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Adiamento da Paraolimpíada aumenta preocupação com quartos adaptados

Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro - Matt Hazlett/Getty Images
Andrew Parsons, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro Imagem: Matt Hazlett/Getty Images
Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

10/04/2020 04h00

O adiamento dos Jogos de Tóquio para 2021 e a crise causada pela pandemia do coronavírus fizeram reascender uma preocupação antiga do Comitê Paraolímpico Internacional (IPC, na sigla em inglês): a oferta de quartos de hotel adaptados na capital japonesa. O presidente do órgão, o brasileiro Andrew Parsons, teme que empresários do setor hoteleiro desistam de fazer as adequações prometidas.

"Ainda queremos que os Jogos Olímpicos de Tóquio sejam um catalisador de mudanças na sociedade. Devemos garantir que esse foco não seja perdido e não podemos perder o foco em acomodações acessíveis. Alguns hotéis estavam preparados para se adaptar, e o adiamento pode significar que eles percam o foco nisso. Demorou muito tempo e esforço para dar o pontapé inicial. Não queremos voltar por causa do adiamento", disse Parsons, em conversa com jornalistas.

O IPC calcula que serão necessários ao menos 850 quartos de hotel acessíveis para acomodar visitantes que não ficarão hospedados na Vila Olímpica, o que inclui dirigentes, árbitros, imprensa e espectadores. Mas a oferta de quartos adaptados - não só em Tóquio, mas em todo o Japão - é baixíssima.

Diferentemente do Brasil, onde a legislação determina que 10% dos quartos de um hotel precisam ser adaptados, no Japão exige-se um quarto por hotel. Entre as explicações para isso estão questões culturais (no Japão, os deficientes convivem menos em sociedade) e financeiras (o metro quadrado é caríssimo, e adaptações principalmente para cadeirantes exigem espaço). No ano passado, o comitê britânico chegou a reclamar publicamente de hotéis que estavam cobrando para fazer as adaptações necessárias.

Assim como aconteceu com a Olimpíada, a Paraolimpíada também foi remarcada para praticamente as mesmas datas de 2020, mas em 2021. A competição vai começar em 24 de agosto e terminar em 5 de setembro. Na conversa com jornalistas, Parsons demonstrou preocupação com o fluxo de caixa do IPC, mas disse que por enquanto o órgão não cogita pedir ajuda ao COI.

"Nesta semana, quase concluímos a revisão de mais de 150 contratos relacionados aos Jogos. Um exemplo são os parceiros de transmissão. Nós não teremos os Jogos até 2021, então alguns deles já solicitaram se podem atrasar os pagamentos finais para 2021, o que é claro que podemos entender. Todos os nossos parceiros têm sido extremamente solidários", revelou.

Olhar Olímpico