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Diretor da NBA defende que Brasil volte a "seguir com a vida"

Demétrio Vecchioli

Demétrio Vecchioli, jornalista nascido em São Roque (SP), é graduado e pós-graduado pela Faculdade Cásper Líbero. Começou na Rádio Gazeta, foi repórter na Agência Estado e no Estadão. Dedicado à cobertura de esportes olímpicos, escreveu para o UOL, para a revista Istoé 2016, foi colunista da Rádio Estadão e, antes do Olhar Olímpico, manteve o blog Olimpílulas. Neste espaço, olha para os protagonistas e os palcos do esporte olímpico. No Olhar Olímpico têm destaque tanto os grandes atletas quanto as grandes histórias. O olhar também está sobre os agentes públicos e os dirigentes esportivos, fiscalizados com lupa. Se você tem críticas, elogios e principalmente sugestões de pautas, escreva para demetrio.prado@gmail.com

26/03/2020 15h39

A noite do dia 12 de março de 2020 foi histórica. Utah Jazz e Oklahoma City Thunder já estavam em quadra, prontos para começarem a jogar, quando chegou o teste positivo para coronavírus do exame feito pelo pivô francês Rudy Gobert. Os atletas voltaram para o vestiário e, momentos depois, a NBA anunciou que ficaria suspensa por pelo menos um mês. A decisão, radical, causou impacto no mundo todo e deu impulso para outros torneios serem suspensos nos dias seguintes. O esporte mundial parou e, nesta semana, até a Olimpíada foi adiada.

Diretor da NBA defende volta à vida normal em meio a pandemia - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Imagem: Reprodução/Twitter

Mas há, dentro do comando da NBA, quem defenda que a vida precisa voltar à normalidade. Acostumado a compartilhar postagens do presidente da República Jair Bolsonaro (sem partido), o diretor esportivo da NBA na América Latina, Daniel Soares, usou o Twitter no domingo (23) para defender a tese de que pessoas saudáveis devem "seguir com a vida".

"Acho que devemos pensar em estratégia para isolar os idosos e os mais debilitados e seguir com a vida, sim. Infelizmente, se pararmos o mundo o desfecho lá na frente vai ser muito pior", escreveu ele num post. Em outra mensagem, defendeu o presidente Jair Bolsonaro, afirmando que não é hora de incomodá-lo. Só na NBA, até sexta-feira passada, entra 14 casos confirmados de coronavírus.

O Olhar Olímpico procurou o assessor de imprensa da NBA no Brasil às 12h08 desta quinta pedindo um posicionamento sobre a fala de Soares. Vinte minutos depois, todos os posts defendendo Bolsonaro ou a tese de que se precisa privilegiar a economia foram deletados do perfil do diretor da NBA. E outro apareceu no lugar, às 12h33. "Vamos respeitar a quarentena! É importante fazermos a nossa parte para que o quanto antes possamos voltar às atividades normais! Temos que achatar a curva logo", escreveu.

Soares, porém, manteve diversas "curtidas" dadas nos últimos dias. Uma das postagens curtidas dizia: "Sinto que o país começa a perceber que a quarentena não é viável por muito tempo". Também deu seu "like" ao deputado Osmar Terra: "Evidente exagero das informações para criar pânico na população em relação ao coronavírus. É uma pandemia como as outras que ocorreram nas últimas décadas, e com uma mortalidade igual ou menor. Não é caso de suspender aulas e parar a atividade econômica". Os dados não batem com a realidade: em 30 dias após o início do surto da H1N1 no Brasil em 2009, ninguém havia morrido. No mesmo período, 63 pessoas já morreram pelo coronavírus.

Em outra postagem, Soares curtiu a seguinte mensagem: "Sétimo dia da quarentena: 'gritando 'fora Bozo' na janela da minha casa para tentar comer minha vizinha formada em artes plásticas". Após a publicação da reportagem, a NBA disse que "não regula o que atletas, funcionários e proprietários das franquias dizem (ou não dizem) sobre questões públicas ou opiniões que sejam importantes para eles".

Olhar Olímpico