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Newsletter: 5 números para medir o tamanho do feito de Rebeca Andrade

Esta é parte da versão online da newsletter Olhar Olímpico enviada hoje (10). A newsletter completa ainda fala sobre a saída de Renan Dal Zotto do comando da seleção masculina de vôlei após a classificação para Paris-2024, os resultados do Brasil no skate no fim de semana e o impressionante resultado do novo recordista mundial da maratona, que em breve pode se tornar o primeiro ser humano a correr a prova oficialmente em menos de 2 horas. Quer receber antes o pacote completo, com a coluna principal e mais informações, no seu e-mail, na semana que vem? Clique aqui e se inscreva na newsletter. Para conhecer outros boletins exclusivos, assine o UOL.

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A esta altura, o querido leitor e a querida leitora já sabem que Rebeca Andrade ganhou cinco medalhas no Mundial de Ginástica Artística. A saber: ouro no salto, prata no individual geral, por equipes e no solo, e bronze na trave.

Nunca um brasileiro havia ganhado tantas medalhas em um mesmo Mundial, de qualquer modalidade olímpica. Mas o feito de Rebeca é gigante não só quando colocado em perspectiva dentro do esporte brasileiro. Também da ginástica, e alguns números mostram isso:

22

O site The Medal Count tem um ranking que dá pontos diferentes para ouro, prata e bronze, em Mundiais e Olimpíadas. Rebeca, que até 30 meses atrás tinha zero pontos, agora tem 22. Está a um da romena Nadia Comaneci, na 19ª colocação. À frente dela, só romenas, russas, norte-americanas e atletas de países que não existem mais (Tchecoslováquia, URSS e Alemanha Oriental). Se na Olimpíada de Paris-2024, a brasileira só repetir o que conquistou em Tóquio-2020, entra para o top10 da história. Mas, em forma, deverá fazer muito mais.

3

Da mesma fonte: só três vezes, na história das grandes competições, duas ginastas ganharam cinco ou mais medalhas cada. Em 1987 e 2001, com dobradinhas Romênia x Rússia. E agora, com Simone Biles e Rebeca. Para a história!

26

Aos 26 anos, Simone Biles quebrou dois recorde etários na Antuérpia: a atleta mais velha a disputar um Mundial pelos EUA e a mais velha a ser campeã mundial do individual geral. E por que isso importa para Rebeca? Porque mostra que longevidade e resultados combinam, sim, na ginástica. Biles já disse que vai parar após Paris-2024. Em 2025, será a brasileira a ter 26 anos, sem a concorrência da melhor da história.

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11ª

Como observou o perfil Gymnastics Wikipedian, que abastece a enciclopédia virtual com informações sobre ginástica artística, Rebeca se tornou só a 11ª ginasta do mundo a ter, em sua coleção, medalhas em todas as seis provas da modalidade (equipe, individual geral, solo, trave, salto e barras). Neste século, só Biles e a russa Aliya Mustafina haviam conseguido isso. A brasileira é a terceira.

Muito graças aos resultados de Rebeca, mas também à prata do Brasil por equipes e o bronze de Flávia Saraiva no solo, o país fechou o Mundial só tendo ido menos vezes ao pódio do que EUA (11) e China (sete). Com seis medalhas, ficou à frente até do Japão, que ganhou cinco. Isso em um Mundial Pré-Olímpico, quando quem tinha que tirar o pé, como Biles, já tirou.

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Mais 5 comentários sobre o Mundial

Não faz muito tempo, o Brasil precisava de uma semana inteira de Olimpíada para ganhar seis medalhas. Na semana passada, ganhou tudo isso, e fez outros resultados interesssantes, em um único Mundial de ginástica artística. Dá para falar muita coisa sobre, mas vamos resumir em apenas mais cinco pontos.

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1 - O esporte brasileiro colhe os frutos da paciência e do investimento. Flávia Saraiva se classificou a 11 finais de grandes eventos (três de Olimpíadas, oito de Mundiais) até ganhar sua primeira medalha. Foram sete anos e algumas lesões entre o quinto lugar na trave na Rio-2016 e o mais que merecido bronze no solo em 2023. Valeu a pena esperar.

2 - A frase acima deve ser multiplicada por cinco quando o assunto é Jade Barbosa. Ela esperou incríveis 13 anos para voltar ao pódio de um Mundial. Nesse período, passou por todo tipo de turbulência, todo tipo de lesão e não sucumbiu à tentação da aposentadoria. Foi irmã mais velha, amiga, mãe, referência para as mais novas, principalmente Flavinha. E agora colhe os frutos, aos 32 anos, por ela e pelas que vieram antes dela, com a prata por equipes.

3 - Rebeca Andrade briga, sim, por seis medalhas em Paris. A tendência é ser um caminho mais difícil, mas ainda assim possível. A Itália promete ter uma equipe fortíssima, as russas podem voltar nas provas individuais, mas o Mundial Pré-Olímpico serve sempre de referência. Na trave, onde ela sempre teve mais dificuldade (ou menos facilidade?), fez o melhor na hora H pra levar o bronze. Nas assimétricas, não pegou final, mas chegou a fazer um 14,500 que valeria quinto lugar na final, à frente de Biles. Tirar 0,266, para quem cresce em finais, seria muito possível.

4 - A ginástica masculina do Brasil ficou fora da Olimpíada por equipes, mas ainda pode fazer bonito em Paris. Diogo Soares terminou em 10º no individual geral, apesar de ter só 21 anos. Caio Souza, nosso melhor generalista nos últimos sete anos, só chegou no top10 no Mundial passado aos 29 anos. Diogo merece o investimento e a paciência que Rebeca e Flávia receberam.

5 - Arthur Nory ainda não se classificou a Paris, mas pode conseguir a vaga pelo circuito de Copas do Mundo do ano que vem, na barra fixa. Se conseguir um dos dois passaportes em disputa, poderá competir em todas as provas nas Olimpíadas. Mas sem a pressão da prova por equipes, poderá focar onde tem mais chance de medalhas. Já Arthur Zanetti operou o ombro e, ao que tudo indica, caminha para a aposentadoria.

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Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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