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Maior ginásio do país, Mineirinho também deve ser privatizado

Torcida do Cruzeiro no ginásio Mineirinho em 2011 - Bernardo Lacerda/UOL
Torcida do Cruzeiro no ginásio Mineirinho em 2011 Imagem: Bernardo Lacerda/UOL
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/12/2020 04h00

Enquanto a cidade de São Paulo discute o futuro do Ginásio do Ibirapuera, que pode ser transformado em um shopping center, o governo de Minas Gerais também avança no projeto de privatização do seu principal ginásio, o Mineirinho, considerado o maior do país com seus 25 mil lugares. A ideia é que a licitação, no modelo de Parceria Público Privada (PPP), ocorra no segundo semestre de 2021.

"Quando a gente compara, o Ibirapuera tem um projeto imobiliário bastante agressivo associado, inclusive de desconstruir o estádio. O nosso tipo de projeto é um projeto de arena de fato. Primeiro porque o Mineirinho é tombado. A gente não poderia destrui-lo. Ele é a maior arena coberta do país e está localizado na Pampulha, que é tombada pela Unesco. A gente tem um conjunto de possibilidades para ele", diz o secretário de Infraestrutura de Minas Gerais, Fernando Marcato.

De fato, o Mineirinho tem características diferentes dos seus equivalentes em São Paulo, o Ibirapuera, e no Rio, o Maracanãzinho. Pela localização e pelos nove pavimentos, que permitem, no entender do governo, que o futuro concessionário tenha múltiplas possibilidades de uso, além do esportivo, respeitando o tombamento arquitetônico.

"Hoje a situação é precária. A vocação do Mineirinho é para grandes eventos. Se vai ser esporte ou shows, nossa visão é que a gente vai deixar o maior nível de liberdade para a iniciativa privada definir a locação. Honestamente, considerando 365 dias, você pode fazer as duas coisas", afirma Marcato.

Ele cita duas características geográficas que jogam a favor do Mineirinho: a proximidade com o aeroporto da Pampula (que também será concedido), o que pode facilitar a atração de turistas e, consequentemente, de eventos internacionais, e o fato de o ginásio ser vizinho ao campus da UFMG. "Você pode transformar ele em um centro de negócios, um ponto de encontros. Tem muito espaço para ocupar. É diferente do Maracanãzinho, que é grande, mas não tem área instalada."

Atualmente o Mineirinho raramente recebe eventos esportivos de grande porte. O Minas Tênis Clube tem times no NBB e na Superliga, tanto masculina quanto feminina, mas tem seu próprio ginásio, de tamanho adequado para essas ligas. Multicampeão no vôlei, o Sada/Cruzeiro costuma jogar em Contagem, na região metropolitana de BH, e só vai ao Mineirinho para finais.

O ginásio, porém, é sede de 13 federações mineiras, de modalidades que vão do vôlei à canoagem. Marcato diz que há um plano para que elas sejam realocadas. "Até já identificamos um prédio para realocá-las. A gente não vai abandonar as federações. Mas não faz sentido ter infraestrutura para eventos e ficar travada, mas isso não significa que vamos abandonar o incentivo ao esporte", ele promete.

O governo Romeu Zema (NOVO) calcula que o futuro concessionário invista entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões para remodelar o Mineirinho. "A gente vai colocar como obrigação mínima a manutenção do esporte. Se vai ficar com ou sem ar condicionado, essas coisas a gente vai deixar para a concessionária decidir", afirma Marcato.

A expectativa é que o edital seja lançado para consulta em meados de 2021.