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Patrocinadores dizem que retratação de Maurício no Twitter não é suficiente

Atletas do vôlei se manifestam apos Minas afastar Mauricio Souza por publicações homofóbicas - Reprodução/Instagram
Atletas do vôlei se manifestam apos Minas afastar Mauricio Souza por publicações homofóbicas Imagem: Reprodução/Instagram
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

27/10/2021 14h30

As duas patrocinadoras da equipe masculina de vôlei do Minas Tênis Clube, Fiat e Gerdau, não consideraram suficiente o pedido de desculpas feito por Maurício Souza no Twitter, em perfil que tinha apenas 50 seguidores, por postagens de teor homofóbico compartilhadas no Instagram, para 250 mil seguidores.

A montadora e a produtora de aço informaram à coluna, em notas coordenadas, que já comunicaram ao Minas Tênis Clube que Maurício precisa não somente se retratar no Instagram como, já que diz ter se arrependido das postagens de teor homofóbico, também deletá-las.

"A Fiat considera que foram tomadas medidas relevantes, mas comunicou ao clube que está à espera de ações mais efetivas, como a retratação do atleta no mesmo perfil usado para divulgar as manifestações homofóbicas, e a remoção dos conteúdos recentemente divulgados", informou a montadora. "A diversidade e inclusão são valores relevantes e concretos para a Fiat. A empresa repudia qualquer tipo de manifestação de cunho preconceituoso e homofóbico", continuou a Fiat.

"A Gerdau considera que as medidas tomadas até agora pelo clube foram importantes, mas aguarda ações mais efetivas. A empresa conversou com o clube, que confirmou que o atleta fará a retratação no mesmo perfil usado para divulgar as manifestações homofóbicas. A Gerdau também entende a necessidade de remoção dos conteúdos recentemente divulgados pelo atleta", disse a empresa.

A Gerdau reformou que "aguarda o cumprimento dessas iniciativas", sem condicionar, explicitamente, sua continuidade como patrocinadora à implementação das medidas. "A empresa reforça seu compromisso com a diversidade e a inclusão, um valor inegociável para a companhia e, ainda, que repudia qualquer tipo de manifestação de cunho preconceituoso e homofóbico", continuou.

O Minas considerou que o pedido de desculpas de Maurício, sem dizer pelo quê, no Twitter, era o suficiente. "O clube pediu para ele se posicionar publicamente ele se posicionou", comentou o Minas após o post do central. Na "retratação", o jogador escreveu: "Pessoal, após conversar com meus familiares, colegas e diretoria do clube, pensei muito sobre as últimas publicações que eu fiz no meu perfil. Estou vindo a público pedir desculpas a todos a quem desrespeitei ou ofendi, esta não foi minha intenção".

O pedido de desculpas só veio depois que Fiat e Gerdau, que bancam o time, pressionarem o clube, que na noite de segunda-feira, duas semanas depois do post homofóbico, disse discordar da opinião do jogador, mas defendeu o direito de Maurício se expressar de forma homofóbica.

Pressionada, ontem à tarde a diretoria do Minas decidiu afastar Maurício Souza por tempo indeterminado no começo da Superliga, aplicar uma multa, mas dar a ele a possibilidade de uma "retratação" para evitar ser demitido. O central da seleção brasileira topou, mas o fez com um post genérico em uma rede social onde tinha um perfil irrelevante, recém-criado.

A forma como foi feito o pedido de desculpas não convenceu torcedores do clube, mais tradicional do vôlei brasileiro, e a base de fãs de vôlei que continuou criticando o Minas e cobrando as patrocinadoras. Se Fiat e Gerdau saírem, a enorme folha salarial da equipe, uma das mais caras do país, passaria para a conta dos associados do Minas Tênis Clube.