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Natação: Brasil fracassa nos 100m livre e tem pior desempenho em 17 anos

Marcelo Chierighini se prepara para nadar os 100m livre na Rio-2016 - REUTERS/Stefan Wermuth
Marcelo Chierighini se prepara para nadar os 100m livre na Rio-2016 Imagem: REUTERS/Stefan Wermuth
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

21/06/2022 10h58

Os 100m livre masculino já foram a prova mais forte da natação brasileira. Hoje, são um dos calcanhares de Aquiles do país. Nesta terça-feira (21), os dois atletas do país que disputaram as eliminatórias do Campeonato Mundial em Budapeste, na Hungria, não conseguiram passar pelas eliminatórias.

O desempenho é o pior do Brasil desde 2005, quando não enviou representantes ao Mundial daquele ano nos 100m livre. Em 2007 o país já tinha na final um jovem Cesar Cielo, que seria campeão em 2009 e finalista em 2011. Marcelo Chierighini esteve nas finais de 2013, 2015, 2017 e 2019. Na última edição, ainda teve a companhia de Breno Correia.

Prata no Mundial de 2017 no revezamento 4x100m livre, o Brasil, porém, passou a nadar para trás. Fez modestos 25º e 32º lugares com Pedro Spajari e Gabriel Santos nas Olimpíadas de Tóquio e, hoje, viu seus representantes terminarem em 25º e 26º lugares no Mundial. Gabriel, com 48s89, ficou oito centésimos à frente de Marcelo.

Considerando apenas os nadadores do continente americano, Gabriel fez só o oitavo melhor tempo. À frente dele, atletas de países como Trinidad & Tobago, Ilhas Cayman e Aruba. Ou seja: se fosse um Pan, o Brasil só entraria com um atleta na final, e raspando. Desse jeito, há o risco real de, no Pan do ano que vem, o país ficar fora do pódio de uma prova em que foi vencedor em seis das últimas oito edições.

O momento ruim dos velocistas brasileiros também preocupa pensando no revezamento 4x100m livre masculino, que nos últimos ciclos se mantinha como uma das poucas apostas de medalha da natação do Brasil. Em Budapeste, mesmo palco onde ganhou prata mundial há cinco anos, em uma disputa braçada a braçada com os EUA, desta vez o Brasil foi só sétimo.

Cachorrão, de novo

Na sessão da tarde, o Brasil conseguiu um bom resultado, novamente com Guilherme Costa, o Cachorrão. Ele, que já havia sido medalhista de bronze nos 400m livre, foi desta vez quinto colocado nos 800m livre. Nadando uma prova de fundo, onde foi projetado para a natação internacional, Cachorrão estabeleceu novo recorde sul-americano: 7min45s48.

A medalha de ouro da prova ficou com o norte-americano Bobby Finke, com o tempo de 7min39s36. A prata foi para o peito do alemão Florian Wellbrock e, o bronze, para Mykhallo Romanchuk, da Ucrânia. Oitavo em Tóquio, Cachorrão desta vez só terminou atrás dos quatro primeiros colocados daquela Olimpíada. A distância para o pódio caiu pela metade: de 11 segundos para 5 e meio.

Cachorrão não conseguiu manter o ritmo de prova. Ele chegou a nadar uma piscina em 29s07 para fechar os 200 primeiros metros em primeiro, mas desacelerou. Enquanto o ucraniano fazia tempos na casa de 28 segundos, o o brasileiro teve 29s36 como melhor parcial na segunda metade da prova, e acabou ficando para trás.

Dia ruim

A etapa da manhã foi muito ruim para o Brasil. Nenhum nadador avançou das eliminatórias e, por isso, ninguém mais nadou a etapa da tarde, exceto Cachorrão, que havia participado ontem das eliminatórias dos 800m livre.

Nos 200m medley masculino, nem Vini Lanza nem Caio Pumputis conseguiram repetir o que fizeram no Troféu Brasil. Vini terminou em 23º e Caio foi desclassificado por irregularidade no nado peito.

Individualmente, o melhor desempenho foi de Giovanna Diamante, que nadou os 200m borboleta um segundo abaixo do que fez no Troféu Brasil e acabou na 18ª colocação. No 4x100m medley misto, o Brasil terminou em nono, mas a um segundo e meio de uma vaga na final. O time teve Guilherme Bassetto, João Gomes Jr, Giovanna Diamante e Stephanie Balduccini.