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Tales Torraga

OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

Esta é a melhor Argentina pós-Maradona (e eis um grande problema para ela)

Lionel Messi, capitão da Argentina, levanta taça da Finalíssima após vitória de 3 a 0 diante da Itália - Shaun Botterill/Getty Images
Lionel Messi, capitão da Argentina, levanta taça da Finalíssima após vitória de 3 a 0 diante da Itália Imagem: Shaun Botterill/Getty Images

Colunista do UOL

02/06/2022 04h00Atualizada em 02/06/2022 09h11

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* O baile sobre a desnorteada Itália não trouxe nada diferente do que Copa América e Eliminatórias já mostravam desta Argentina: apetite, pressão alta e ataque direto. Dizem em Buenos Aires que, com Lautaro Martínez, a azul e branca já seria tri, porque ganharia a Copa de 2014. Difícil discordar.

* São agora 32 jogos argentinos de invencibilidade — não se sentir invencível será o grande desafio até o Qatar.

* A euforia já domina imprensa e torcida. A fome de título tem tudo para gerar agonia, muito mais que apoio. O clima de "já ganhou" ao longo da história já atrapalhou seleções argentinas excelentes e experientes. Convém abrir o olho — e de preferência bem longe das redes sociais.

* "Impossível analisar qualquer coisa com semelhante nível de loucura", bradava ontem à noite na ESPN portenha o comentarista Chavo Fucks.

* Esta é a melhor Argentina pós-Maradona. Não nos esquecemos das Eliminatórias de Loco Bielsa ou do vice de Alejandro Sabella no Brasil-2014. Mas esta seleção é melhor, como mostra o título da Copa América (o primeiro desde 1993) e a atual invencibilidade (a maior da história do país).

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Di María deslocou Donnarumma com categoria e balançou as redes para a Argentina na partida contra a Itália
Imagem: Ben Stansall / AFP

* Há time, há grupo e há técnico. Impossível desmerecer Lionel Scaloni e suas acertadas apostas em Dibu Martínez, Cuti Romero, Rodrigo de Paul, Lo Celso e Lautaro Martínez.

* Convém recorrer a um mestre argentino como Sabella, que analisava desta maneira sua campanha no Brasil em 2014: "Nós, argentinos, pensamos que somos mais do que somos, e isso tem um lado bom e um lado mau. É nossa forma de ser, uma questão cultural. Quando era pequeno, ouvia que éramos os melhores do mundo, mas não tínhamos sido ainda os campeões do mundo. Faz parte de nossa cultura".

* Eis dimensão do que espera por Messi e Scaloni.

* "Este grupo está preparado para qualquer coisa", comemorou Messi ontem em Wembley. "A Copa do Mundo é outra coisa, com outras pressões", reforçou Scaloni. Santa serenidade.

* Algumas frases de ontem à noite na acalorada mesa-redonda do canal de TV TyC Sports: "Argentina é a grande favorita para ganhar o Mundial, não quero mais ouvir falar da França. Me emociona este rendimento ante uma potência com história e campeã da Eurocopa", cravou Guido Glait.

* "A Argentina demonstrou que está dez degraus acima da campeã da Europa", reforçou Julio Pavoni. "Esta Argentina tem tanta personalidade que resolveu o jogo com muita autoridade", finalizou Gringo Cingolani.

* "Estado de graça", foi a manchete do site do "Olé", que preferiu um moderado "Leões de Wembley" na sua capa de hoje.

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Capa do jornal argentino "Olé" nesta quinta-feira
Imagem: Reprodução

* A Argentina volta a campo agora às 15h (de Brasília) de domingo (5), contra a Estônia, no estádio do Osasuna, na Espanha. Uma boa oportunidade para "desativar" a invencibilidade?

* "Este time precisa deixar de dar importância à invencibilidade e pensar em outra coisa. Chega um ponto que o jogador pensa que é imbatível, e quando você recebe um golpe na Copa, o que fazer?", questionou o comentarista Cristian Garófalo, também da TyC Sports.

* "Você come tanto doce de leite que quando chega um biscoito amargo, nem sabe o gosto", reforçou Germán García Grova, na mesma mesa-redonda e na mesma análise sobre a necessidade de escorregar daqui até o Qatar — e não nele.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL