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Rafael Reis


Como ida de Marí para o Arsenal pode atrair jogadores europeus ao Brasil

Pablo Marí veste a camisa do Arsenal depois de um semestre no Flamengo - Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty Images
Pablo Marí veste a camisa do Arsenal depois de um semestre no Flamengo Imagem: Stuart MacFarlane/Arsenal FC via Getty Images
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

31/01/2020 04h20

Classificação e Jogos

A transferência do zagueiro espanhol Pablo Marí do Flamengo para o Arsenal - por empréstimo em um primeiro momento, mas com chance de se tornar definitiva na próxima temporada - é uma das melhores notícias que o Mercado da Bola 2020 trouxe para o futebol brasileiro.

O caso do defensor mostra que vir jogar no país pentacampeão mundial pode ser uma interessante catapulta para a carreira de jogadores europeus que estão esquecidos em times menores do Velho Continente.

Vale lembrar que Marí, apesar de ter contrato com o Manchester City naquela altura, havia acabado de disputar a segunda divisão espanhola pelo Deportivo La Coruña e estava completamente fora do radar das equipes de ponta quando foi contratado pelo Flamengo.

Bastaram seis meses no Brasil para ele retornar à Europa para jogar em um dos maiores clubes da Inglaterra, país que tem liga nacional mais prestigiada do planeta. Uma ascensão social rápida e inquestionável que pode incentivar outros estrangeiros a seguirem o mesmo caminho e se arriscarem por aqui.

É claro que o caso do espanhol tem algumas particularidades que não serão repetidas para todos os europeus que tentarem o sorte na terra de Pelé.

A primeira é que Marí fez parte de um time que foi totalmente fora da curva. Em só um semestre, ele foi campeão nacional, da Libertadores e arrastou o Liverpool até a prorrogação no Mundial de Clubes.

Além disso, os feitos do Flamengo conseguiram ganhar repercussão internacional porque seu técnico, Jorge Jesus, é um velho conhecido do mercado europeu. Em Portugal, páginas e mais páginas de jornais e sites foram dedicadas à campanha rubro-negra.

Para completar, o novo time do zagueiro espanhol tem um brasileiro como responsável pela busca de reforços. E Edu Gaspar, ex-coordenador de seleções da CBF e hoje diretor técnico do Arsenal, certamente estava mais ligado no que acontecia por aqui do que os seus correspondentes europeus.

Mesmo com todas essas especificidades, a transferência de Marí para os Gunners pode sim ajudar o mercado brasileiro a ser considerado como uma opção estratégica para jogadores europeus, ou até mesmo de outros continentes, que não ainda não estejam na fase final da carreira.

Apesar de normalmente pagar menos que o Oriente Médio, por exemplo, o futebol verde e amarelo possui um nível de competitividade maior, temperaturas mais agradáveis e, agora, uma visibilidade bem mais favorável para um possível futuro retorno à Europa.

Então, é hora dos dirigentes brasileiros abandonarem o "mais do mesmo" na hora de contratar e mergulharem em novos mercados para atraírem outros jogadores ao país. A porta está aberta. E muito por culpa de Marí.

O período permitido para contratações nos principais campeonatos nacionais da Europa (Espanha, Itália, Inglaterra, Alemanha e França) termina hoje. Já no Brasil, a janela para a chegada de reforços vindos do exterior fecha apenas em 2 de abril.

Rafael Reis