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Rafael Reis


Por que Neymar apanha até 3 vezes mais que outros craques do 1º escalão?

Neymar sente dores durante a partida entre PSG e Montpellier, pelo Campeonato Francês - MARTIN BUREAU/AFP
Neymar sente dores durante a partida entre PSG e Montpellier, pelo Campeonato Francês Imagem: MARTIN BUREAU/AFP
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

09/02/2020 04h00

Classificação e Jogos

Nas 14 partidas do Campeonato Francês que disputou até o momento nesta temporada, Neymar sofreu 59 faltas. Só no jogo contra o Montpellier, no último fim de semana, foram sete infrações sobre o camisa 10 do Paris Saint-Germain.

Não que ser caçado em campo seja uma novidade para o atacante brasileiro. Desde que chegou ao Barcelona, em 2013, ele sempre esteve no top 5 do ranking dos jogadores que mais apanham nas cinco principais ligas nacionais da Europa (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França).

Mas o que chama atenção é como a cria da base do Santos leva uma quantidade muito maior de porradas que os outros astros do primeiro escalão do futebol mundial. Essa diferença chega perto da casa dos 400%.

Segundo o "WhoScored?", site especializado nas estatísticas do futebol, a média de faltas sofridas por Neymar na atual temporada é a segunda maior do Velho Continente: 4,2 por partida —fica atrás apenas do inglês Jack Grealish, do Aston Villa, com 4,8.

Só que essa marca é bastante superior à dos outros atacantes mais temidos do planeta. O português Cristiano Ronaldo (Juventus) sofre em média 1,7 falta por partida, o argentino Lionel Messi (Barcelona), 1,5, e o francês Kylian Mbappé (PSG), 1,1.

Como explicar uma diferença tão gritante? Por que os zagueiros e volantes adversários que parecem nutrir um amor platônico pelos tornozelos de Neymar "aliviam" para os outros craques?

A principal resposta para essa pergunta é bastante simples. O craque brasileiro "pede" para sofrer muitas faltas.

Não, não é que o camisa 10 do PSG seja masoquista e tenha prazer em sentir dor ou ver os hematomas deixados pelas travas das chuteiras em sua perna. Só que seu estilo de jogo é um prato cheio para quem deseja lhe descer a porrada.

Cristiano Ronaldo passa hoje boa parte do tempo dentro da área, "protegido" pelo risco de marcação de pênalti. Messi só costuma partir em jogadas individuais quando já está em um setor onde faltas são perigosíssimas. E Mbappé costuma driblar em velocidade, o que faz com seus marcadores não consigam alcançá-lo.

Neymar, por outro lado, dribla em qualquer parte do campo e, muitas vezes, quando a bola está parada ou se movimentando bem lentamente. Por isso, sofre tantas faltas, principalmente quando está na faixa lateral do gramado ou ainda distante do gol adversário.

Além disso, o brasileiro sabe que dribles podem ter o poder de irritar os marcadores e incentivá-los a cometer infrações dignas de cartão amarelo ou, em casos, até de expulsão. E ele se utiliza bastante desse recurso.

Quanto tudo funciona, é lindo. O astro aumenta bastante as chances de vitória do seu time ao deixar o adversário carregado de advertências (e, por isso, temendo exagerar em novas faltas) ou com jogadores a menos.

Só que, de vez em quando, isso dá errado. E aí, quem paga o pato é o próprio Neymar.

Assim, acontecem cenas como a do último fim de semana, quando o atacante levou cartão amarelo após discutir com o árbitro depois de aplicar uma lambreta contra marcadores do Montpellier. E também as várias lesões que o têm perseguido nos últimos anos.

É por causa de uma delas, aliás, que Neymar é desfalque para o PSG, hoje, no clássico contra o Lyon. O brasileiro se recupera de uma contusão na costela sofrida justamente na partida ante o Montpellier.

Rafael Reis