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Rafael Reis


Ele nasceu Romário, foi descoberto por Ronaldinho e pôs Cebolinha no banco

Romarinho, em ação pelo Sirens, time que disputa a primeira divisão de Malta - Divulgação
Romarinho, em ação pelo Sirens, time que disputa a primeira divisão de Malta Imagem: Divulgação
Rafael Reis

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Londrina e mestre em comunicação pela Fundação Cásper Líbero, foi repórter da Folha de S. Paulo por nove anos e mantém um blog sobre futebol internacional no UOL desde 2015.

30/01/2020 04h00

Ele se chama Romário, tem 1,69 m de altura, vestiu a camisa 11 durante a maior parte da carreira, anda com aquele ar marrento e tinha fama de chegar atrasado nos treinos já na época das categorias de base.

Não, essa não é a história do protagonista do tetracampeonato mundial e hoje senador da República pelo Rio de Janeiro, mas sim de uma das várias crianças de 1994 que foram batizadas em homenagem a ele.

Romarinho, meia-atacante cearense que começou a carreira no Fortaleza e atualmente defende o Sirens, quinto colocado na primeira divisão de Malta, nasceu no dia 5 de julho daquele ano, enquanto Copa do Mundo rolava a todo vapor.

A escolha do seu nome não foi porque seus pais tinham uma admiração especial pelo Baixinho, mas sim uma "recompensa" pelo craque ter feito o gol de abertura da vitória por 2 a 0 sobre a Rússia, na estreia brasileira na competição.

"Meu pai decidiu que eu teria o nome de quem fizesse o primeiro gol do Brasil na Copa. Minha mãe brigou com ele porque queria me batizar de Lucas. No fim, fiquei Romário Lucas", afirmou, ao blog, por telefone.

Mas o nome e a escolha da carreira nos gramados não são as únicas coincidências entre o Romário original e o Romarinho que veio ao mundo para homenageá-lo.

"Sempre fui baixinho. Quando eu era menor, andava do mesmo jeito que ele e era muito veloz. Todo mundo falava que eu parecia o Romário, até meu técnico. No meu primeiro dia de treino na primeira escolinha de futebol que frequentei, cheguei atrasado e expliquei que foi porque eu estava com sono. Ele riu e disse: "é muito igual mesmo'", contou.

O nome desse treinador também remete ao mundo do futebol: Ronaldinho.

Nos tempos em que era comandado pelo xará do Fenômeno e do Gaúcho, Romarinho tinha mais uma característica em comum com seu homônimo: era um homem de área com a obrigação principal de balançar as redes. Mas isso mudou com o tempo.

"Eu era matador mesmo. Mas, no futebol de hoje, os treinadores preferem que os atacantes de área sejam mais altos e fortes. Por isso, passei a atuar como segundo homem de frente ou pelos lados do campo", explicou.

Foi assim que Romarinho obteve um dos feitos que mais se orgulha na carreira. Na Copa São Paulo de 2013, deixou no banco Éverton Cebolinha, hoje craque consagrado do Grêmio e jogador da seleção brasileira.

"Ele é dois anos mais novo que eu. Então, acabou sendo meu reserva. Subi para o time principal do Fortaleza aos 17 anos. Joguei três temporadas, mas tive muitas lesões por lá. Mesmo assim, tenho um carinho enorme pelo clube", disse o atacante.

Romarinho ainda passou por vários clubes menores daqui do Brasil até ser levado para Malta, no começo da temporada. Contratado pelo Floriana, time 25 vezes campeão nacional, foi cedido ao Sirens, que acabou de subir para a primeira divisão.

Com cinco gols em 12 partidas, ele é o artilheiro da equipe na competição. Motivo de sobra para estar feliz e se sentir em casa no arquipélago localizado ao sul da Itália. "Aqui está cheio de cearense", brinca.

Rafael Reis