carlos, Ronaldo, Zinédine Zidane e David Beckham, ganhou dois títulos espanhóis, levantou uma Liga dos Campeões e defendeu a seleção espanhola na Euro-2004.

Apesar de ter construído uma carreira com alguns grandes feitos e momentos inesquecíveis, o ex-lateral esquerdo e zagueiro só viu seu nome ser alçado ao posto de protagonista depois de pendurar as chuteiras.

O problema, para o espanhol de 38 anos, é que essa fama contemporânea nada a tem ver com seus feitos como ex-atleta. Bravo está sim ocupando as manchetes, mas como um "gângster" que aparece nas páginas do jornalismo policial.

Tudo começou há cerca de nove meses. No final de maio, vários jogadores e dirigentes de times das duas primeiras divisões do Campeonato Espanhol foram detidos acusados de participar de um esquema de manipulação de resultados.

Ex-reserva de Roberto Carlos no Real, Bravo foi apontado na época como um dos líderes do esquema. O ex-jogador foi indiciado por fazer parte de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

O espanhol ficou preso durante três dias, deixou a prisão depois de pagar fiança de 100 mil euros (R$ 432 mil) e está aguardando em liberdade a conclusão das investigações e um possível julgamento.

Mesmo com esse caso ainda em aberto, ele já teve seu nome ligado a um outro escândalo. Uma reportagem do jornal sérvio "Telegraf", publicada no mês passado, colocou Bravo como suspeito de ser o mandante de um atentado contra o ex-atacante Darko Kovacevic.

O ex-jogador sérvio, que foi companheiro do espanhol no Olympiacos (GRE), entre 2007 e 2009, foi baleado no dia 7 de janeiro, em frente à sua casa. O tiro, disparado de dentro de um carro, acertou o seu joelho e, por sorte, não acarretou nenhum grande dano à sua saúde.

Segundo o "Telegraf", o atentado aconteceu por ordem do ex-Real Madrid e está ligado à rede de manipulação de resultados. Kovacevic teria conhecimento do esquema, e o tiro recebido seria um aviso de que ele não deve abrir a boca para falar sobre o caso.

Bravo negou a autoria daquilo que chamou de "barbaridade" e fez questão de afirmar que Kovacevic lhe ligou para dizer que acreditava que ele realmente não tinha nada a ver com ao atentado.

"Darko me ligou para perguntar como eu estava e deixou claro que aquilo que foi publicado era uma disparate. Fomos colegas de quarto e temos uma relação muito boa. Essa história não tem pés nem cabeça. Nem a Netflix teria tanta criatividade para fazer um filme", disse o espanhol, à rádio Marca.

O ex-lateral chegou ao Real Madrid com 16 anos e permaneceu por lá até os 26. Depois, jogou em times menores da Espanha, passou pela Bélgica e encerrou a carreira na Grécia, em 2017. Pela seleção, ele disputou 12 partidas entre 2002 e 2004.

Rafael Reis