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O festival de contradições de Augusto Melo

Só para começar, o repórter Rodrigo Vessoni, do portal Meu Timão, perguntou qual a razão de o empresário Igor Zveibrucker estar sempre presente ao Centro de Treinanemto Joaquim Grava, e se emprestou dinheiro ao Corinthians. Augusto Melo começou a resposta dizendo que "ele é gente boa." Em seguida, retrucou a premissa da questão: "Quando ele esteve aqui?" Vessoni respondeu: "Na entrevista coletiva do Cássio, por exemplo, ele estava aqui." Como se fosse um menino flagrado numa travessura, Melo retrucou: "Mas não é todo dia, como você está dizendo."

Este é só o primeiro exemplo das contradições de Augusto Melo em sua desastrada e tensa entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira. Tentou dizer que sua diretoria não saiu, mas foi trocada. Quando todo mundo sabe que o Movimento Corinthians Grande (MCG) desembarcou da gestão na última sexta-feira, fruto também do descontentamento do vice-presidente Armando Mendonça, que resultou nos pedidos de demissão do diretor financeiro, Rozallah Santoro, e do diretor-adjunto de futebol, Fernando Alba.

Augusto Melo disse que o Corinthians recuperou a credibilidade e atrai grandes empresas do país. Mas o Corinthians ironizou em nota a saída da Vai de Bet, argumento se tratar de uma empresa desconhecida que ganhou notoriedade depois do acordo com o clube. Se esta última frase é absolutamente verdadeira, por que não se assinou contrato com uma das grandes empresas que, supostamente, procuram o Parque São Jorge.

Melo atribui as notícias à oposição, sem notar que, neste momento, os grupos descontentes devem ser numerados assim, no plural. Não há mais oposição, mas oposições. São dezesseis grupos políticos no Parque São Jorge, nove escolheram Augusto Melo para a presidência, pelo menos dois já deixaram de apoiar.

Desde que veio à tona a informação de que a Rede Social Media recebeu do Corinthians e repassou perto de R$ 1 milhão a uma empresa laranja, só o que Augusto Melo deveria anunciar é que chamou a polícia e pediu também ao Ministério Público para seguir o dinheiro, para saber se alguém de dentro do clube recebeu a quantia ou parte dela. Não importa de onde a informação veio, interessa para onde o dinheiro foi. A única maneira de o Corinthians recuperar parte da credibilidade perdida é ter um presidente obcecado por desvendar o mistério.

Augusto Melo prefere acusar a oposição. Que situação!

Opinião

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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