PUBLICIDADE
Topo

CPB cria aulas online para incentivar deficientes a se exercitarem

Roberto Alcade, campeão mundial de natação, faz exercícios em curso online do CPB - Reprodução
Roberto Alcade, campeão mundial de natação, faz exercícios em curso online do CPB Imagem: Reprodução
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

30/06/2020 04h00

Durante a quarentena, as aulas online viraram rotina. Seja na educação regular, em cursos de formação, ou como atividade física. Academias e preparadores físicos fazem lives nas redes sociais e ajudam de atletas de rendimento a idosos a se movimentarem. O Comitê Paraolímpico Brasileiro (CPB), porém, identificou uma lacuna: faltavam orientações para que deficientes visuais se exercitassem em casa. Foi daí que surgiu o movimente-se.

"A gente percebeu que havia muitas aulas de atividade, aulas muito boas, mas que não tinham descrição, não tinha nada. Se nós que não somos deficientes estamos em casa entediados, imagina quem é cego. O que podemos fazer? Precisávamos montar um programa não para atletas, que já têm noção de exercício, mas para aqueles que não tinham noção de como fazer isso", explica Alberto Martins, diretor técnico do CPB.

O programa foi feito pensando no deficiente que é sedentário e passa o dia na frente do computador, do celular ou da televisão. "São atividades básicas, não são atividades extenuantes, porque não fizemos avaliação médica nos usuários. Fomos buscar nossos técnicos que já trabalham com essas pessoas para que eles montassem os programas".

Um profissional do CPB especializado em ginástica funcional ajudou a pensar o programa para que ele fosse auto-explicativo, para que mesmo as pessoas sem familiaridade com a atividade física pudessem entender. Os vídeos, semanais, foram reunidos em uma única plataforma, que recebeu o nome de "movimento paralímpico".

Estão disponíveis aulas para cinco tipos diferentes de deficiência: deficientes visuais, paralisados cerebrais, cadeirantes, amputados de membro superior e amputados de membro inferior. Com exceção desse último grupo, todos têm cinco aulas, que valem para cinco semanas.

Atletas de alto rendimento foram escolhidos para demonstrarem os exercícios. Na última rodada de aulas publicadas foram escolhidos a sul-matogrossense Gabriela Mendonça (classe T12), o carioca Washington Assis (T47), o paulista Christian Gabriel (T37), todos do atletismo, e o gaúcho Roberto Alcalde (S6), da natação.

CT vai reabrir

No sábado, o presidente do CPB, Mizael Conrado, assinou com o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), um protocolo que vai permitir a reabertura do CT Paraolímpico, na zona sul da cidade, a partir do dia 1º de julho. A atividades esportivos no local estão suspensas desde 16 de março.

Neste primeiro momento voltam apenas os treinos das equipes de alto rendimento de atletismo, natação e tênis de mesa, modalidades que têm no CT Paraolímpico a base da seleção. De acordo com o CPB, Mais de 140 atletas de alto rendimento treinavam nas instalações antes da pandemia.

Nesta fase de reabertura, não mais do que 50 pessoas, em horários distintos, poderão fazer uso do equipamento esportivo. O CPB afirma que, para isso, adquiriu 5 mil máscaras, entre descartáveis, laváveis e N95, para distribuir aos atletas e treinadores, além de testes PCR (coleta de material com raspagem de nasofaringe) e de sorologia. Também serão instalados quatro túneis de sanitização.