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Jamaica repete 'Abaixo de Zero' e volta aos Jogos de Inverno após 24 anos

Equipe de bobsled da Jamaica - Divulgação/Jamaican Bobsleigh & Skeleton Federation
Equipe de bobsled da Jamaica Imagem: Divulgação/Jamaican Bobsleigh & Skeleton Federation
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

18/01/2022 13h48

Foram vinte e quatro anos de ausência, mas a Jamaica vai novamente ter um trenó competindo no 4-man do bobsled nos Jogos Olímpicos de Inverno. O objetivo é recomeçar uma história que, de tão marcante na história da modalidade e das Olimpíadas, deu origem ao popular filme "Jamaica Abaixo de Zero" ("Cool Runnings" no título original).

Para quem não viveu os anos 1990 ou nunca assistiu ao filme, um pouco de história: a Jamaica, que nunca havia participado das Olimpíadas de Inverno, decidiu usar o talento natural dos jamaicanos para corridas curtas (vide Bolt) e montou uma equipe de bobsled. Os cinco jamaicanos escolhidos encararam o frio pela primeira vez, se adaptaram a trenós defasados, e conseguiram vaga para disputar os Jogos de Calgary, no Canadá, em 1988.

A equipe não fez feio, chegando a fazer tempos melhores que Portugal e Austrália na primeira de quatro descidas. Mas, na última, o trenó tombou na última curva. Em uma imagem histórica, eles terminaram a prova caminhando até a linha de chegada. Isso passou ao vivo na TV dos EUA e sensibilizou os norte-americanos, a ponto de virar enredo de filme.

Com investimento, a equipe ainda voltou a outras três edições dos Jogos Olímpicos, a última delas em 1998, alcançando um histórico 14º lugar em 1994. Depois disso, a Jamaica até foi outras vezes à Olimpíada, mas no 2-man e no 2-woman, trenós para duas pessoas no masculino e no feminino.

Em Pequim, pela primeira vez na história, a Jamaica terá representantes em três provas do bobsled: o 4-man, o 2-man e o monobob feminino (trenó para uma pessoa, que estreia no programa). No 2-woman feminino, a equipe ficou a um posto da vaga e aguarda realocações.

O resultado vem na esteira de um pesado investimento da federação local, que comprou novos trenós e contratou a treinadora britânica Jo Manning, que até então trabalhava com a seleção brasileira. Os jamaicanos não pararam de treinar nem no auge da pandemia, quando o o piloto Shanwayne Stephens viralizou empurrando seu próprio automóvel como parte do treinamento.

Piloto daquela equipe que fez história em Calgary, em 1988, e que virou filme, Sam Clayton faleceu em abril de 2020, vítima do coronavírus. Outro personagem histórico, Chris Stokes, que era o primeiro reserva do time pioneiro e irmão de Dudley Stoke, titular, é agora o presidente da federação de bobsled da Jamaica.

Além dos cinco atletas no bosled, a Jamaica também terá um esquiador em Pequim: Benjamin Alexander, um ex-DJ criado na Grã-Bretanha. Ele será apenas o segundo jamaicano a competir na neve em Olimpíadas.

Os Jogos de Inverno de Pequim começam no próximo dia 4 de fevereiro, mas com provas já no dia 2, uma quarta-feira, prosseguindo até o dia 20. O Brasil anunciou ontem uma equipe de 10 atletas, incluindo quatro do bobsled. O país conseguiu vaga no 4-man e no 2-man. Nos dois casos, terminou à frente da Jamaica no ranking olímpico. No trenó para duas pessoas, em que havia mais vagas disponíveis, Trinidad & Tobago também se classificou, voltando aos Jogos após 20 anos.