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Olhar Olímpico

REPORTAGEM

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Aos 48, Scheidt diz que pode brigar de igual para igual por 6ª medalha

Robert Scheidt, cinco vezes medalhista olímpico, velejador - Divulgação
Robert Scheidt, cinco vezes medalhista olímpico, velejador Imagem: Divulgação
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

06/05/2021 10h46

Mais experiente atleta da delegação brasileira que vai aos Jogos Olímpicos de Tóquio — e também o mais vitorioso —, Robert Scheidt acredita que está em plenas condições de brigar por mais uma medalha. Aos 48 anos, completados no mês passado, o velejador vai para sua sétima Olimpíada, um recorde no esporte brasileiro, e tentará chegar ao pódio pela sexta vez, o que também seria um recorde. No currículo ele tem dois ouros, duas pratas, um bronze e um quarto lugar.

E o otimismo só aumentou depois que Scheidt foi medalhista de prata no Campeonato Europeu, disputado no mês passado em Portugal, e que contou com a grande parte dos rivais que estarão na Olimpíada na classe Laser. "Essa prata em Vilamoura mostrou que eu estou no caminho certo. Ainda faltam dois meses, algumas coisas podem mudar, mas mostrou para mim que posso jogar de igual para igual com qualquer um. Era esse o objetivo desde o início: ser competitivo nos Jogos Olímpicos", explicou ele em entrevista coletiva hoje (6) cedo.

O velejador chegou a se aposentar da vela olímpica em 2017, depois de uma temporada na classe 49er com resultados muito abaixo do que ele está acostumado. Scheidt disse na ocasião que iria continuar na vela, mas se dedicando a outros projetos que não as classes olímpicas. Mas ele acabou voltando a velejar de Laser no Lago di Garda, na Itália, onde mora, participou de uma Copa Brasil como teste, e anunciou no início de 2019 que faria a corrida olímpica.

Logo conseguiu a vaga para os Jogos de Tóquio, mas aí veio a pandemia. Segundo o brasileiro, a parada nas competições e o adiamento da Olimpíada em um ano acabou sendo positiva para ele, que ganhou mais tempo para se preparar no seu retorno à Laser. A idade, segundo ele, não altera o desejo de brigar de novo entre os primeiros.

"A vontade de chegar no pódio, fazer uma boa Olimpíada, é tão grande quanto nas outras vezes, senão maior, porque estou caminhando para o fim da minha carreira e as chances vão diminuindo para você continuar nessa caminhada olímpica. Estou mais leve, a responsabilidade não é tão grande sobre mim, mas isso não quer dizer que eu queira menos a medalha", afirmou.

Aos 48 anos, Schedit diz que segue desejando testar seus próprios limites. "O que eu estou fazendo hoje nunca ninguém fez na classe Laser, é uma coisa nova. Está mostrando para a juventude que eles têm muita lenha para queimar. Acho que está aqui a chama, a paixão, a vontade, isso tudo que faz você tentar de novo e lutar por aquilo que você ama."