PUBLICIDADE
Topo

Jogadora de basquete é presa por protestar em Belarus e atletas reagem

Elena Levchenko - Reprodução/Twitter
Elena Levchenko Imagem: Reprodução/Twitter
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/09/2020 16h08

"Hoje, mais do que nunca, é importante apoiar todos os que perderam o emprego por causa das suas crenças e estender uma mão de solidariedade para com aqueles que querem viver em um país livre e democrático."

Foi a partir dessa crença que atletas de Belarus se uniram para criar um fundo financeiro voltado a ajudar profissionais do esporte, incluindo atletas, que perderam seus empregos ou sofreram outros tipos de repressão enquanto o país discute a legalidade de um processo eleitoral que declarou como vitorioso o presidente Aleksandr Lukashenko, no poder há mais de 25 anos.

O resultado eleitoral é contestado pela oposição e, desde o mês passado, as ruas do país têm sido palco de confrontos sangrentos, com propostos de boa parte da população sendo reprimidos pelas forças militares leais a Lukashenko. Como em outros governos autoritários, porém, a repressão não acontece apenas pelo poder militar, mas também a partir do poder judiciário e do poder econômico.

Hoje (30), um tribunal da capital Minsk sentenciou a jogadora de basquete a 15 dias de prisão por participar de protestos exigindo a renúncia do presidente. Ela foi detida nesta manhã, no aeroporto da cidade, enquanto estava prestes a embarcar para um tratamento médico planejado no exterior. De acordo com a EFE, a jogadora foi encaminhada para uma prisão na cidade que é famosa pelas denúncias de maus-tratos e torturas contra manifestantes.

Em resposta, uma fundação de atletas está incentivando um boicote às competições. Esse grupo está organizado em páginas nas redes sociais e conta com nomes de expressão, como Aliaksandra Herasimenia, nadadora medalhista de prata nos 50m e nos 100m livre nos Jogos Olímpicos de Londres e bronze na prova mais curta na Rio-2016.

Ela colocou à venda no Ebay o uniforme que utilizou para subir ao pódio e receber a medalha no Rio, explicando que todos os fundos arrecadados seriam repassados à Belarusian Sport Solidarity Foundation. Até a publicação desta reportagem, a roupa já havia recebido lances acima de US$ 1,5 mil. No Facebook, os números são muito maiores. Já são mais de 34 mil doações, que ultrapassam R$ 12 milhões.