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REPORTAGEM

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Rafaela jogará Superliga de Vôlei após ser zagueira no Carioca de Futebol

Rafaela Patallo, jogadora de vôlei - Divulgação
Rafaela Patallo, jogadora de vôlei Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

12/01/2022 04h00

Até novembro, Rafaela Patallo pensava em gols, escanteios, pênaltis, impedimentos. Agora, a cabeça dela está em saques, bloqueios, levantamentos, manchetes. Zagueira do Boavista na última edição do Campeonato Carioca de Futebol Feminino, a mineira de 29 anos foi anunciada esta semana como reforço do Curitiba Vôlei para a Superliga Feminina. Entre um torneio e outro, foi vice-campeã carioca de beach soccer pelo time de Saquarema.

"Eu sempre gostei de esporte, praticava muito esporte quando criança, e vôlei e futebol eram duas paixões. Mas nunca havia treinado futebol, só jogava assim na rua, quando era menor", conta Rafaela, que tem como profissão ser jogadora de vôlei.

Depois de defender clubes como o Barueri, na base, o Fluminense e o Araraquara, no adulto, a ponteira seguiu para a França em 2017 para jogar pelo Harnésien. Quando a temporada passada acabou, mesmo tendo propostas para seguir morando na França, ela optou por voltar ao Brasil e ficar mais perto da família. Sem clube, passou a treinar em uma rede de vôlei de areia no Rio de Janeiro.

Convidada a manter a forma em um centro de treinamento de futebol voltado a jovens que querem fazer intercâmbio estudantil nos Estados Unidos, aceitou. "Estava treinando só para manter o físico, e o técnico me viu e falou comigo: 'nossa, você joga bem'.", lembra. Logo veio o convite para defender o Boavista, clube que havia ficado em quinto no Carioca de 2020, só atrás dos quatro grandes do Rio. "Falei: Por que não? Vou realizar um sonho, sempre gostei muito de futebol".

A estreia, já como titular da zaga do Boavista, foi um susto do ponto de vista físico. "Antes estava só treinando, não é a mesma coisa. No primeiro jogo, eu senti muita diferença, porque a gente está o tempo ativo, durante dois tempos de 45 minutos. No vôlei tem a ação rápida, para. Ação rápida, para. Depois entrei no ritmo e consegui manter", conta.

Diante do Flamengo, reencontrou a meia Darlene, velha conhecida dos tempos em que as duas jogavam por equipes de Araraquara, no interior de São Paulo. Uma no vôlei, outra no futebol. "Ela me viu e falou: 'nossa, Rafa, é você?' Mas foi tudo bem. No início, eu senti receio de como as meninas do futebol iam me receber, mas foi muito tranquilo. Ninguém me tratou diferente".

Titular em todos os 11 jogos, Rafaela vestiu a faixa de capitã e marcou um gol de pênalti. Mas a campanha não foi boa e o time terminou na penúltima colocação, em 11º lugar. Ao menos escapou do rebaixamento. A zagueira chamou atenção e chegou a ser sondada por um dos quatro grandes do Rio. Chegou a considerar a hipótese, mas escolheu voltar ao vôlei.

Antes, ainda disputou o Carioca de Beach Soccer. Desta vez como pivô, no ataque. "Nunca joguei um esporte tão cansativo. São três tempos de 12 minutos, mas os 12 correspondem aos 45 do campo. A goleira já lança a atacante do outro lado e você tem que voltar correndo. É muito cansativo", constata. Rafaela só fez um gol, mas na semifinal, ajudando a equipe a avançar à final contra o Vasco.

Reforço do Curitiba, penúltimo colocado da Superliga, Rafaela quer se readaptar rápido ao vôlei. "Eu acho que o processo de readaptação não vai ser tão demorado. Em pouco tempo, eu vou pegar o tempo de bola, vou calibrando o vôlei. Mas o físico até que está bem. O time está legal, com algumas coisinhas, a gente consegue fazer um bom retorno e sair dessa parte ruim da tabela", avalia.

Aos 29 anos, ela não descarta um dia voltar para o futebol. Mas o foco é mesmo o esporte jogado com as mãos. "Acho que a prioridade vai sempre ser o vôlei. A prioridade agora está aqui [em Curitiba], tenho que agarrar, ir para cima das oportunidades".