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E se jogadores do Botafogo levarem a campo faixa pedindo salários em dia?

Jogadores do Botafogo exibem faixa de protesto antes de jogo contra a Cabofriense: mas os salários seguem atrasados - Thiago Ribeiro/AGIF
Jogadores do Botafogo exibem faixa de protesto antes de jogo contra a Cabofriense: mas os salários seguem atrasados Imagem: Thiago Ribeiro/AGIF
Mauro Cezar Pereira

Mauro Cezar Pereira nasceu em Niterói (RJ) e é jornalista desde 1983, com passagens por vários veículos, como as Rádios Tupi e Sistema Globo. Escreveu em diários como O Globo, O Dia, Jornal dos Sports, Jornal do Brasil e Valor Econômico; além de Placar e Forbes, entre outras revistas. Na internet, foi editor da TV Terra (portal Terra), Portal AJato e do site do programa Auto Esporte, da TV Globo. Trabalhou nas áreas de economia e automóveis, entre outras, mas foi ao segmento de esportes que dedicou a maior parte da carreira. Lecionou em faculdades de Jornalismo e Rádio e TV. Colunista de O Estado de S. Paulo e da Gazeta do Povo, desde 2004 é comentarista dos canais ESPN.

29/06/2020 10h36

A entrada em campo contra a Cabofriense com uma faixa de protesto contra a volta do futebol rendeu justos elogios ao Botafogo. Ao mesmo tempo, serve como uma cortina de fumaça para os muitos problemas que se arrastam no clube, independentemente da pandemia do novo coronavírus.

Há algumas semanas o clube ainda sonhava com Yaya Touré, de 37 anos, que depois optou por uma possibilidade no Vasco em 2021. Em seguida, o ex-meia do Manchester City mandou vídeo com um "no, thank you". Paralelamente, o clube segue com salários em atraso. Faz sentido não pagar seus profissionais e pensar em reforços internacionais? Para dirigentes parece que sim.

Agora falam em Salomon Kalou, outro veterano (34) com passagem pela Premier League (Chelsea), que encerrou sua temporada na Alemanha. Pela Bundesliga 2019/2020, o também marfinense fez cinco partidas, uma como titular, marcando um gol. "Ele está doido para vir para o Botafogo", disse ao UOL Esporte Carlos Augusto Montenegro, do conselho do futebol alvinegro.

É lógica a postura botafoguense contrária à volta dos jogos no atual cenário da pandemia, enquanto em outros Estados isso ainda não acontece. Mas isso não pode maquiar, disfarçar os atrasos de salários que são rotina bem anterior ao surgimento do vírus. No começo de junho, por exemplo, foi pago o mês de março, mas sem direito de imagem e com funcionários ainda à espera.

Em março, quando a doença paralisou os campeonatos pelo mundo, empregados e jogadores do clube já conviviam há tempos com a falta de pagamento em dia. Por esse motivo, um ano antes da crise, os atletas resolveram não dar entrevistas, tampouco participar de ações de marketing. Depois, em abril de 2019, avisaram à direção que não se concentrariam.

Jogadores do Botafogo se ajoelham em ato contra o racismo na partida contra Cabofriense pelo Campeonato Carioca - DIEGO MARANHÃO/AM PRESS & IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDO - DIEGO MARANHÃO/AM PRESS & IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDO
Jogadores do Botafogo se ajoelham em ato contra o racismo na partida contra Cabofriense pelo Estadual
Imagem: DIEGO MARANHÃO/AM PRESS & IMAGES/ESTADÃO CONTEÚDO


Se a COVID-19 paralisou o futebol e asfixiou as finanças dos clubes, as do Botafogo há tempos "respiram por aparelhos". E mesmo sem fôlego não cessam as tentativas de contratações envolvendo nomes que perdem espaço na Europa. Mas que dificilmente deixarão de exigir remuneração indexada a moedas estrangeiras. Como sentem-se os demais?

O africano, por sinal, causou problemas ao quebrar protocolos de higiene da organização do Campeonato Alemão na pandemia do novo coronavírus. Ele pediu desculpas, mas foi suspenso pelo Hertha Berlim. Em live publicada em sua conta no Facebook, Kalou apareceu apertando a mão de colegas de time e de integrantes da comissão técnica. Ele poderia segurar a faixa de domingo?

O clube espera quota de televisão, que deverá ser paga já que o Campeonato Estadual recomeçou, para quitar os meses em atraso, entre valor registrado em carteira e direito de imagem. Enquanto isso não acontece, será que os dirigentes iriam aprovar se os jogadores do Botafogo resolvessem entrar em campo exibindo um cartaz com a frase: "Queremos salários em dia"?

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Mauro Cezar Pereira